MULTIMÉDIA

Cascais, terra de pescadores?

Opinião




Os pescadores de Cascais moldaram a Vila e conferiam-lhe genuinidade. Hoje os mesmos quase não são vistos, deles nada se sabe, os seus barcos já não repousam no areal e eles estão cada vez mais afastados da Baía que era a sua casa. Pouca atenção parecem merecer da CMC.


Em seu lugar circulam os turistas que, numa tarde, visitam Cascais e se vão embora, sem outra memória para além da Cidadela e do desmazelo de uma Vila que é vendida turisticamente com o possidónio slogan “The charm of the Atlantic Coast”. Desse charme, nem sinal e (já) nem memória! 


Fala-se que há um projeto que aguarda os resultados das eleições para ser apresentado e que pretende fazer surgir um hotel no local onde ainda existe a lota e a PSP. A ser verdade, isso irá acabar com o pouco que resta da arte e tradição dos pescadores de Cascais, descaracterizando definitivamente o centro de Cascais. Outros dirão, “modernizando-o”. Mas que “modernidade” e “progresso” são esses que descuram o passado e não o sabem integrar e valorizar? Que “modernidade” e “progresso” são esses que prescindem do que é genuíno e único para o substituir pelo envidraçado do costume? Que “modernidade” e “progresso” são esses que, entre as vidas dos pescadores e os interesses de um promotor imobiliário, prefere o segundo às primeiras? Que “modernidade” e “progresso” são esses que descaracterizaram completamente as Festas do Mar, que são hoje mais um festival de música patrocinado por uma marca de automóveis do que festas dos pescadores? 


Enquanto se mantiverem os dirigentes camarários que não percebem o real valor e potencial turístico das tradições e que se limitam a tentar substituí-las por edifícios com volumetria exagerada, que desfiguram a nossa costa, Cascais irá degradar-se inevitavelmente, tornando-se um lugar despido de atmosfera e de carácter.  
     

Na Europa, nas localidades com o chamado “turismo de qualidade” (em especial no Mediterrâneo), valorizam-se os lugares e as suas tradições, designadamente piscatórias, preservando ao máximo a arquitetura e o modo de vida das populações locais. É isso que confere alma às localidades, atrai os turistas com maior poder económico, potenciando um Turismo sustentável e com retorno direto à comunidade. 


Em Cascais, é essencial voltar a criar o elo entre as gentes do mar e a Vila. Importa reavivar a Baía. Importa que os pescadores voltem a ocupar o centro da Vila. É essencial possibilitar o desembarque do peixe na Baía, recuperar a lota e o edifício da PSP e estabelecer um sistema misto de venda na lota e de venda direta do peixe, garantindo o escoamento do pescado aos pescadores. Há que requalificar a zona de colocação de material de pesca, tornando-a um polo de atração que permita de novo a interação dos pescadores com a população. Há que preservar ao máximo a arquitetura local, não permitindo a descaracterização do espaço existente.


Cascais já perdeu as bandeiras azuis, o projeto certificado do polvo de Cascais e agora arrisca-se a perder os seus pescadores que qualquer dia não serão mais do que uma memória como os artefactos e trajes em exposição no Museu do Mar.

2 comentários:

Anónimo disse...

Este elenco municipal está a destruir a matriz de Cascais.
Nao foram mandatados para isto.
Quem renega e desvirtua o seu passado e tradicoes não tem futuro

Anónimo disse...

Caro Pedro Jordao
Totalmente de acordo consigo.
Estes novos pescadores de Cascais usam gravata.
Temos que estar vigilantes e atentos a estas situações neblusosas em alto mar.


A Bem de Cascais

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