Tribunal de Cascais aumenta pena de assaltante de carrinhas de valores que matou automobilista em fuga à polícia

JUSTIÇA

TRIBUNAL de Cascais aumentou pena para assaltante e homicida


14 abril 2021 | 15h37
O Tribunal Central de Cascais condenou a 24 anos e 5 meses de prisão um assaltante de carrinhas de valores que matou à queima-roupa um automobilista, João Carlos Silva, que viajava com a mulher, e a filha de 6 anos e ao qual, sem sucesso, tentou roubar a viatura para continuar com os cúmplices a fuga à Polícia, depois do assalto junto ao hipermercado Continente Modelo, em Lourel, Sintra.


Esta pena única aplicada a Ricardo P., 34 anos, atualmente detido no Estabelecimento Prisional de Vale de Judeus, resultou do cúmulo jurídico de duas penas por nove crimes, sendo que a última pena transitou em julgado em setembro último.

Os juízes do Tribunal Central de Cascais entenderam, portanto, condenar Ricardo P. em 24 anos e 5 meses de prisão, fazendo o cúmulo jurídico de todas as nove penas parcelares, resultantes de dois processos, e que somavam 47 anos e 9 meses de prisão.

A primeira condenação, proferida pelo Juízo Central Criminal de Sintra, ditou 24 anos de prisão, fazendo o cúmulo jurídico por 18 anos de prisão por homicídio, 8 anos, 6 anos e 4 anos e 6 meses por três roubos consumados, mais duas vezes 3 anos por dois roubos tentados, 2 anos e 6 meses por detenção de arma proibida e ainda 1 ano e 6 meses por falsificação de documento agravada.

A última condenação, por tráfico de estupefacientes de menor gravidade, foi agora reduzida para 5 meses de prisão, após o Juízo Local Criminal de Oeiras ter aplicado 1 ano e 3 meses de prisão. 

CADEIA Caxias Reduto Norte, onde chegou a estar detido e tentou traficar droga

Este último crime foi praticado quando o arguido estava detido no Estabelecimento Prisional de Caxias, após ter sido capturado pela PJ. Em 22 de março de 2018, um amigo deslocou-se ao Reduto Norte para visitar. Quando estavam no parlatório, M.C. colocou as mãos por baixo da mesa onde estavam sentados e entregou ao recluso três embalagens de canábis, com 26,269 gramas, correspondente a 198 doses individuais.

De seguida, Ricardo colocou o estupefaciente dentro das calças e, depois, introduziu as três embalagens no ânus. A droga acabou apreendida após os dois homens terem sido observados pelos guardas prisionais.

O tribunal concluiu que o arguido elaborou um plano, em comum com M.C., para introduzir droga na cadeia a fim de ser vendida a outros reclusos.

Bala atinge cúmplice de ricochete

Ricardo P. vivia no bairro do Armador, na Zona M de Chelas, local associado a problemáticas sociais e marginais. Já tinha sido condenado a 9 meses de prisão, por furto na forma tentada.

Chegou a trabalhar como empregado de balcão, na pastelaria da irmã, e dedicava-se à compra e venda de carros usados para restauro.

No processo principal, transitado em julgado em 2020 e no qual eram arguidos seis indivíduos, esteve em relevo um violento assalto, em 28 de fevereiro de 2016, a uma carrinha de valores da “Loomis”, com utilização de armas de fogo, no parque de estacionamento do hipermercado Continente, na estrada da Cavaleira, em Lourel, Sintra. 

ASSALTO a carrinha de valores em Lourel

Passaram ao ataque, conseguindo roubar de mais de 8 mil euros, quando os dois porta-valores procediam ao transporte de oito sacos de dinheiro, com recurso a um carrinho, para o interior da viatura blindada.

Um ofendido conseguiu fugir e refugiou-se no interior do veículo, iniciando tentativas de arrancar e sair do local, tendo sido disparado um tiro para um pneu.

Outro ladrão efetuou vários disparos na direcção de uma roda dianteira. Um desses projécteis fez ricochete no alcatrão, vindo a atingir os dedos de um pé de Ricardo P., que ficou ferido com gravidade.

De seguida, os seis colocaram-se em fuga num Audi S3 furtado, e ao entrarem no nó de acesso à A16, Algueirão/Lourel, devido ao excesso de velocidade, a viatura despistou-se numa curva.

Fuga rocambolesca acaba em homicídio

O que conduzia perdeu a consciência, enquanto os restantes, entre eles Ricardo, saíram e ficaram apeados em plena faixa de rodagem.

