MULTIMÉDIA

Adeus, Monte Estoril! Adeus, Cascais!

Opinião




Há, na coligação que ainda dirige a Câmara Municipal de Cascais (CMC), uma estranha preferência pelo “moderno”. É como se, dos símbolos do passado, os membros deste executivo apenas gostassem de referir, apenas para promoção turística, o OO7 e o Casino, tolerando o Hotel Palácio, porque, para eles, nada mais remete para a atmosfera de outrora do que isso. Tudo o resto lhes parece ser indiferente. Basta ver o estado das cocheiras de Santos Jorge, a demolição das cocheiras do Monte Estoril e do Ludance em Carcavelos.


Em seu lugar, a CMC prefere falar dos novos projetos, como quem antevê, para Cascais, um futuro à Miami. Um futuro novo-rico. Um futuro Golden Visa. Um futuro isento de impostos para os mais ricos.


A ideia de preservação do que é antigo, da atmosfera dos locais históricos do concelho, do que é genuíno, do que é a alma de Cascais e importante para a qualidade de vida dos munícipes, parece ser, para os mesmos, tão absurda como negar o progresso.  


Um dos casos flagrantes deste evidente desprezo é o atual PDM (de 2015). 


Com António Capucho na Presidência da CMC e a Vereadora da Cultura, Ana Clara Justino, foi elaborado um Catálogo-Inventário do Património, muito elogiado pelo IPPAR (atual Direção-Geral do Património Cultural) no processo de revisão do PDM, apresentado e aprovado pela CMC e pela Assembleia Municipal, com indicação da sua inclusão na proposta de revisão do PDM. Na sequência, durante alguns anos esse Inventário serviu de base à gestão urbanística da CMC. 


De acordo com aquele Inventário, no Monte Estoril 25 imóveis tinham nível de proteção 1 (o mais elevado) e 106 nível de proteção 2. 


O regulamento do anterior PDM conferia proteção a estes imóveis, impedindo a demolição dos que se situassem em áreas centrais históricas e residenciais históricas, como a do Monte Estoril, proibindo, no caso dos imóveis de nível 2, a demolição, pelo menos, das suas fachadas e garantindo a manutenção da sua volumetria.


Ora, durante a revisão e apesar da recomendação de inclusão no novo PDM, o Inventário foi retirado dos elementos constantes do processo. E eis senão quando, completada a revisão do PDM, em 2015, se verifica ter sido introduzida uma modificação no regulamento. Dele passou a constar uma norma que permite a demolição dos edifícios localizados em áreas centrais históricas e residenciais históricas “Em situações que não sejam passíveis de reabilitação, fundamentadas na inviabilidade técnica ou económica das edificações existentes, comprovadas por relatório técnico credenciado;” (art.º 68º, al. d)). Simultaneamente, dos 106 imóveis do Monte Estoril que eram considerados de nível 2 no Inventário, apenas 3 foram incluídos no catálogo anexo ao regulamento do PDM atual! Ou seja, apenas 3 desses 106 imóveis veem atualmente protegida a sua volumetria e as suas fachadas, podendo, mesmo assim, ser demolidos todos aqueles em que um “relatório técnico credenciado” conclua pela “inviabilidade económica das edificações existentes”.


Já se sabe como funcionam estas coisas: “inviabilidade económica das edificações existentes”? “relatório técnico credenciado?... 


Os efeitos desta redução da lista de bens incluídos e da alteração da norma do PDM Já se estão à vista: as cocheiras do Monte foram abaixo desta forma. Quantos outros edifícios do Monte Estoril se lhe seguirão? E em todo o concelho? Nada há que impeça o progresso e a construção de um “maravilhoso mundo novo” porque só assim é que Cascais avança.


10 comentários:

João Manuel Casanova Ferreira disse...

Quem dá mais? Todo o concelho de Cascais ficará na costa da sombra. A excepção deverá ser o próprio edifício onde se situam os Paços do Concelho.

Anónimo disse...

Excelente artigo. Não há dúvida que o Cascais24 tem um grupo de colaboradores na secção de "Opinião" que muito dignifica o jornal e lhe confere uma independência e uma verdade de informação, às quais já não estávamos habituados.
Parabéns a todos e, especialmente, ao Valdemar Pinheiro, pela a decisão e pela coragem de rejeitar o jornalismo de conveniência para satisfazer clientelas e agradar aos grupos de pressão tendo optado, e muito bem, pela via da transparência e pela credibilidade.

João Pinto disse...

Infelizmente, não é só por essa zona... para o interior também há -- e muito --património que devia ser preservado, como as quintas antigas, que estavam nessa lista, e se previa classificar como património municipal, segundo informação dada na época, pelo então presidente, Dr. António d'orey Capucho.

Anónimo disse...

