A Fórmula 1 dos monocascos está de volta

Desporto

Por Pedro Keul (CNCascais)
17/07/2018

Organizado pelo Clube Naval de Cascais, o Rolex TP52 World Championship Cascais 2018 arrancou esta terça-feira, prolongando-se até ao próximo sábado e constitui o ponto alto daquela que é considerada a melhor temporada na história das 52 SUPER SERIES, o espetacular circuito mundial criado em 2012. O vencedor sairá de Cascais com o título de campeão do mundo de TP52, um dos mais desejados por qualquer velejador profissional.

Esta é a terceira visita das 52 SUPER SERIES às águas atlânticas de Cascais, este ano, em conjunto com a disputa do Rolex TP52 World Championship Cascais 2018. As duas edições anteriores aconteceram em 2015, com a vitória da Quantum Racing do armador Doug DeVos, e em 2016, com o triunfo da Azzurra, propriedade da família argentina Roemmers.

E será, sem dúvida, o melhor campeonato mundial da história, dado que as 52 SUPER SERIES consolidaram-se como o mais prestigiado circuito de embarcações monocasco do mundo. As regatas crescem em competitividade e qualidade das tripulações, temporada após temporada e, em 2018, ainda deu um salto mais espetacular graças à presença de várias equipas da America’s Cup que encontraram nesta regata a plataforma perfeita para começar a preparar a edição de 2021, na Nova Zelândia.

Todos os nove barcos em competição, sob as bandeiras de Itália, EUA, Grã-Bretanha, Turquia, Brasil, África do Sul e Alemanha, são da nova geração, assinados pelos designers Botin Partners ou Judel Vrolijk, com novidades, ao nível de cascos, sistemas e lemes. Mas serão mais de 20 as nações representadas pelos elementos das várias tripulações, formadas pelos melhores velejadores do mundo, amadores e profissionais.



Para quatro equipas, este circuito é a melhor forma de se prepararem para a próxima America’s Cup, em 2021, que irá ser disputada na Nova Zelândia igualmente com monocascos de 75 pés.

Uma dessas equipas é a Luna Rossa que, na segunda regata da temporada, disputada nas águas de Zadar (Croácia), entre 20 e 24 de Junho, conseguiu estrear-se a vencer um evento das 52 SUPER SERIES. Até então, apenas cinco equipas tinham conseguido vencer uma regata de circuito. O barco de Patricio Bertelli, proprietário da empresa Prada, mostrou-se muito sólido nas águas do mar Adriático e tirou partido ao máximo da sua tripulação, na qual se destaca o leme Francesco Bruni, o táctico Vasco Vascotto (grande conhecedor das 52 SUPER SERIES com três triunfos no seu currículo e detentor de quase três dezenas de títulos mundiais) e o estratega australiano James Spithill, duplo vencedor da America’s Cup com a Oracle.

O Azzurra, campeão em título (e também de 2012 e 2015), vai procurar a sua primeira vitória da temporada com Guillermo Parada no leme e Santiago Lange, como táctico – campeão olímpico nos Jogos Olímpicos de 2016, na classe Nacra 17, com 54 anos e depois de debelar um cancro no pulmão



Doug De Vos, tricampeão das 52 Super Series (2013, 2014 e 2016), volta a liderar o projecto Quantum Racing, dirigido pelo neozelandês Dean Barker, o velejador com maior experiência na America’s Cup – já a preparar a próxima edição, onde irá navegar sob a bandeira do New York Yacht Club.

“Tenho tido grandes experiências em Cascais e já ganhei algumas regatas aqui. É um local extraordinário para velejar com grandes ventos e ondas; é um grande desafio. Não é diferente estar aqui no leme ou como estratega; para mim, o mais importante é estar nesta equipa numa competição tão importante como esta. Vai ser uma regata muito competitiva porque todas as equipas estão muito equilibradas”, afirmou Dean Barker.

O veleiro americano venceu a primeira prova da temporada, em Sibenik, e lidera atualmente o circuito 52 SUPER SERIES. Em Cascais, vai contar com a colaboração do cascalense Pedro Andrade, na equipa de terra.


Também com um novo barco, mantém-se o Platoon, do armador alemão Harm Müller-Spreer, que defende o título obtido em 2017 nas águas de Scarlino (Itália), apresentando como trunfos John Kostecki – o único velejador que já venceu a America’s Cup, a Volvo Ocean Race e uma medalha de ouro olímpica – e Jordi Calafat, vencedor da America’s Cup com a Alinghi e também campeão olímpico.  

Após três anos de ausência, Eduardo de Souza Ramos regressa com o Onda, que conta com uma equipa 100% brasileira e que inclui como táctico o multi medalhado olímpico Robert Scheidt e o estatega Andre ‘Bochecha’ Fonseca, campeão olímpico em 49er e com experiência adquirida em três Volvo Ocean Races.

Com a missão de fazerem melhor do que no ano passado, continuam o Phoenix, de Hasso Platner, que dirigirá o novo barco tendo como táctico Ed Baird, campeão da America’s Cup em 2007, no Alinghi. E o Sled, de Takashi Okura, baseado no New York Yacht Club, traz na sua tripulação Ray Davies, campeão na última America’s Cup, com o New Zealand.

A frota fica completa com o Provezza, do turco Ergin Imre e com Peter Holmberg no leme, e os britânicos Alegre, de Andy Soriano.

O circuito TP52 é composto por cinco etapas: Sibenik (Croácia), de 23 a 27 de Maio; Zadar (Croácia), de 20 a 24 de Junho; Cascais, de 17 a 21 de Julho; Maiorca (Espanha), de 21 a 25 de Agosto; e Valencia (Espanha), de 18 a 22 de Setembro.



Classificação do Circuito 52 SUPER SERIES (após 2 provas)



1. Quantum Racing (EUA/Doug DeVos) 73 pontos
2. Sled (EUA/Takashi Okura) 77
3.
Platoon (ALE/Harm Müller-Spreer) 77
4.
Luna Rossa (ITA/Patrizio Bertelli) 81
5. Phoenix (AFS/Hasso/Tina Plattner) 91
6. Alegre (EUA/GBR/Andrés Soriano) 96
7. Azzurra (ARG/ITA/Alberto Roemmers) 98
8. Onda (BRA/Eduardo de Souza Ramos) 103
9. Provezza (TUR/Ergin Imre) 110
10.
Gladiator (GBR/Tony Langley) 128
11. Paprec Recyclage (FRA/Jean Luc Petithuguenin) 136



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