Opinião
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| 12 AGOSTO 2018 |
Chegámos ao final deste primeiro ano
de actividade municipal e não podia deixar de partilhar com todas e todos a
nossa experiência enquanto novatos nestas andanças. Foi a primeira vez que o
PAN se candidatou em Cascais e, ao contrário dos restantes grupos municipais
eleitos, não tínhamos a experiência a nosso favor. Mas talvez até tenha sido
melhor assim.
Entre burocracias e procedimentos que
rapidamente tivemos de dominar nas salas da Assembleia Municipal, o que mais me
espantou nas reuniões das Assembleias foi a ausência de munícipes. Cada um/a de
nós pode ir às assembleias enquanto cidadãos/as. Existe um tempo próprio para
colocar questões e mesmo manifestar agrado ou desagrado de algo ao executivo da
Câmara. É um momento de contacto directo que os munícipes têm com quem os
governa. Convido, por isso, os leitores e leitoras a assistir e a participar
nestas reuniões. A sua divulgação não é de fácil acesso mas pelo menos o PAN
divulga a data no seu Facebook para permitir que quem
esteja interessado possa com antecedência preparar a sua ida à Assembleia
Municipal.
Outra das sensações foi a de guerra constante. Senti tantas vezes que estava no meio de uma trincheira. Entre ataques à direita e à esquerda, nós estávamos preocupados em acrescentar valor e contribuir para um município melhor com as ferramentas de que dispomos, nomeadamente recomendações, perguntas ao executivo camarário e moções. Interessa referir que, ao contrário do que vivemos no ambiente Parlamentar, nenhuma das nossas propostas é vinculativa na Assembleia Municipal de Cascais. No entanto, passada uma recomendação, existe a possibilidade da mesma ser implementada, haja vontade política. Politicamente somos assertivos nos temas que consideramos fracturantes e tecemos duras críticas ao executivo na sua política de betão, da urbanização desmesurada e próximo da costa e sem uma visão integradora de todo o concelho, especialmente do interior. Também não compreendemos porque não se aposta na renovação do tecido empresarial e industrial de Cascais com StartUps em energias renováveis e novas tecnologias. Há muito que pode beneficiar o emprego de valor acrescentado e de longa duração e nem só de turismo vive o município.
Somos muito críticos também com o aumento especulativo das rendas e da gentrificação que ocorre no nosso concelho. Acreditamos que é possível fazer melhor em políticas de habitação e de gestão do território para garantir rendas acessíveis a quem deseja viver na Vila e travar o mercado especulativo imobiliário no concelho.
Não obstante, também elogiamos as
boas iniciativas deste executivo - que
também as há, não existam dúvidas. Sentimos da parte do executivo abertura para
se sentar a debater ideias. As nossas propostas, uma atrás da outra, foram
baixando à comissão de especialidade, acabando por ser acolhidas não apenas
pelo executivo mas pelos restantes grupos municipais. Em alguns casos as nossas
propostas passaram por unanimidade e isso revela que para lá do ambiente bélico
se fizeram pontes: todos, de modo positivo, contribuímos mais um pouco para
melhorar o município.
Querem tanto, mas tanto, meter-nos em
caixinhas! Não somos de esquerda! Não somos de Direita! Não nos revemos nesse
velho paradigma. Felizmente, cada vez somos mais a compreender que a política
convencional está obsoleta e que muitas pessoas já não se revêem nos partidos
tradicionais, nestas dicotomias divisionistas.
É interessante observar as caras dos
deputados dos restantes grupos municipais durante as votações na Assembleia
Municipal. Sim, votamos muitas vezes com a direita e tantas outras com a
esquerda. Outras ainda, sozinhos, tal oásis no deserto. Se não somos de
esquerda ou de direita, votamos livremente nas causas e nas propostas que acreditamos.
Causas estas que, acredito, acreditamos, são transversais e não devem ser
emparedadas por estarem com “este” ou com “aquele” partido.
Entrámos nesta Assembleia com um programa eleitoral próprio que
temos vindo a dar seguimento. No curto, mas intenso, espaço de um ano já
conseguimos:
-
A melhoria do Plano de Ação para a Adaptação às Alterações Climáticas na
captação de água potável local, para maior autonomia de Lisboa;
-
A implementação de uma rede de pombais contracetivos, para um controlo mais
ético e efectivo da população destes seres;
-
A renovação da frota municipal por veículos elétricos, por um município menos
poluído;
-
Mais 50.000€ para esterilizações já em 2018, para ajudar os cidadãos e cidadãs
mais carenciados a controlar o número de animais errantes;
-
A inclusão de animais de companhia, de pecuária e selvagens no Plano Municipal
de emergência para salvaguardar também estes seres;
-
A criação da Comissão do Ambiente, Mar e Alterações Climáticas, por um futuro
mais sustentável.
Para trás ficaram outras medidas
rejeitadas, como a que apresentámos
no âmbito do Orçamento Municipal que visava o fim de dinheiros públicos em
fogos-de-artifício. A proposta era canalizar esses fundos para melhorar o
parque escolar público do município.
Não obstante estas vitórias, o nosso
trabalho não se esgota na Assembleia Municipal. Fizemos eventos sobre a
mineração em mar profundo, demos uma palestra sobre a implementação de um
Rendimento Básico Incondicional, manifestámos publicamente o nosso apoio contra
as construções previstas quer na Costa da Guia quer na Quinta dos Ingleses,
numa contínua política de apropriação urbanística de espaços verdes.
Com a nossa política de proximidade e
empática reunimos com todos os cidadãos e cidadãos que nos pediram e
respondemos a todas as solicitações enviadas. Visitámos locais para verificar
denúncias, tal como associações, coletivos e entidades várias de proteção
animal, social e ambiental para perceber quais as suas necessidades e como nós
poderíamos ajudar.
Assumimos com responsabilidade a confiança em nós depositada e vamos continuar a trabalhar por um futuro melhor, mais sustentável, empático e equitativo.
Tentaram meter-nos em caixas e com elas fizemos pontes!
*DEPUTADA MUNICIPAL DO PAN
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