Sem abelhas, sem alimento, sem vida!


                                                                     28 SETEMBRO 2019

Os insectos têm um papel fundamental no ecossistema terrestre, agindo como polinizadores e providenciando uma base alimentar para vários outros animais. Os impactos da actividade humana (e.g. urbanismo, desflorestação, degradação dos solos, alterações climáticas, entre outros) nos insectos têm vindo a ser alvo de vários estudos científicos que alertam para alterações progressivas e quantidades perigosamente decrescentes destes polinizadores.

Um estudo recente aponta para o decrescimento do número de insectos nos últimos 25 anos na Alemanha, na ordem dos 75% e vários investigadores alertam para o ‘apocalipse ecológico dos insectos’. As abelhas são particularmente vulneráveis e fundamentais para a biodiversidade e para a vida humana. As maiores ameaças para as abelhas são a perda de habitat, o uso de pesticidas, espécies invasoras, doenças e os impactos das alterações climáticas. É por isso necessário desenvolver uma estratégia integrada e municipal para a protecção e conservação das abelhas e outros polinizadores. Esta estratégia deve ter como uma das suas prioridades minimizar a perda de habitats, criando canais de polinização, tanto em zonas urbanas como rurais.

Em Londres, encontra-se um bom exemplo, na zona de Brent, onde foi criado em maio deste ano um corredor para abelhas.
Infografia do município de Brent. Corredor para insectos polinizadores na região
No que respeita à criação de abrigos para insectos polinizadores, a organização internacional Friends of the Earth, tem vindo a propor a criação de hotéis para abelhas. Estes destinam-se a abelhas silvestres de hábito solitário que nidificam em pequenas cavidades que existem nas estruturas naturais. Os hotéis são infraestruturas concebidas para esse efeito, tendo várias cavidades de vários diâmetros, permitindo assim a adaptação de várias espécies de abelhas. Estes servirão de abrigo seguro para a nidificação das espécies silvestres de hábito solitário, aumentando assim a sua permanência nestes espaços verdes e mantendo-as seguras de agrotóxicos existentes em espaços externos não controlados. As infraestruturas quando criadas, podem albergar outros insectos importantes para a polinização e controlo de pragas, nomeadamente as borboletas, abelhões, vespas, escaravelhos, joaninhas e crisopas. 

Será ainda fundamental assegurar a abundância, diversidade e continuidade de espécies autóctones florais atractivas para os insectos polinizadores. Só deste modo é possível fomentar o aumento das colónias de abelhas e outros insectos polinizadores nestes espaços da qual depende parte substancial da resiliência humana.

As abelhas são tão importantes que chegaram a ser declaradas como “seres vivos insubstituíveis” pela Royal Geographical Society de Londres, durante a competição Earthwatch. Como referiu David SuzukiUm mundo sem abelhas seria um mundo sem pessoas”.

Este facto deve preocupar toda a comunidade política quer a nível local, nacional ou mesmo global. Localmente o PAN propôs, na última Assembleia Municipal a 22 de julho, a implementação de um conjunto de medidas para a protecção das abelhas e outros  insectos polinizadores, incluindo: o estabelecimento de corredores para a polinização, abrigos para insectos e a plantação de espécies de flores autóctones atractivas para os insectos polinizadores. Esta recomendação foi rejeitada pelo PSD e CDS, com o voto de qualidade do presidente da mesa da Assembleia Municipal, Pedro Mota Soares. 

Para o PAN este chumbo demonstra o quão afastados estão muitos executivos municipais das reais prioridades em termos ambientais. Actualmente as cidades são locais estéreis de biodiversidade e esta proposta garantiria uma melhor harmonia e preservação ecológica em Cascais. Com esta conjuntura municipal, onde existe uma maioria de governação, não será possível haver avanços substanciais em matéria de protecção da biodiversidade.

A nível nacional o PAN é o único partido que tem medidas de protecção aos polinizadores no seu programa eleitoral para as próximas eleições já a 6 de outubro. Relacionando com o efeito PAN vejo com bons olhos os restantes partidos terem agora várias medidas de defesa ambiental no seu programa eleitoral (convido os leitores e leitoras a compararem os programas de todos os partidos em 2015 e agora em 2019). Mas mais do que falar, é preciso fazer compromissos, colocar nos programas eleitorais é um bom princípio mas não é suficiente. E, agora, com o nosso contributo, acordada uma sociedade passámos da indiferença de vários sectores para a emergência de agir na defesa ambiental e no combate à crise climática que vivemos. Estamos todos em risco mas eu acredito que ainda vamos a tempo. A tempo de mudar de paradigma. 

Termino este artigo com uma citação de Albert Einstein sobre a matéria supra exposta. 

Se as abelhas desaparecerem da face da Terra, a humanidade terá apenas mais quatro anos de existência. Sem abelhas não há polinização, não há reprodução da flora, sem flora não há animais, sem animais, não haverá raça humana.”


*DEPUTADA MUNICIPAL DO PAN

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1 comentário:

Anónimo disse...

O PAN surge na politica como o partido dos sábios e dos fundamentalistas ... é preciso nao se deixaram enganar por esta retórica.

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