Não parece bem dar 10 hectarzitos para 'coisas' esquisitas.


Exmo Presidente

Excelência, arrimado a quantos vêm em V.Exª o farol que, nesta ponta mais ocidental da Europa, desvenda um rumo redentor para esta Pátria tristemente atraiçoada, porfio em louvar a obra com que nos benfazeja enquanto, concomitantemente, ouso dirigir a V.Exª o alerta para algumas das armadilhas que, por intenção ou desnecessária inépcia, alguns persistem em botar em tão promissor caminho.


Pois, muito bem tem-se V.Exª esmerado em doar às mais várias e honradas instituições os meios necessários e quantas vezes, porque não reconhecê-lo, mais-do-que-necessários tal é a bondade intrínseca de V.Exª, para o êxito das missões dessas ditas e santas instituições.


Ainda recentemente me deslumbrei ao constatar que havia V.Exª doado à emérita Fundação 'O Século' aquele terreno de robusta dimensão, que aos munícipes não fazia nenhuma falta mas seguramente à Fundação vai dar um jeitão. 

Pois, sim senhor, se havia de ali haver um desnecessário jardim ou uma inapropriada zona de lazer público já o assunto ficou arrumado e a prestimosa Fundação pode assim zelar garbosamente pelo sagrado privatismo deste prenda em tão boa hora recebida.

E não podia ser a hora melhor porque a Fundação bem precisa de amealhar uns proveitos quando gentes mal intencionadas, mormente polícias e outras autoridades, lançam afrontosas injúrias sobre os esforçados chefes da Fundação com acusações de corrupção,clientelismos e outros inenarráveis dislates.

Mas V.Exª alheio a cabalas e campanhas desmoralizadoras, como sempre fiel às fraternas amizades, não hesitou em doar aquilo que há tantos anos a Fundação almejava o que é bom, claro está, porque a Fundação sem dúvida vai agora dar conveniente uso ao terreno que lhe é tão bondosamente ofertado.

É inequivocamente estribado deste lá de cá da barricada, onde estamos quantos acreditamos que a uma Câmara boa é aquela que doa amiúde a quem merece tudo aquilo que à turba é desnecessário e supérfluo, que ouso alertar para algo que à sombra de V.Exª se vem desenrolando sem que todos os perigos lhe sejam devidamente desvendados.


Saiba V.Exª que me reporto a uma proposta em que uma diligente senhora vereadora invoca que os cascalenses estão a ficar velhinhos e que a "promoção do talento está diretamente ligada com a cativação de jovens estudantes" pelo que, certeiramente, propõe a instalação de um Colégio inglês em solo cascalejo sendo este tido como "uma escola de reconhecido mérito na Grã-Bretanha ".  

Vai então, a Exma vereador avança entusiasticamente com a defesa de que a Câmara faça a doação à insigne Instituição de um adequado terrenozinho que, para o efeito, dada a excelência do Colégio, não poderá ter menos de 10 hectares ou seja 100.000 metros quadrados.

Ora acontece que não dispõe a Câmara de um terrenito "livre de ónus" onde caibam dez campos de futebol pelo que, como é habitual, há que ir buscá-lo onde ele anda guardado e não faz falta nenhuma ou seja, há que ir desanexá-lo desse resquício de verdura teimosamente protegido como Reserva Agrícola Nacional (RAN).
Até aqui tudo bem, pois se há um College, daqueles onde se pagam para cima de 20.00 euros para pôr a aprender os futuros jotinhas, o qual quer vir instalar-se no nosso querido concelho, pois então que se lhe ofereça um terrenozinho jeitoso que, seguramente, não faz falta nenhuma aos ‘pés descalços’ de Tires e arredores. 

E se, por culpa de uns quaisquer maldoso ambientalistas, tal espaço até está legalmente consagrado para árvores, plantações, flores e outras verduras inúteis é muito bem pensado que se proceda à sua desqualificação para poder acolher mais algumas das preciosas construções de betão que tão bem consagram a modernidade deste nosso glorioso torrão.

A esta lógica doadora que ilustra a sagaz empresa de converter verduras em betão nada há a criticar antes se reconhece  que constitui uma acrescida homenagem ao  louvável desígnio empreendedor de V.Exª.

