Berardo, um caso sério!

                                                                            21 JUNHO 2019

Segundo a Agência Lusa noticiou em 22 de Abril, tinha dado entrada na Justiça um processo conjunto da Caixa Geral dos Depósitos, do Novo Banco e do BCP executando Joe Berardo, e mais três empresas a si ligadas (a Fundação José Berardo – Instituição Particular de Solidariedade Social, a empresa Metalgest- Sociedade de Gestão e a empresa Moagens Associadas, SA.), para a cobrança de uma dívida de 962 milhões de euros.

Dos trâmites deste processo fez parte a audição parlamentar que teve lugar, ontem, dia 11 de Maio, na Assembleia da República, sessão que foi transmitida pelo canal de televisão da AR, para espanto e indignação de uma numerosa audiência que, perplexa, assistiu à vergonhosa prestação deste comendador travestido de vigarista.

Consultados os registos, ficámos a saber que Joe Berardo já tinha estado envolvido em várias situações controversas que chegaram aos meios de comunicação social, nomeadamente, aquela pela qual em 1990, foi citado na Comissão de Inquérito “van Zyl” pela exportação ilegal de cicadáceas, desviando-as do Transval para a ilha da Madeira, tendo declarado o valor das plantas por menos de um décimo do valor de compra.

Depois, em 2008, o nome de Joe Berardo surgiu na imprensa relacionado com a especulação imobiliária que terá efectuado na Ria de Alvor, tendo o preço da Quinta da Rocha passado de 500 mil para 15 milhões de euros.

Também em 2008, já a jornalista Maria Teixeira Alves, atenta aos acontecimentos escrevia na última página do seu livro Terramoto BCP … “Joe Berardo, no mesmo dia em que estava a ser eleito para o Conselho de Remunerações do BCP, tinha a Polícia Judiciária a entrar-lhe pela sua Empresa Madeirense de Tabacos, a recolher documentos por indícios da prática de crime de fraude fiscal, utilização de facturas falsas e branqueamento de capitais através de sociedades offshore. Deus parece rir-se de nós.”

Já em 2009 foi escusado de regularizar os juros do empréstimo de 2007, pela nova administração da CGD, uma vez que se tal não fosse feito as garantias teriam que ser activadas, resultando que o banco estatal, dado o veículo financeiro utilizado, passaria a deter uma participação muito significativa (10%) do BCP.

A 1 de Fevereiro de 2012 foi declarado pela Caixa Geral de Depósitos, pelo Banco Espírito Santo e pelo Banco Comercial Português que haviam desistido de lhe cobrar.

Em 2019 torna-se público que Joe Berardo deve 980 milhões de euros ao Banco Comercial Português, ao Novo Banco e à Caixa Geral de Depósitos.
Terminada a lamentável e ridícula audição, durante a qual proferiu declarações tais como “eu pessoalmente não tenho dívidas” e, “se eles [CGD] quiserem levar a garagem podem levar”, frases intermediadas com risos, esgares e atitudes de uma sobranceria ordinária e ofensiva dirigidas aos seus interlocutores, Joe Berardo, encaminhou-se para a saída do Parlamento, onde o esperavam os agentes de execução com a notificação judicial para lhe entregar. 


Só que … segundo informam o Dário de Notícias e o Observador … a entrega não se chegou a verificar devido ao aparato jornalístico que se montou para testemunhar o momento.

Não sei bem o que dizer … mas confesso que não gostei nada do que vi e ouvi neste degradante espectáculo, pelo que evidenciou de fragilidade dos actuais figurantes e instrumentos da nossa Justiça, nem da aparente impotência dos inquiridores para produzir resultados eficazes nem, muito menos, da imagem de bacoquice que tudo aquilo transpirou cá para fora denunciando uma gritante incapacidade para se gerir a autoridade do Estado.

Resta saber como é que esta cena vai terminar e como é que devemos lidar com os vigaristas que nos roubam, que nos ofendem a inteligência saindo incólumes e a rir.

Agora, "Jóquer Petardo" aparece como o “Denunciante Implacável !

Fico a pensar o que alimentará as entranhas de um espertalhão que consegue levar por diante uma burla bem urdida, na quase certeza de não ser apanhado?

Será, possivelmente, uma energia e uma criatividade soberbas que encontraram solo fértil na estupidez e na ambição de uns certos portugueses que já deviam estar presos há muito tempo. Um tipo que tem o desplante de se rir e troçar de um país inteiro, perante as câmaras de televisão, num dos mais solenes locais para a prestação de contas à Nação como é uma Comissão Parlamentar ... quase merece o meu aplauso efusivo, admirando a sua finura, antes de o mandar para o cadafalso.

O espectáculo do "Descarado", a que assistimos há dias, volta à cena novamente, agora com o protagonista com as roupagens do "Denunciante", qual virgem ofendida e zelosa de princípios. Desta feita, para apresentar uma denúncia na Procuradoria-Geral da República, por considerar que foram cometidos "actos irregulares", envolvendo "off-shores e pessoas individuais". Afirma o homem que " ... As coisas que foram entregues são as mesmas que levei à CMVM [Comissão de Mercados e Valores Imobiliários] e ao Banco de Portugal”, embora não nos tenha revelado se teria apresentado qualquer queixa-crime. referiu ainda que " situação foi analisada pelo procurador-geral da República e os meus advogados vão agora dar prosseguimento e entregar os documentos".

Até quando, querido País, é que vamos ter que tolerar a pouca vergonha e o descaramento de certas pessoas que, por mais grave e estranho que pareça, levam por diante os seus esquemas, apenas por sabem tourear uma cambada de estúpidos e de corruptos que se instalaram nos circuitos da gestão da coisa pública?


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1 comentário:

Luis disse...

O mal é não deixarem cair os bancos! Não se acautelaram e fizeram mau negócio, paciência! Ser o Erário Público a pagar o prejuízo dos bancos é que não acho certo.
As leis são "encomendadas com rabinhos de fora", para haver sempre a possibilidade de um recursozinho... Partidocracia Podre!
A abstenção não acontece por acaso, cada vez menos gente acredita em politicos.
Aliás politico=mentiroso, oportunista, canalha, bandido...

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