Cascais dá passo “gigante” no combate à SIDA e Hepatite C a pensar na diabetes

Saúde

Por Redação
15/07/2018

Cascais quer ser o primeiro concelho do País a controlar a transmissão do vírus VIH e Sida e da Hepatite C, foi revelado esta quinta-feira, no Centro de Congressos do Estoril, com o chefe do governo local, Carlos Carreiras, a defender que também é urgente avançar com uma estratégia para combater outra doença: a diabetes.

Na apresentação do projeto, que decorreu esta quinta-feira, no Centro de Congressos do Estoril, foi anunciado que para os próximos dois anos foi traçado um caminho que visa a promoção da deteção precoce, de modo a travar a transmissão dos vírus.

Para Cascais é prioritário agir em três áreas, que revelam lacunas, entre as quais combater o diagnóstico tardio, o estigma e a discriminação sentida pelas e para com os doentes que vivem com estas infeções e em ações de prevenção eficazes.

Da estratégia para os próximos dois anos, destacam-se algumas medidas como a divulgação do Consórcio e da Estratégia Cascais 2017-2020 nas redes temáticas locais pela Câmara Municipal de Cascais através da Rede Social de Cascais, do Fórum Concelhio para a Promoção da Saúde, das plataformas de Integração e Multiculturalidade de Cascais, bem como de intervenção com pessoas em situação de Sem Abrigo e de Idosos.

Aumentar até 10% a população utilizadora rastreada para o VIH gradualmente até 2020 nos cuidados primários (ACES de Cascais) e lutar pela inclusão da serologia VIH e Hepatite C no perfil laboratorial do serviço de urgências do Hospital de Cascais, constituem outras das estratégias anunciadas.



Realizar 150 testes rápidos mensais (média) ao VIH, hepatites B, C e/ou sífilis, com especial incidência nas populações mais vulneráveis (homens que fazem sexo com homens, trabalhadores do sexo, utilizadores de drogas injetáveis, imigrantes, pessoas em situação de sem abrigo) pela SER+ e realizar o rastreio da infeção por VIH e das hepatites víricas a 100% da população reclusa no Estabelecimento Prisional do Linhó e de Tires (DGRSP), são outras das medidas avançadas.

Constituir uma equipa multidisciplinar no ETET do EIXO Oeiras Cascais, do CRI Lisboa Ocidental para acompanhar o processo de rastreio através do retorno de resultados regularmente, na definição da linha de procedimentos, no requerimento dos rastreios aos utentes e na obtenção dos resultados dos testes (DICAD) e formar as equipas das Farmácias para a divulgação da informação sobre VIH e hepatites e para a realização dos testes (ANF), são outras das medidas anunciadas.

Para atingir estes objetivos, Cascais inseriu na sua estratégia para os próximos dois anos parcerias com entidades locais e nacionais, que incluem a autarquia, os cuidados primários e hospitalares, a divisão de intervenção nos comportamentos aditivos e dependências, os serviços prisionais, uma organização de base comunitária e as farmácias de rua.


Exemplar

Fernando Araújo
“Cascais é um caso exemplar” no combate à epidemia do VIH e Sida e na erradicação da Hepatite C, disse, a propósito, Fernando Araújo, secretário de Estado Adjunto e da Saúde durante a apresentação da estratégia de Cascais para conseguir os objetivos definidos na Declaração de Paris, assinada há quatro anos, que define um compromisso para que, até 2030, 90% dos doentes afetados com o vírus VIH e SIDA e Hepatite C estejam diagnosticados, que 90% dos casos diagnosticados estejam sob tratamento e que 90% das pessoas tratadas não apresentem carga viral. 
Carlos Carreiras

Já Carlos Carreiras, presidente da Câmara Municipal de Cascais, defendeu a necessidade de, apesar dos resultados positivos, “não baixar a guarda”, e defendeu a urgência de avançar com idêntica estratégia no sentido de combater outra doença que afeta muitos dos seus concidadãos: “a diabetes”.


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