Moradores da Costa da Guia revoltados com inicio de abate de árvores no espaço que câmara cedeu à Associação Chabad





Por Redação 
24 janeiro 2019
Contra a vontade da generalidade dos moradores e frequentadores da Costa da Guia, começou esta quarta-feira, manhã, o abate das árvores no espaço verde e público cedido pela Câmara Municipal de Cascais à Associação Chabad Portugal para construção do Jewish Live and Learning Centre. As imagens desse abate (acessíveis no Facebook em https://www.facebook.com/sos.costadaguia/videos/392777284824367/) têm estado a ser muito partilhadas nas redes sociais, tendo atingido mais de 6.000 visualizações em poucas horas.
A obra continua a causar uma enorme polémica, não apenas por implicar o abate de inúmeras árvores adultas e de grande porte, mas também por vir privar os cidadãos do acesso e utilização de um terreno que foi cedido há diversas décadas como compensação ao município pelo promotor da urbanização da Costa da Guia. 

Os moradores da Costa da Guia têm vindo a solicitar há mais de vinte anos que os cerca de 5.000 m2 sejam ajardinados, dando assim continuidade ao espaço verde onde se situa o parque infantil adjacente para que todos possam usufruir de um pulmão verde numa zona já densamente urbanizada. 

Recorde-se que, na altura em que António Capucho ainda era presidente da Câmara, o projeto de construção naquele local de instalações da Igreja Católica foi travado pelo mesmo, atenta a contestação dos moradores.

Porém, em 2016, na mesma altura em que deliberava a atribuição da marina de Cascais a outros investidores estrangeiros, a CMC deliberou ceder o espaço à Associação Chabad Portugal para esta aí instalar o seu local de culto, salas e uma biblioteca, “privatizando” assim, no entender dos moradores, um espaço que devia permanecer verde, público e de livre acesso.


A cedência causa ainda mais polémica por ter sido feita por um período de 50 anos renovável por períodos de 25 anos, não podendo a CMC obstar a essa renovação, contra o pagamento de uma renda simbólica de 744 euros por mês numa das zonas com o m2 mais caro de Cascais. Além do mais, o projeto prevê que a área venha a ser murada, isolando o parque infantil contíguo do espaço cedido à Associação Chabad.
Durante os últimos dois anos os moradores procuraram que a Chabad e a CMC acordassem em construir a sinagoga e as instalações de apoio num terreno alternativo mas esbarraram sempre no mutismo da primeira e na intransigência da segunda, reforçando assim nos mesmos a convicção de que outros interesses estão por trás da manutenção da decisão de ceder aquele espaço à Associação Chabad e, designadamente, que essa intransigência se prende com a proximidade da residência do rabi, uma vez que existem no concelho muitos outros terrenos onde o espaço de culto poderia ser construído sem a destruição de árvores e de uma área verde tão significativa.

A contestação tem sido liderada pelo movimento SOS Costa da Guia, que publicou o vídeo mostrando o abate de alguns pinheiros com mais de 50 anos. Este movimento tem também criticado a atitude complacente e passiva da Associação de Moradores da Verdeguia, que acusa de não se ter oposto firmemente às decisões camarárias de 2016 e continuar a “pactuar com outras decisões camarárias recentes e muito polémicas”, como seja a alteração do sentido de trânsito na entrada sul da Costa da Guia e a cimentação de jardins numa suposta “requalificação” da zona, que os moradores também têm vindo a contestar enormemente.
Para o SOS Costa da Guia, ao contrário das recentes declarações públicas do Rabi Eli Rosenfeld, segundo o qual o projeto visaria integrar-se de “forma harmoniosa com o meio envolvente”, a obra agora iniciada irá claramente representar um muro enorme na paisagem, impedir a fruição por todos daquele espaço e destruir árvores que deveriam ter sido forçosamente preservadas uma vez que a substituição por outras novas não apresentará nunca os mesmos benefícios para a saúde e o meio ambiente que as árvores agora abatidas permitiam.

Por isso, afirmam, longe da criação de um espaço de diálogo e fruição para todos, a postura e a obra da Associação Chabad estão muito longe de o poder algum dia vir a fazer, representando apenas a sujeição do interesse público ao interesse privado dessa Associação.



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2 comentários:

Anónimo disse...

Mais um conflito gerado pelos responsáveis da Câmara Municipal de Cascais aos municipes , neste caso da localidade da GUIA .
Liderar para as pessoas não é isto, é gerar consensos criar bem estar, harmonia e sustentabilidade com futuro .

Anónimo disse...

Quem não conhecer a realidade politica em Cascais,e ler a opinião de um determinado politico às quartas feiras no jornal I , verifica o anticomunismo sectário e primário que já não se usa, ficando imediatamente a perceber o que está a acontecer em Cascais, a nivel de liderança , imposição, autocracia, e pasme-se nas últimas eleições autarquicas , ter usado a morada dos paços do concelho para sede de campanha do Cascais Recua ....está tudo dito sobre as direitas encostadas em Cascais .

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