Sucede, porém, que o dito "Brighton College", ainda que sendo uma venerável instituição com séculos de  aristocrática pedagogia, parece agora andar por caminhos pouco recomendáveis que podem não ser benfazejos para o concelho e, quiçá, deslustrar o próprio prestigio de V.Exª.

Seguramente que a digníssima senhora vereadora não há-de ter sido informada que o dito College se tem feito notar mediaticamente em tempos recentes por ser muito dado a esquisitices quanto a coisas mais íntimas que deveriam merecer de todos um muito sagrado respeito e pudor. 

Primeiro cuidou o College de propagandear que não fazia pressões quanto às opções de género dos seus pupilos pelo que meninos e meninas podiam vestir livremente o uniforme com que se sentissem mais identificados (https://www.dn.pt/mundo/interior/colegio-altera-regras-dos-uniformes-por-causa-dos-alunos-transgenero-4992049.html). 

Ou seja, veja só V.Exª, rapaz que se ache mais amigo de bonecas, e mais não preciso explicar, pois pode vestir o uniforme de saia e blusinha enquanto menina que ande confundida pode optar pelo uniforme dos rapagões. Disparates loucos de uma instituição que mais se havia de dar ao respeito e incutir na juventude à sua guarda sãos valores morais.

Depois, pior ainda, prosseguindo nesta teia satânica entenderam lá por Brighton apresentar aos jovens instruendos  um questionário acerca das suas orientações naquele domínio de fazer bebés.

Pois não contente com haver 'meninos', 'meninas' e 'outros', consequência destes tempos desregrados, o dito College apresentou aos discípulos uma lista imensa de possíveis perversões.

Excelência, tremo de indignação ao imaginar as pobres criancinhas a serem confrontadas com uma tal listagem onde eram enumeradas vinte e quatro, isso mesmo vinte e quatro, diferentes anormalidades das quais, só para cabal informação, refiro algumas que espero V.Exª não leve a mal.

Pois então perguntava-se lá no dito College se os jovens se consideravam "transrapariga", transrapaz", "no meio entre rapaz e rapariga", "intersexo", “não-binário”, “andrógino”, “tri-género” ou "género fluído".

Não, não e não! Certamente V.Exa partilha da minha indignação perante tais desaforos inadmissíveis neste nosso canto quase impoluto destes desvarios. 

É só por estes desmandos que quis alertar V.Exª para algo que seguramente não lhe havia sido comunicado pois, caso contrário, nem aquela referida proposta haveria visto a luz do dia.

Pois acho muito bem que V.Exª ofereça um terrenozinho retirado da Reserva Agrícola Nacional para um College inglês mas, que seja para um fino e adequadamente fiel aos valores conservadores que tanto presamos.

Para coisas esquisitas, isso não!


A bem do Concelho, da Nação e da Europa.


Fim do Mundo, União das Freguesias de Cascais e do Estoril, 9 de maio de 2018


De V. Exª muito atento, venerador e obrigado

Zacharias de Casal-Riacho Jr.

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2 comentários:

Urubu Gourmet disse...

Caro Zacharias
Afinal o que é que se vai passar, concretamente?
Fale claro e conte lá os factos precisos.
Deixe essa prosa redonda que desorienta os leitores e dê nomes aos burros.
Se não o fizer o seu esforço de indignação terá sido lamentavelmente inglório.
Com amizade.
Urubu

Zacharias de Casal-Riacho Jr. disse...

Exmo Sr Urubu Gourmet

A escrita de que mui me orgulho apreendia-a com os mestres da nossa gloriosa Língua.
Ainda que suspeite que não partilhemos os mesmos ideários esclareço-o que me referia duas doações que a Câmara decidiu. Uma à Fundação O Século de um terreno anexo à dita IPSS como consta da fotografia.
A outra, decorre de uma proposta votada na última reunião de Câmara (8 de maio)para desanexar 100.000m2 de terreno da Reserva Agrícola Nacional, perto da prisão de Tires, para ofertar esse terreno para instalação do Brighton College.

Um seu criado
A bem do concelho, da Nação e da Europa
Zacharias de Casal-Riacho Jr.

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