Por Redação
29 janeiro 2019
Os trabalhadores da Fundação "O
Século", em São Pedro do Estoril, vivem momentos de desespero, com salários em atraso e muitos deles a
passar fome e ameaçados de despejo pelos senhorios por não pagarem as rendas e outros com ameaças de cortes de água, luz e gás,
denunciou, a Cascais24, uma trabalhadora que pediu o anonimato.
Em causa estão cerca de 50 mil euros
a que a Fundação tem direito ao abrigo do programa Escolhas, um projeto no
bairro da Galiza e da Torre, em Cascais. Devido a burocracias na Lei do
Orçamento, esse pagamento - que deveria ter sido feito até ao final do ano -
ainda não foi efetuado. Além disso, a Fundação também se candidatou ao Fundo de
Socorro da Segurança Social, cuja candidatura continua em análise.
“Sou uma
trabalhadora da Fundação o Século, estamos com ordenados em atraso existem
colegas minhas que, inclusivamente, receberam cartas dos senhorios onde moram
a renunciarem o contrato de arrendamento por falta de pagamento, estão a
existir situações que nenhum ser humano merece passar, algumas vão para o
trabalho a pé porque não tem dinheiro para os transportes", denuncia, emocionada, esta trabalhadora.
"inclusivamente,
alguns já não tem luz e outros estão com avisos de corte de água, luz e gás, tudo isto em grande
parte provocado segundo se sabe por decisões anteriores que estão a levar à
queda de toda a obra social que a Fundação sempre desempenhou”, acrescenta esta trabalhadora.
Sem comida na mesa!
“Grande parte dos funcionários não tinham comer para pôr nas suas mesas para as suas famílias, mas a administração disponibilizou-se para levar-mos comer da Fundação”, acrescenta, não sem agradecer, mas recorda que “as contas da água, luz, transportes e etc para o dia a dia de cada família é feito com o trabalho que depois é pago com o ordenado, coisa que nós na Fundação não temos".
Em dezembro último, os trabalhadores apenas receberam o equivalente a 35% do ordenado!
Os trabalhadores da Fundação “O
Século” endereçaram, entretanto, uma carta ao Presidente da República, Marcelo
Rebelo de Sousa, onde pedem para o chefe de Estado ajudar a"desbloquear"
as ajudas no Estado para poderem receber o ordenado do mês de Dezembro.
"Nós, trabalhadores da Fundação
O Século reconhecemos o profundo esforço da racionalização que tem vindo a ser
feito e que teve como principal consequência o despedimento de um terço dos
trabalhadores em prol de um equilíbrio económico já alcançado. No entanto, a
realidade financeira é outra, marcada pelas dificuldades de tesouraria
resultantes da dívida herdada a fornecedores (750 mil euros) e da anulação de
receitas futuras. Ora, estas dificuldades ainda são agravadas por falta de
ajuda de quem menos esperávamos, o Estado, impedindo o pagamento do ordenado do
mês de Dezembro", lamentam na carta enviada a Marcelo Rebelo de Sousa.
Entre os
destinatários dos apelos dos trabalhadores em desespero estão também o primeiro-ministro,
António Costa, e os ministros das Finanças, Mário Centeno, e Vieira da Silva,
da Solidariedade e Segurança Social. "Esta carta, este apelo tem como
objetivo relembrar todo o trabalho e vasta obra que é desempenhada e realizada
por pessoas, equipas que diariamente veste a camisola e que sentem a magia e um
amor incondicional por esta instituição, a Fundação O Século", concluem.
Recorda-se que a Polícia Judiciária (PJ) e o Ministério Público (MP) estão a investigar a anterior administração da Fundação "O Século", liderada por Emanuel Martins, por suspeitas de contratação indevida de familiares e amigos e de uso de dinheiros públicos para fins privados.
Recorda-se que a Polícia Judiciária (PJ) e o Ministério Público (MP) estão a investigar a anterior administração da Fundação "O Século", liderada por Emanuel Martins, por suspeitas de contratação indevida de familiares e amigos e de uso de dinheiros públicos para fins privados.



3 comentários:
triteza
Se estiverem á espera dos gandulos do governo estão tramados
(...)Emanuel Martins e Isaltino Morais, sobretudo depois de se terem tornado “irmãos” da mesma loja maçónica"....
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