O veto de Marcelo ou 4 meses de indignidade!

27 JUNHO 2020

Há mais de 4 meses (!) que a pandemia da covid-19 mandou para casa com enormes quebras de faturação e (como no meu caso) até com quebras de 100% (em virtude das muitas semanas de fecho da Restauração, sector para o qual tenho trabalhado), milhares e milhares de microempresários, sócios-gerentes muitos deles sem trabalhadores a cargo, donos do seu pequeno negócio (comércio de vinhos, uma mercearia, uma barbearia, um táxi, o que seja), sem ajuda alguma da Banca ou do Estado, completamente desprotegidos. Estas portuguesas e estes portugueses são a grande mola da economia no País, muitos atravessam dificuldades atrozes e o Governo e o Presidente da República têm-se esquecido, pura e simplesmente, de todas estas pessoas - como eu. Já ia avançado o mês de abril quando, pressionado por vários partidos (dentro e fora da Assembleia da República), o Governo finalmente percebeu que não devia deixar os sócios-gerentes microempresários morrerem à fome.

De lá para cá, ora o Primeiro-Ministro António Costa, ora o Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, trocam as voltas e continuam a ostracizar uma parte nevrálgica e substancial da população portuguesa - que quer continuar ativa, é eleitora e sobretudo pretende manter-se viva! Se não falta apoio, isto é, dinheiro (e ainda bem!) para alimentar os subsídio-dependentes, os reformados, os trabalhadores por conta de outrem, os trabalhadores independentes e os empresários em nome individual (ou por conta própria), pergunto se será por alguma espécie de preconceito social, ideológico ou de classe que se poderá achar que um sócio-gerente microempresário não deva também alimentar-se, pagar as suas contas, as suas dívidas, enfim, almejar a sobrevivência e a dignidade com uma ajuda excecional e conjuntural?... Já há mais de quatro meses (!) que Costa e Marcelo se esquecem de mim, de nós, das Pessoas que, tantas delas, os elegeram.

Nós havemos de sobreviver e dar a devida resposta a estes políticos que não nos tratam com a dignidade inerente a qualquer ser humano. Portugal também é nosso. Nós também somos Portugal.
*Nuno Sá é Consultor e Vice-Presidente da Concelhia de Cascais da Aliança

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