GRANDES negócios se fazem em Cascais!

OPINIÃO

29 setembro 2022 | 17h52
Na reunião da Câmara de 20 de Setembro, com os votos do PSD, do CDS, do PS foi deliberado adquirir um terreno na freguesia de Carcavelos, com a área de 43.000m2, onde em 2007 o então executivo liderado pelo Dr. António Capucho autorizou ao “El Corte Inglês” a construção dum centro comercial, intenção de que a cadeia comercial espanhola veio posteriormente a desinteressar-se.

Aquando da aquisição pelo “El Corte Inglés”, a Câmara, que então considerou o empreendimento a edificar como de interesse relevante para o município, tratou de remover os ónus e reservas (RAN e REN) existentes no terreno que até ali impediam a construção.

Convém saber que neste espaço passa a ribeira de Sassoeiros, uma das mais importantes linhas de água do Concelho, que vai desaguar na praia de Carcavelos.

Para viabilizar a construção, a CMC procedeu à elaboração dum “Plano de Pormenor”, no qual expressamente se diz que a edificação naquele espaço é para uma superfície comercial.

Ora, tendo o “El Corte Inglés” desistido da intenção de construir o seu empreendimento, o terreno é transferido para uma empresa imobiliária que, por sua vez, em Fevereiro deste ano de 2022 o vendeu a outra por 8,8 milhões de euros. Tanto a entidade vendedora como a compradora sabiam que sobre o terreno existia o ónus imposto pela Câmara através do seu Plano de Pormenor, ou seja: ali só podia ser construída uma superfície comercial. Por isso, o mais seguro, sobretudo para quem ia comprar, era informar-se previamente junto do “dono do Plano de pormenor” se o ónus da construção especifica e concreta poderia ou não ser revertido para outro tipo de empreendimento.

Ou seja, a Câmara foi consultada antes do negócio entre as imobiliárias e aprovou-o. O que poderia não fazer. E, se não aprovasse a alteração do uso, desde logo a Câmara estava a agir para que o espaço não se transformasse num objecto de choruda especulação imobiliária.

O executivo municipal também podia, se quisesse, ter-se constituído como parte interessada na compra, adquirindo-o “para os fins que a Câmara entender” por, no máximo, os 8,8 milhões de euros. Mas não o fez.

Volvidos escassos meses sobre a transação entre privados, o executivo de Carlos Carreiras, sem qualquer voto contra da “oposição”(!), descobre de repente que o terreno já lhe interessa, e vai daí, compra-o. Mas desta feita não pelos tais 8,8 milhões, mas pela “módica” quantia de 18,2 milhões de euros, justificando-se dizendo que se trata dum “excelente negócio”, pois “uma avaliação independente” atribui ao terreno um valor de mais do dobro !

Além de uma pequena mas significativa parte do dinheiro para o negócio ter saído do meu bolso, que outras mais considerações sejam os leitores a retirá-las.

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1 comentário:

Anónimo disse...

que vergonha!!!!

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