Sem outro meio de fuga, os cinco decidiram apropriar-se de outra viatura que surgisse no local, através do método de carjacking.

O condutor de um Mercedes E300, que seguia com a mulher e uma filha de 6 anos, decidiu não parar. Um tiro de shotgun a curta distância atingiu, então, o automobilista João Carlos Silva, 49 anos, que ainda conduziu o veículo até à praça das portagens da A16, em Algueirão, onde acabou por morrer. 

JOÃO Carlos Silva, o automobilista morto a tiro aos 49 anos na A16

De seguida, tentaram forçar a paragem de um Renault Modus, onde seguiam uma mulher e duas irmãs. Foram efectuados mais disparos, mas a viatura seguiu a marcha até ficar imobilizada, devido a avaria provocada pelos impactos dos projécteis.

Posteriormente, um dos assaltantes regressou ao interior do Audi S3, e puxou para fora o cúmplice que permanecia inconsciente, para também encetar a fuga do local.

Fugiu de carro para Inglaterra

Os seis continuaram a deslocar-se apeados pela berma da faixa de rodagem. No nó que dá para Lourel/N9, abordaram um Citroen C3, e sob ameaça de arma forçaram a condutora a abandonar o veículo.

Desta feita, regressaram ao Audi S3 acidentado, onde recolheram os sacos do dinheiro. Depois, dirigiram-se para o Casal da Mata, e guardaram as armas e os sacos contendo dinheiro no veículo que ai tinham deixado antecipadamente e preparado para a fuga.

Enquanto circulavam pela estrada nacional N250, atiraram diversas peças de vestuário que envergaram durante o assalto, entre as quais casacos, luvas e calças de fato de treino, pelas janelas do veículo, em direção a área de mato e arbustos na berma da via. 

CÚMPLICE chegou a refugiar-se no condado de Hertfordshire, a 32 quilómetros de Londres.

Quase três horas após os factos, Ricardo P. deu entrada na urgência do Hospital Cuf Descobertas, devido a graves ferimentos nos dedos do pé esquerdo, provocados pelos disparos efetuados no decurso ao assalto à carrinha de valores. Alegou um inexistente acidente de trabalho, que teria ocorrido na pastelaria gerida pela irmã na Amadora.

Outro arguido fugiu de carro para o Reino Unido, onde veio a refugiar-se junto de familiares, em Watford, cidade e distrito do condado de Hertfordshire, a 32 quilómetros de Londres.

Assalto em abastecimento a ATM

Em 1 de agosto de 2016, Ricardo P. e três outros indivíduos, um deles não identificado, efetuaram um novo assalto tendo por alvo outra carrinha de transporte de valores, desta feita na Serra da Amoreira, na Ramada, Odivelas.

Pretendiam roubar os cacifos com dinheiro transportados por funcionários da “Esegur”, que iriam proceder ao abastecimento de numerário, cerca de 75 mil euros, da ATM instalada numa papelaria.

MULTIBANCO em papelaria em Odivelas foi atacado enquanto era abastecido

Enquanto dois cúmplices vigiavam, entraram no estabelecimento dois outros, com capacetes nas cabeças, um dos quais empunhava uma pistola e apontou-a na direção do porta-valores. Na posse dos dois cacifos, com dinheiro, correram para as traseiras do prédio, onde estava uma moto furtada e encetaram fuga para parte incerta.

Crimes planeados ao pormenor

A Polícia apurou que uma das armas usadas no roubo em Lourel era uma “shotgun” utilizada anteriormente no assalto a uma ourivesaria em Pêro Pinheiro, Sintra, durante o qual agrediram com violentas coronhadas na cabeça o dono da loja.

Os seis assaltantes seriam os operacionais de um bando, entretanto, desmantelado pela PJ de Lisboa, que deteve 11 homens e uma mulher numa mega operação que envolveu mais de 100 inspetores, culminando em 34 buscas a residências, armazéns, carros e estabelecimentos comerciais, e na apreensão de armas, automóveis, cocaína e haxixe. 

JUDICIÁRIA conseguiu desmantelar o gangue em tempo recorde

A mulher trabalhou em casas que, depois, eram assaltadas pelo grupo, que também recorria a informações de funcionários das empresas roubadas.

Os crimes eram planeados ao pormenor e os membros do gangue, durante os ataques, envergavam roupas escuras e desportivas, luvas nas mãos e gorros passa-montanhas para ocultarem os seus rostos de forma a não deixarem impressões digitais, e não serem reconhecidos por testemunhas.



 

 


1 comentário:

Da Serra disse...

Pena única: Enforcamento público!!!

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