A cruela que se cuide!

                                                                        20 JUNHO 2019

Li esta semana que a grande proposta do PSD para marcar a diferença na política é a criminalização com 3 anos de prisão para quem mate animais de companhia.

Fez-me reviver a história dos 101 dálmatas e o papel de Cruela desempenhado por Glen Close na versão cinematográfica.


Não sei se entusiasmados com o relativo sucesso do PAN junto dos eleitores que vão às urnas votar, tomaram uma iniciativa legislativa que demonstra o quanto os Partidos políticos “estão sintonizados” com os problemas do país.

A hipocrisia deveria ter limites. Deveria ser criada uma medida para a hipocrisia, e cada cidadão deveria ter um limite por ano para ser hipócrita. Quem ultrapassasse essa medida deveria ser criminalizado com, por exemplo, 3 anos de prisão.

Para o PSD a prioridade, tal como para o PAN, são os animais de companhia.

As vacas, as galinhas e os frangos, os coelhos os perus e os porcos, criados industrialmente para serem abatidos para carne, alguma dela servida no restaurante da Assembleia da República, não interessam. Já nem discuto se as douradas, os robalos ou os salmões criados em Aquacultura para serem grelhados, se poderiam ou não ser considerados animais de companhia e também não falo nos ratos, nas baratas e nas aranhas…

Afinal, a corrupção, a economia anémica, a morosidade da justiça, a educação, a saúde, podem ser problemas, mas podem esperar. Aquilo que fará levantar a população em massa nas próximas eleições legislativas a votar, será claramente os passos que a nação der em corrigir e penalizar os responsáveis de morte de…animais de companhia!

Iremos em peso votar ao som dos Pet Shop Boys, gritando “Cruelas nunca mais”…

Eu não sou, nem tenho pretensão a ser Presidente do PSD. Um ribeiro nunca conseguiria chegar a rio…

Mas se fosse, assentaria as minhas forças para conseguir aprovar legislação anticorrupção, legislação para acelerar e simplificar os procedimentos nos Tribunais para que a culpa passasse a ter rostos.

Desenvolveria esforços de concertação com os outros Partidos com presença na Assembleia da República para que Portugal passasse a ter um modelo para a Educação para durar 15 anos e que fosse posteriormente avaliado para perceber o que tinha corrido mal e precisasse de ser alterado. Esta coisa de mudar tudo em ciclos de 4 anos com a mudança da cor do governo não faz qualquer sentido. E a “educação” hoje dos nossos jovens é uma boa demonstração disso mesmo!

O mesmo se pode aplicar para a Saúde, Justiça, a Segurança Social, a mobilidade, o ambiente. São temas que têm que ter estabilidade para serem testados e avaliados após alguns anos de implementação das medidas. Sem uma consensualização com a maioria dos Partidos com representação parlamentar vamos andar em movimentos pendulares de 4 anos, ora para a esquerda ora para a direita.

E este Portugal precisa tanto de andar em frente!


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