MOTOCICLOS, Trotinetas e Bicicletas

OPINIÃO

03 dezembro 2022 | 18h55

Há umas décadas era prática corrente estacionar a viatura própria em cima do passeio, ou não parar na passadeira para dar passagem aos peões. Quem se lembra destes tempos, recordar-se-á da admiração com que assistíamos a um cenário diferente noutros países desta Europa a que orgulhosamente pertencemos. Estes hábitos foram evoluindo e hoje, em geral, os peões têm prioridade nas passadeiras. Já a utilização dos passeios por vários tipos de veículos continua.

É hoje frequente assistir ao uso dos passeios por trotinetas, bicicletas e, cada vez mais frequentemente, por motociclos de entregas rápidas ou de entrega do correio pelos CTT, em clara violação do Código da Estrada, mas também, e sobretudo, do bom senso, do respeito pelos outros e da segurança de todos que devia ser prática corrente em pleno século XXI. Os passeios são igualmente usados para estacionar motociclos a que se somam bicicletas e trotinetas espalhadas um pouco por todo o lado.

Fora dos centros históricos em Cascais, em zonas mais residenciais, o estacionamento de viaturas em cima do passeio continua impune. Tenho assistido a crianças, idosos, pais com carrinho de bebé, e todos os demais, a terem de usar a estrada para contornar os veículos que ocupam o passeio. Nestas zonas, muitos passeios (quando existem) têm também outros obstáculos desde caixotes do lixo a postes de eletricidade ou de comunicações.

Não se pretende uma sociedade repressiva, onde o cidadão viva aterrorizado pela autoridade, mas seria certamente positivo uma maior assertividade das entidades responsáveis, divulgando e educando todos os utilizadores de veículos para a necessidade de respeitar o Código da Estrada, e aplicando as coimas previstas na lei perante o incumprimento do mesmo.

Para este executivo autárquico, e como já demonstrado inúmeras vezes, as leis são muitas vezes meramente indicativas, para serem ignoradas quando não convém ou quando se tornam fonte de reclamações. Por isso não tenho grande esperança de ver a autarquia com grande vontade de acabar definitivamente com os abusos que se verificam atualmente.

Aliás, o incumprimento do Código da Estrada em meio urbano em Cascais é muito frequente não só no estacionamento (muitas vezes pelos próprios veículos da autarquia), mas nos limites de velocidade (incluindo transportes públicos...), nas ultrapassagens em locais proibidos, uso indevido de locais de carga e descarga e de lugares para deficientes, entre outros exemplos. Sem surpresas, Cascais é um dos concelhos do país com maior sinistralidade rodoviária em vias municipais. Este caos não resulta apenas da introdução de novas soluções de mobilidade, mas também de uma rede viária antiquada ou quando renovada cheia de obstáculos quase parecendo que apenas foi feita obra para se ver.

A substituição do uso da viatura individual por deslocações a pé, ou por meio de soluções de mobilidade leve (bicicletas, trotinetas, e mesmo alguns motociclos) só terá verdadeiramente aceitação quando todos poderem coexistir pacificamente e em segurança nas suas deslocações. Caso contrário iremos assistir, como já se assiste noutros locais, a uma forte oposição a soluções de mobilidade leve e a pressão para diferentes tipos de restrições no uso bicicletas e/ou trotinetas em meio urbano, precisamente o oposto do que se pretende.

Este problema não é, obviamente, exclusivo de Cascais e repete-se em muitos outros concelhos urbanos. Mas é, ao mesmo tempo, uma oportunidade para Cascais de demonstrar que é possível fazer diferente e, certamente, muito melhor. Não a desperdicemos.

Nos nossos passeios, onde hoje reina a desordem e a anarquia, urge devolver a ordem e o respeito pelas regras.


*Coordenador do Núcleo Territorial de Cascais da INICIATIVA LIBERAL (IL)


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