Cultura
Por Redação18 fevereiro 2020
Dor e consternação marcaram as
cerimónias fúnebres do ator e argumentista Tozé Martinho, 72 anos, que foi a
sepultar esta terça-feira no cemitério da Guia, em Cascais.
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, recordou
Tozé Martinho como um "dos atores e guionistas portugueses mais
ativos", enquanto a ministra da Cultura sublinhou o "papel nuclear
que representou no mundo teatral e audiovisual nacional”.
Tozé Martinho faleceu este
domingo no SO do Hospital de Cascais, onde estava internado há dois dias.
Vítima de paragem
cardiorrespiratória, o antigo galã de telenovelas vivia há largos anos no
concelho de Cascais.
Em 2014 foi vítima de um AVC,
do qual recuperara com sucesso.
Já em novembro do ano passado
sofrera uma queda e teve necessidade de ser operado a fratura ao colo do fémur.
Era natural de Salvaterra de
Magos, no Ribatejo.
Antes de iniciar a sua carreira
como ator e argumentista, António José Bastos de Oliveira Martinho, vulgo Tozé
Martinho, estudou Medicina Veterinária e Economia e licenciou-se em Direito.
Já na política, foi militante
do PSD e foi por este partido que, em 2009, concorreu à Assembleia Municipal de
Benavente.
Martinho estreou-se em 1982 em Vila Faia, a primeira
telenovela lusa. Foi o também saudoso Nicolau Breyner quem escolheu a sua
personagem (agente da PJ Silveira).
Tozé Martinho continuou a carreira em Origens, Palavras
Cruzadas e Passerelle. Em 1988 fez com Nicolau Breyner a dupla de
protagonistas da série Os Homens da Segurança. No ano seguinte escreveu
e realizou a série Caixa Alta.
Filho da atriz Maria Teresa Ramalho, (Tareka), que
faleceu aos 90 anos, em 2018, Tozé Martinho e a mãe participaram em 1976 no
concurso televisivo A Visita da Cornélia.
Posteriormente trabalharam juntos em várias novelas,
como em Todo o Tempo do Mundo, que marcou o início da produção nacional
de ficção na TVI, em 1999.
Tozé Martinho assinou sete novelas e um filme para a
TVI até 2012, orgulhando-se de ter escrito três das quatro novelas portuguesas
mais vistas (Dei-te quase tudo, Olhos de Água e A Outra).
Na última novela, Louco Amor, o protagonista
foi Nicolau Breyner.
Em 2017 não escondia a mágoa por nenhuma produtora
pedir os seus serviços. "Isto é tudo incompreensível, e quem perde é a
ficção", disse, na altura, à TV7Dias.
Também Manuel Luís Goucha considerou, em declarações
públicas, que Tozé Martinho “não foi valorizado” nos últimos anos.
Em 2003, em entrevista ao extinto jornal 24horas,
o guionista enaltecia a qualidade das novelas portuguesas. "Eles
[brasileiros] não são melhores do que nós. Nós é que desacelerámos. E em
competição não se pode levantar o pé do acelerador."



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