Já li inúmeras pessoas ligadas ao também és Cascais a proferirem declarações que gostaria de ver explicadas. Já percebi que tenho com uma forte divergência sobre o que é qualidade arquitectónica e valor histórico do património do concelho e considero que nem o Ludance nem o barracão das cavalariças do Monte Estoril tinham nenhum. Felizmente não vivemos numa ditadura da estética senão e se esta candidatura ganhasse voltávamos a 1900. Como explica o candidato João Sande e Castro para ele qualquer edifício, independentemente de ser propriedade privada com os respectivos direitos, que tenha aguentado 100 anos deve ser preservado. Considero uma enormidade mas não é esse o meu ponto. Li também forte oposição e promessas de ser retirado o alvará a vários projectos privados também com direitos adquiridos pelos proprietários, do projecto para o Jumbo em Cascais ao da Quinta dos Ingleses Carcavelos entre outros, projectos que prometem interromper. E a minha questão que agradecia ver respondida era como? Se pretendem voltar á via judicial em que no caso da Quinta dos Ingleses a Alves Ribeiro tinha um processo há décadas contra a CMC de cerca de 300 milhões e que iria certamente ganhar? Se têm uma outra solução gostava de saber qual é e quanto custa? Se há projectos que foram aprovados de forma ilegal quem for eleito para a CMC tem a obrigação de os reverter com recurso à justiça, se não é o caso então a CMC só tem é que adquirir os imóveis ou os terrenos onde não deseja que se construa pelo preço do mercado, a não ser que defenda o regresso das nacionalizações selvagens e do colectivismo.

Para que não façam confusão e me façam o que já vi fazer outros no Facebook do Também és Cascais, gostava de esclarecer que acompanhei a candidatura por conhecer o João Sande e Castro e me parecer que seria uma boa opção à liderança de Carreiras, ao nepotismo, ao clientelismo, á falta de transparência da governação, ao abandono de alguns dos principais equipamentos do município, ao excesso de eventos e de foguetório. Mas cedo percebi que não era, não só porque vejo á sua volta muitos despeitados caídos do orçamento e dos que lá se querem sentar, mas sobretudo porque acho irresponsável a forma ligeira e muitas vezes populista e demagógica, admito que por inexperiência e ingenuidade, com que tratam assuntos da maior importância para o concelho. Vou votar em branco porque com muita pena minha não vejo ninguém que possa dar a volta ao que infelizmente se está a tornar Cascais.

João Manuel Casanova Ferreira disse...

A opinião anónima tem algum conteúdo controverso e escrita por pessoa conhecimento, provavelmente arquitecto, é não sei se parte. Contudo, a preservação histórica, como património colectivo e memória para os vindouros, não se limita à antiguidade, ou não, da obra em si. Outros factores, desde a sensibilidade cultural até à capacidade económica, têm de ser sopesados no juízo, e na apreciação e na decisão. É não é crível que num ambiente de desprezo pela cultura e de amiguismo com os homens do camartelo e do cimento se possa pensar diferente.

Anónimo disse...

Caro João Casanova Ferreira, não sou arquitecto e muito menos parte interessada, infelizmente, não que isso fizesse diferença. Sou um contribuinte, cansado de pagar tantos impostos para suportar todo o tipo de desvarios, irresponsabilidades, incompetências e manobras de bastidores, legais e ilegais, tento informar-me e por isso tenho algum conhecimento. Queria como acho que é meu direito que os candidatos explicassem com transparência os métodos que pretendem utilizar e como o iriam financiar, só isso. Não sei o que é isso do património colectivo e do interesse público quando se trata de propriedade, e percebo a largueza do que é entendido como património que segundo esta candidatura é preciso preservar, daí a minha preocupação.

João Manuel Casanova Ferreira disse...

Os ditadores irritam-se com a democracia possível. Não vote, ou faça-o em branco, ou anule-o. Eles agradecem, como aconteceu há quatro anos em Cascais: abstenção de quase 63% com os resultados que estão à nossa volta.

Anónimo disse...

Caro João, não compreendo essa sua resposta porque não sei o que é que este assunto tem que ver com ditadores. Mas posso dizer-lhe que em 2013 não votei porque não estava cá, porque voto sempre, mesmo que muitas vezes em branco porque, como neste caso, não tenho ninguém em quem sinta que posso confiar o meu voto. Na altura tive muita pena de não o ter podido fazer porque acompanhei de perto e gestão de Capucho e Carreiras e queria dar o meu contribute para que não continuasse. Hoje estou feliz por não o ter feito porque teria votado em Isabel Magalhães e teria sido enganado por alguém que hoje está ao lado de Canavilhas, que nem de Cascais é e que foi ministra de um governo onde aconteceu o que todos sabemos, isso diz-me tudo sobre a vereadora. Pior que votar é branco é ser enganado.

Mas percebo que a candidatura do Também és Cascais não me vai responder, como aliás já calculava que acontecesse. Promessas vãs e não sustentadas leva-as o vento. Eu voto em pessoas, em projectos e em políticas concretas que sejam concretizáveis.

João Manuel Casanova Ferreira disse...

Senhor Anónimo (que dificuldade em comunicar com alguém que não tem rosto, mas enfim), concluindo apenas me ocorre dizer-lhe que esse país onde poderia votar com toda a confiança e sem receio de errar não existe no planeta Terra.Tambem não conheço mais nenhum no nossos sistema solar.

Anónimo disse...

Caro João, percebo o seu incómodo com o anonimato, já vi como tratam aqueles que de vocês discordam na vossa página do Facebook, como bullyes num recreio e como se tratam de projectos, ideias e políticas as caras são menos importantes do que o conteúdo.

Tal como compreendo a ausência de resposta às minhas questões, é natural, não têm resposta como calculava e sobra-lhe esta maneira de estar na política, uma das razões que me leva a não votar em vocês.

Sobre a confiança do voto concordo consigo, é sempre um risco em todas as eleições, mas neste caso para mim não, é uma certeza que ninguém em cascais merece o meu voto, que votasse em quem votasse seria quanto muito no menos mau e sinceramente não consigo perceber qual é.

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