O "lixismo"



Vivemos um tempo de euforia turística. O nosso país entrou (merecidamente) na lista dos destinos mais procurados. Já por aí têm sido escalpelizadas as principais razões para esta procura – desde as belezas naturais e históricas, à amenidade do clima, ao generoso acolhimento das pessoas, à segurança de vida, aos acessíveis custos dos consumos. É por elas que vêm por aí dentro hordas de visitantes a gastar os benditos euros tão necessários à reanimação económica do País. 


A nossa região, este canto abençoado que se espraia desde a serra de Sintra ao estuário do Tejo, é, dentro do território nacional, um dos lugares de eleição dessa procura turística. Mas detetam-se por cá dois inimigos poderosos que podem, de mão dada e a prazo, afastar os visitantes e obrigar a meter no saco a euforia do crescimento. Um é o “laxismo”. O outro o “lixismo”.


O “laxismo” é da responsabilidade das instituições sociais, dos organismos públicos ou das autoridades de segurança, e manifesta-se na falta de planos e ações que façam brilhar ainda mais (e mais cuidadosamente) as nossas praias, os nossos centros urbanos, os nossos monumentos, os nossos locais de lazer. O “lixismo” advém da falta de civismo das pessoas residentes que acham que o lugar dos resíduos domésticos é espalhado pelas ruas ou, pior ainda, pelas praias. 


Há poucos dias, ao fim da tarde, os turistas que enchiam as esplanadas do Tamariz jantavam, tendo como paisagem de fundo um areal pejado de papéis e de sacos e garrafas de plástico. Era uma lixeira do terceiro mundo!

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