Aprendizagens 2

Opinião

 


"Aprender? Certamente mas, primeiro,
viver e aprender pela vida, na vida".
John Dewey



Domingo vamos a votos para decidir o futuro do nosso concelho. As qualidades de Cascais continuarão a ser, sobretudo, privilégio de alguns poucos (essencialmente especuladores imobiliários, 'industriais' do turismo e meia dúzia de grandes 'empreendedores') ou serão benefício  de todos os que habitam neste concelho ? Cascais irá continuar a sua suburbanização embrulhada em marketing e festarolas ou irá mudar para uma estratégia de desenvolvimento harmonioso, sustentável e justo ?

O Partido Socialista (PS) apresenta-se ao eleitorado com três novos importantes fatores favoráveis. O primeiro, a situação muito benéfica para o Partido que, nas sondagens nacionais, regista elevados índices de adesão sendo natural que tal se reflita positivamente nas votações locais.  O segundo, as características e o protagonismo das duas candidatas que encabeçam as listas para a Câmara e para a Assembleia, Gabriela Canavilhas e Isabel Magalhães. O terceiro, o legado de quatro anos em que o PS foi, na Vereação e também na Assembleia Municipal, uma oposição consistente e capaz de dinamizar o diálogo entre as várias forças da oposição.

É expectável que, no mínimo, o PS eleja quatro vereadores ou seja os três que tem conseguido nas últimas eleições autárquicas e um quarto que resulta da aliança com o movimento 'Ser Cascais'. Mas o objetivo assumido pelo PS é ganhar, elegendo seis vereadores.

A Coligação Democrática Unitária (PCP-PEV) concorre com o propósito de aumentar a sua votação. A intervenção reconhecidamente importante que o seu primeiro candidato, Clemente Alves, tem tido no concelho assim como as propostas que têm defendido justificam que ambicione ampliar a sua representação na Assembleia Municipal e eleger um segundo vereador para a Câmara.

É verdade que a CDU foi quem, nas anteriores eleições esteve mais perto, de retirar a maioria absoluta à coligação Viva Cascais (PSD-CDS). Foram os 1.200 votos que lhe faltaram que permitiram a  Carlos Carreiras eleger o sexto vereador. No dia 1 a CDU propõe como seu segundo nome para a Câmara uma cidadã, Ana Maria Azevedo, que se destacou ao longo de vários anos na defesa de Carcavelos-Parede, nomeadamente contra o PPERUCS na Quinta dos Ingleses.

O Bloco de Esquerda (BE) quer, nesta eleições, afirmar-se como uma força relevante no concelho na senda do crescimento geral que tem tido. Em 2013 (eleições autárquicas) os seus 3.000 votos não lhe permitiram eleger nenhum vereador quedando-se pelos dois deputados na Assembleia Municipal mas os quase 11.000 votos que obteve, em Cascais, há dois anos (eleições legislativas) justificam o objetivo de ter agora uma influência mais significativa no Município.

A sua candidata, Cecília Honório, pelas suas reconhecidas competências e pelo profundo conhecimento da realidade do concelho constitui uma forte aposta para a Câmara e Luis Salgado propõe-se liderar na Assembleia Municipal uma equipa com provas dadas.

O movimento independente "Também És Cascais"(PDR-JPP) candidata-se pela primeira vez mas integra nas suas listas muitos dos cidadãos e das cidadãs que há quatro anos constituíram o movimento "Ser Cascais" bem como outros que projetaram, com Sande e Castro, uma lista que, por interferência do Tribunal, não pôde ir a votos. 

Se este movimento de democratas independentes, que inclui alguns ex-quadros do PSD e do CDS, mobilizar os quase 5.000 votos que anteriormente apoiaram o "Ser Cascais" conseguirá eleger um vereador e um grupo municipal.

O Partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN) candidata-se  igualmente pela primeira vez no concelho com um programa ambicioso e o protagonismo de Francisco Guerreiro e Sandra Marques para conseguir ter uma representação na Assembleia Municipal.  Ainda que não haja resultados autárquicos anteriores para comparar, os 2.220 votos que obteve em Cascais nas últimas eleições legislativas fundamentam substantivamente este seu propósito.

O Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses (PCTP/MRPP) que obteve nas últimas eleições autárquicas 580 votos protesta contra a discriminação de que tem sido alvo mas luta por ter uma presença na Assembleia Municipal.

Este é o quadro geral. Nas Assembleias de Freguesia parte-se de uma situação em que o Partido Socialista lidera, com o apoio da CDU e do BE, a Junta e a Assembleia de Freguesia de S. Domingos de Rana e em que a oposição (PS, CDU, BE e SC) tem a maioria nas Assembleias de Freguesia de Alcabideche e de Carcavelos-Parede ainda que as Juntas destas duas Freguesias, assim como a de Cascais-Estoril, sejam exclusivamente constituídas pelo PSD-CDS. É possível que se verifiquem alterações significativas nesta situação.

Finalmente, registe-se que a Coligação Viva Cascais (PSD/CDS) se apresenta fragilizada pela situação de 'desalento' nacional em que o PSD e o CDS se encontram e pelo desgaste que quatro anos de um mandato autocrático de Carlos Carreiras provocou.

Como se vê, há condições favoráveis para que ocorra, no nosso concelho, uma mudança de rumo positiva para os cascaenses.

Assim o queiram as cidadãs e os cidadãos que, há quatro anos, optaram por não participar no ato eleitoral.
Há alternativas.

A contribuição de todos para a mudança e a credibilização da democracia em Cascais é necessária e é insubstituível.

Vamos votar.

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