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FALECEU FERNANDO FARINHA, o maior fotojornalista da guerra colonial. Funeral tem lugar esta sexta-feira em Alcabideche

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FERNANDO Farinha, o grande repórter da guerra do Ultramar faleceu aos 81 anos em Cascais (Créditos: Família | Cascais24Horas)


20 julho 2022 | 17h40
O fotojornalista de grande referência na guerra colonial FERNANDO FARINHA, que vivia na freguesia de Alcabideche (Cascais) há mais de quatro décadas, faleceu esta terça-feira, aos 81 anos.  As cerimónias fúnebres do último adeus ao veterano jornalista, a cargo da agência Agnus Dei, realizam-se esta sexta-feira, dia 22, a partir das 15h30, no Centro Funerário de Alcabideche, onde será cremado depois de velório e missa de corpo presente.

O nome de Fernando Farinha, nascido em Lisboa em 1941, ficará para sempre associado à guerra colonial como profissional de Imprensa.

Iniciou a atividade profissional aos 19 anos no jornal “O Comércio” de Luanda.

Em Angola, Moçambique e Guiné, no “O Comércio” e mais tarde na revista “Notícia”, escreveu e fotografou o movimento dos soldados portugueses em todas as frentes de guerrilha, acompanhando, grupos de comandos e para-quedistas helitransportados e lançados no interior das linhas de combate.

Primeiro jornalista a entrar em Nambuangongo, na época Quartel-General da UPA (FNLA), seguiu durante dois meses e meio o dia-a-dia das emboscadas sofridas pelo Batalhão de Caçadores 96 do tenente-coronel Maçanita até à recuperação daquela vila a 9 de agosto de 1961.

À época chegou a enviar para o jornal, em Luanda, os rolos fotográficos em talas dos soldados feridos, conforme revelou em outubro de 2011 em entrevista ao jornal PÚBLICO (Leia aqui porque vale mesmo a pena)       

Por três vezes ia perdendo a vida no desempenho da profissão de jornalista.

APONTAMENTOS deixados no seu legado à família pela sua passagem por Angola

Durante uma operação militar em Angola foi mordido por uma cobra venenosa. Valeu-lhe a rápida evacuação de helicóptero para o hospital de campanha mais próximo.

Mais tarde, num salto de para-quedas, foi confrontado com a avaria do sistema mecânico de abertura, conseguindo abri-lo já fora dos limites extremos de segurança. Escapou in-extremis à morte.

Numa outra operação de risco, a 26 de julho de 1970, o helicóptero em que seguia foi envolvido por um tornado e aterrou com sérias dificuldades nos pântanos da Guiné.

Para acompanhar as operações dos militares portugueses no antigo Ultramar português, Farinha frequentou um curso de comandos, outro de paraquedistas e aprendeu a andar a cavalo. 

As reportagens de Fernando Farinha foram reunidas em 2001 no livro "Guerra colonial, Um repórter em Angola", da autoria de Fernando Farinha e comentadas pelo escritor Carlos de Matos Gomes.

A fotografia do jornalista, fardado, serviu, ainda, de capa para o livro "O Jornalismo Português e a Guerra Colonial", publicado em 2016 pela investigadora portuguesa Sílvia Torres.

O fotojornalista, que escreveu e captou com milhões de cliques através das suas objetivas os movimentos dos soldados portugueses em todas as frentes de guerra, entre 1961 e 1975, logo a seguir ao 25 de abril de 74 foi de novo o primeiro jornalista português a percorrer as matas do Leste de Angola controladas pela UNITA.

Regressado a Lisboa em 1975, Fernando Farinha ingressou nos quadros do “Diário de Notícias” onde trabalhou 21 aos e durante os quais ganhou dois prémios do Clube Português de Imprensa para além de dois outros atribuídos pelo próprio DN.

Ao serviço do DN, Fernando Farinha fez a cobertura jornalística várias tragédias nacionais, entre as quais o desastre aéreo de um avião da TAP que veio a despenhar-se ao aterrar no aeroporto da Madeira, o terramoto dos Açores em janeiro de 1980 e o descarrilamento de um comboio internacional que provocou vários mortos no Setil, no Cartaxo.

Já antes e para além de tantas outras reportagens, Fernando Farinha acompanhou os momentos conturbados vividos viveram em Portugal em1976, durante o PREC e com a Reforma Agrária no Alentejo. 

Fernando Farinha foi um Jornalista de Corpo Inteiro, que viveu a profissão de forma intensa, como um sacerdócio, que arriscou a vida várias vezes, tudo em nome de um Serviço Público nem sempre reconhecido, como, infelizmente é habitual. Foi um Jornalista Herói, sobretudo durante o período da guerra colonial.  

Nesta hora de luto e de dor, Cascais24Horas e, principalmente, o seu diretor, apresentam à viúva, três filhos e netos, bem como a toda a restante família de Fernando Farinha as suas mais sentidas condolências, na certeza de que perdurará na memória de todos quantos tiveram o privilégio de o conhecer.




2 comentários:

Rita disse...

Sem dúvida que quem conhecia este Senhor jamais o Irá esquecer!
Ficará eternizado na memória daqueles que o amam, nos livros e na história!

Carlos Farinha disse...

Em nome da nossa família, queremos agradecer este seu artigo sobre o nosso Pai, que é também uma homenagem que muito nos sensibiliza. Bem haja.

Carlos, Rui e Paulo Farinha

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