Não tenha medo de ter medo (?!)


04 ABRIL 2020

No município de Cascais sabe-se que não se deve criticar a Câmara Municipal. Sobretudo sabe-se e sente-se que não se pode criticar o presidente da Câmara. Quem se atreve já percebeu que, regra geral, será insultado e vilipendiado de diversas formas:

·  *Um deputado da Assembleia da República foi apelidado de “asno”;

· *Um vereador do PCP foi ‘detido’ e objeto de sistemáticas campanhas difamatórias;

·  *Um vereador do PS foi “calado” em reunião de Câmara;

·  *Um movimento de cidadãos independente é catalogado como sendo de “extrema-direita”….

·  *Etc, etc, etc…

Se mesmo antes das eleições autárquicas de 2017 já se apontava para um preocupante déficit democrático no município, parece que o reforço da maioria PSD-CDS na Câmara - de cinco vereadores de oposição que existiam antes (em 2013-17) sobram agora apenas três neste quadriénio (quando dois dos eleitos pela lista do PS se “passaram” para a governação da coligação) – contribuiu para agravar a tendência totalitarista que vem sendo construída.

Algumas das consequências desta concentração no poder “único” estão a ser: (i) a perda crescente de sentido crítico; (ii) a vulgarização de um discurso autoritário e (iii) a gradual naturalização de mecanismos de repressão cuja manifestação pública ocorre no facebook e em blogues ‘anónimos’ criados para esse fim. 

Neste contexto, há dias surgiu a epítome da doutrinação em curso – a definição de como a direita gostaria que fosse o novo modus vivendi: #NÃO TENHA MEDO DE TER MEDO. Ou, dito de outro modo: Aceite o medo; Viva com medo. 
De facto, em conformidade com o legado de António Ferro, há quem em Cascais insista em: apenas isto: martelar constantemente as suas ideias, despi-las da sua rigidez, dar-lhes vida e calor, comunicá-las à multidão” pretendendo, com isso, excitar e mobilizar falanges para consolidar uma autocracia municipal que simboliza um projecto político-ideológico bem mais vasto – um projecto de retrocesso nacional.
Verifica-se que é uma triste hipocrisia que depois do presidente da Câmara “proibir” as comemorações do 25 de Abril, tenha “permitido” concentrações de trabalhadores (alguns sem máscara!) e de voluntários para ações de propaganda da Câmara, para depois dar eco a manifestações reacionárias contra o exemplar assinalar do 1º de Maio.

Na verdade, o novo slogan de naturalização do medo – por parte de quem afirma não rege[r] a sua atuação em função dos interesses político-partidários (…)  e tão-pouco tem disponibilidade para entrar na "chicana" política em que alguns são useiros e vezeiros, quantas vezes ridiculamente escondidos atrás de árvores” (?!?!) - tem os seus antecedentes no apelo popular proferido pelo general Millan-Astray: Abaixo a inteligência! (que, comprovadamente, alguns parecem estar a cumprir …).

Urge responder: # COMBATER O MEDO, SEMPRE!     # A LUTA CONTINUA!
Nota: distanciamento social cumprido na fotografia de topo (verificou-se pela tv que todos tinham máscara por recomendação da organização); na foto de baixo do lado esquerdo as camionetas deslocaram-se com menos de metade da lotação (como recomendado pela organização). Na foto de baixo do lado direito vêem-se pessoas a passear, alguns em casal ou família. E então?! (parece que o único problema é encontrarem-se nas imediações da comemoração do 1º de Maio… se fosse uma acção de propaganda da CMC o Presidente da Câmara já consideraria admissível como se poderá constatar pelas fotos seguintes).
Nota: envio uma especial saudação a todas as equipas de limpeza urbana que asseguram a manutenção da salubridade pública. Junto-me aos apelos de que vos sejam fornecidos equipamentos de protecção individual adequados e que a organização dos serviços vos proporcione a possibilidade de cumprir com as normas de distanciamento social em contexto de trabalho.


Nota: em claro contraste com as equipas de limpeza urbana, os voluntários exibem máscaras (!) e não cumprem com a norma do distanciamento social. Pelo que parece para o Presidente da Câmara é aceitável que um conjunto significativo de voluntários se desloque em grupo compacto para entregar 2 sacos a uma família, mas por outro lado, critica aqueles que comparecem – organizada ou espontaneamente - na acção de defesa dos direitos dos trabalhadores deste 1º de Maio. 

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+Eu Comemoro! A Mim Não Proibes!  
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