FALAR PSICOLOGIA. Podemos falar de um aumento do consumo de álcool e benzodiazepinas após o confinamento? *Frequência Vs Quantidade

15 agosto 2021 | 12h28

CONSISTÊNCIA / FREQUÊNCIA: AUMENTO DA REGULARIDADE EM BEBER ÁLCOOL: SEMANAL, DIARIAMENTE.

INTENSIDADE / QUANTIDADE: AUMENTO DA TOLERÂNCIA À QUANTIDADE DE ÁLCOOL E BENZODIAZEPINAS POR CADA CONSUMO. QUANTIDADE. DO COPO À GARRAFA. DO COMPRIMIDO À LAMELA.

BENZODIAZEPINAS: EFEITO SEDATIVO, HIPNÓTICO (INDUTOR DE SONO), ANSÍOLITICOS (DIMINUIÇÃO DA ANSIEDADE) E DE RELAXAMENTO MUSCULAR.

FACTORES PSICOLÓGICOS A CONSIDERAR: ATAQUES DE PÂNICO, MEDO, STRESS, ANSIEDADE, DEPRESSÃO, DEPENDÊNCIA, ALTERAÇÕES DO HUMOR, AGRESSIVIDADE, INTOXICAÇÃO ALCOOLICA, OVERDOSE.


Embora ainda não existam ainda estudos significativos sobre os comportamentos associados ao consumo de substâncias e as suas consequências após confinamento, existe um “mito urbano” de que o consumo de álcool e ansiolíticos subiu exponencialmente durante os confinamentos, quer na assiduidade, quer na quantidade e tolerância. Desta forma, existem alguns factores fundamentais a considerar.

O desconfinamento provavelmente promoveu a paragem dos consumos com a mesma frequência e quantidade para a maior parte das pessoas. No entanto, há quem não tenha conseguido voltar ao estado anterior de consumo recreativo e que ainda se debate com dificuldades em parar de beber ou de consumir benzodiazepinas.

PARAR o consumo de álcool e de comprimidos, deve ser cauteloso, pode promover reações adversas muito perigosas para a saúde, caso as quantidades e a frequência sejam muito acima da fasquia recreativa. Fazer sempre um desmame, uma diminuição regressiva, com aconselhamento médico, é FUNDAMENTAL.

Os investigadores da Universidade de Washington dizem que o álcool provoca 2,8 milhões de mortes por ano, e é o principal fator de risco para a mortalidade prematura e a incapacidade na faixa etária dos 15 aos 49 anos, representando cerca de 20% das mortes. As consequências a longo prazo dos consumos, sejam de saúde física ou mental, relacional e familiar podem ser catastróficas e geradores de muita alienação e culpa posterior.

É importante reflectir sobre as razões pelas quais tantas pessoas recorrem ao álcool e aos ansiolíticos. Seja qual motivo for, existirá uma forma directa de alívio.

Motivos gerais: diversão social e recreativa, necessidade de integrar num grupo de amigos ou colegas, um acto de desafio anti-parental um ritual familiar e /ou cultural, alívio do stress e da dor, o medo ou ansiedade. Faz sentir melhor e mais solto, ultrapassar a inibição e timidez, aquece e ajuda a adormecer.

Explicação neurológica: A Dopamina, é um neurotransmissor envolvido no controlo da recompensa e do prazer no cérebro. Desempenha um papel fundamental no comportamento e também está associado a muitas formas de dependência. O consumo de álcool e de substâncias aditivas aumenta a produção de dopamina, promovendo bem-estar e alívio.

Contudo, com a repetição e frequência cada vez maiores de consumo, a quantidade necessária para essa sensação de bem-estar e alívio, terá de ser cada vez maior também. A tolerância aumenta.

Como identificar hábitos menos saudáveis de álcool e benzodiazepinas? Que estratégias utilizar para voltar ao consumo recreativo e ocasional no desconfinamento?

Numa primeira instância será necessário identificar os hábitos de consumo: rotinas, quantidades e motivos. Caso seja consumo de álcool será importante comparar com alguém próximo que saiba dizer não e tenha hábitos saudáveis. Será fundamental testar o momento de parar. Ganhar controlo gradualmente.

No caso de comprimidos, é relevante comparar com a prescrição médica inicial e não ultrapassar o limite diário estabelecido. Caso este tenha sido ultrapassado, é fundamental pedir ajuda a um médico para fazer o desmame ou diminuição gradual. Descontinuar repentinamente é um risco para a saúde.

Posteriormente, fazer o registo e observação dos hábitos, rotinas e quantidades. Contar o número de copos diários, fazer o registo diário e do momento em que pára de beber, como acontece o último. Parar é difícil ou não.

Para passar à gestão do controlo do consumo, será substancialmente diferenciador, marcar reduções simples. Por exemplo, beber menos um copo do que o dia anterior e assim sucessivamente.

Caso não consiga sozinho/a parar e controlar, poderá ser um indício de dependência de substâncias.

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