Casal chinês capturado pela Interpol vivia em Carcavelos com vistos Gold

Segurança

Por Redação
Um casal, de nacionalidade chinesa, detido em Carcavelos, concelho de Cascais, por inspetores da PJ do Gabinete Nacional da Interpol, por alegada fraude de mais de 16 milhões de euros, conforme Cascais24 avançou esta quarta-feira, em primeira mão, terá beneficiado dos vistos "Gold" para viver em Portugal.

Fontes policiais não confirmaram, nem desmentiram esta informação e não divulgaram pormenores relacionados com a presença dos suspeitos em território nacional.

O casal era procurado pela Interpol de Pequim para extradição para a República Popular da China, onde terá praticado a alegada fraude.

Os inspetores da Unidade de Cooperação Internacional da PJ, que integram o Gabinete Nacional Interpol, apresentaram os suspeitos, ele de 47 e ela de 32 anos, no Tribunal da Relação de Lisboa para validação de dois mandados de "Alerta Vermelho" da Organização Internacional de Polícia.

A mulher recolheu ao Estabelecimento Prisional de Tires e o homem ao Estabelecimento Prisional de Lisboa (EPL).

O casal era procurado pela presumível autoria de uma fraude superior a 16 milhões de euros na área do imobiliário, na China.

Os mandados internacionais foram expedidos pela Interpol em Pequim, que é membro da Organização Internacional de Polícia desde setembro de 1961 e terão tido por base uma investigação da agência de investigação do crime económico chinesa, que depende do Ministério da Segurança Pública daquele país asiático.

Em Portugal, só o investimento chinês captou até ao momento 1,9 mil milhões de euros, através dos "vistos Gold"



Falta de rigor

Portugal é um dos países da União Europeia em que a atribuição de ‘vistos Gold’ regista falta de rigor, revelou esta segunda-feira, em Bruxelas, a Transparência Internacional, que defende que não existem diligências suficientes para confirmar a origem do património de quem beneficia dos vistos, que só, em Portugal entre 2012, data em que foi criado e até finais de janeiro último fez entrar nos cofres do Estado português 3,5 mil milhões de euros.

Na apresentação de uma investigação conjunta com o Organized Crime and Corruption Reporting Project (OCCRP), o diretor estratégico da Transparência Internacional, Casey Kelso, apontou Portugal e Hungria como exemplos de países comunitários que não têm sido “suficientemente rigorosos” no cumprimento das diligências instituídas para a atribuição de ‘vistos Gold’.

“Em Portugal, não há diligências suficientes para verificar a proveniência da riqueza dos aplicantes”, sublinhou, indicando que basta a apresentação de um registo criminal.

Para corroborar a sua afirmação, o diretor estratégico da Transparência Internacional, que referiu que Portugal é um caso de estudo de como estes programas podem corromper um Governo, indicou o caso do ex-ministro da Administração Interna Miguel Macedo, que está a ser julgado no âmbito do processo em que se investiga a atribuição de ‘vistos Gold’ a cidadãos estrangeiros.
Carl Dolan

Já o diretor da Transparência Internacional, Carl Dolan, assumiu “uma preocupação crescente” relativamente ao que estes esquemas representam para a integridade do Espaço Schengen. 

“Estas pessoas estão a comprar o acesso à cidadania comunitária e à UE”, concluiu.







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