Tudo em família

                                                                               03 ABRIL 2019

Tem causado inúmeros comentários o facto de estarem a ser identificados um sem número de membros do governo e da administração central ou em lugares de nomeação política, de pessoas com relações familiares.

Brinca-se hoje com a confusão de se tratar de uma reunião do governo ou duma reunião de família.

É triste o sinal que tudo isto dá ao cidadão. Vamos lá safar os nossos, depois logo se vê…

Embora o ministro das infraestruturas tenha editado um texto apaixonado, julgo que no facebook, justificando a nomeação da esposa, enaltecendo a sua competência técnica e política, fica sempre a dúvida do que prevaleceu: a competência ou o sangue!

Mas o caricato vivido agora, que só deve ter algum paralelo na Monarquia, não é um assunto novo. Esta parentalidade, agora mais sanguínea, já existe desde os anos noventa na política central e local portuguesa.

Nos anos noventa fomentou-se a parentalidade política. Quem era do Partido tinha logo lugares em empresas públicas ou municipais, eram nomeados assessores, adjuntos, chefes de gabinete, tudo quanto fosse lugar bem remunerado era ocupado não em função do conteúdo do CV mas do Cartão de Militante.

A esta razão não é estranho o aumento ao longo dos anos da irresponsabilidade do Estado e das autarquias nas medidas que são tomadas!

A inteligência e a competência não são adquiridas com a adesão a um Partido: ou se tem ou não!

Estranho que Carlos Carreiras não tenha vindo aos jornais invocar a criação deste hábito em Cascais muito antes do Governo de António Costa o ter experimentado como recentemente fez acerca dos passes sociais.

Ainda no tempo do anterior Governo chefiado por Pedro Passos Coelho, já Carlos Carreiras empregava na Câmara de Cascais a mulher do Ministro do Trabalho, a namorada de um Vereador da oposição que de repente deixou de o ser, a esposa de um chefe de gabinete, entre muitos exemplos similares.

Cascais é um bom exemplo de mistura de família e emprego!

Mas, como o atual governo de Portugal, um péssimo exemplo da ética!

A ética, enquanto valor fundamental das relações humanas e do exercício do poder deixou de fazer parte da equação do processo de raciocínio na política Portuguesa.

É pena. Com maus exemplos não se criam ideias vencedoras!

A estupidez destes protagonistas da política só vem confirmar que depois de tantos anos passados, ainda há quem não perceba o dilema que se colocou a César e à seriedade da mulher dele!

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+Os munícipes de Cascais também querem ser amigos de Carreiras!+Estacionamento: Um direito ou um negócio? 
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*Os artigos de opinião publicados são da inteira responsabilidade dos seus autores e não exprimem, necessariamente, o ponto de vista de Cascais24.
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3 comentários:

Anónimo disse...

Gostaria de me juntar ao sentimento transmitido por este artigo de Rui Ribeiro, no que toca à indignação por vermos gente que não presta a desperdiçar recursos, a iludir o seu semelhante e a trair a Pátria.

Na verdade, já começámos a sentir, desde há muito tempo, que alguns indivíduos "malparidos" saídos dos curros da política, nos têm andado a "bandarilhar", a tourear e a cortar orelhas. É a chusma da gentalha pequena e ordinária que, na impossibilidade de singrar na vida pelos seus próprios meios de luta e de trabalho, apanha o comboio das juventudes partidárias para embarcar numa viajem de maus costumes, que os consome na prática da sabujice, da traição, da vantagem fácil e da ambição sem limites … tudo, na mira de obter um lucro fácil e imediato.

PROMETAM-ME … QUE NAS PRÓXIMAS ELEIÇÕES VAMOS POR COBRO A ISTO !!!

Anónimo disse...

Não foi assim que chegaste a director de uma empresa municipal também? Trato lixo creio eu? Para ser sério....

Anónimo disse...

Mas não são só os problemas de consanguinidade que afetam Cascais, a oferta de lugares em empresas camarárias e afins também está a afetar seriamente o bom funcionamento deste concelho. Olhe-se o estado caótico em que ficou a Fundação S. Francisco de Assis desde que se tornou antro de boys, ou a senhora Zita que teve um excelente lugar à sua disposição depois de ter votando contra o que tinha sido mandatada no PPERUCS ou o senhor da Qta da Carreira que foi contra todos os moradores da mesma mas que agora é político camarário

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