Cidadão Repórter
SEJA UM REPÓRTERREPORTAGEM DE SARA VITAL/ GUILHERME GUERRA E GONÇALO COSTA
As típicas tradições
de fim de ano podem estar a prejudicar os nossos oceanos e a sua vida marinha.
Vestígios da celebração e euforia do findar de mais um ano são visíveis nas
ruas e praias de Portugal. A poluição por parte de produtos festivos
de plástico descartáveis, como, por exemplo, confettis, copos de champagne e
serpentinas, é agora uma realidade que enfrentamos.
O estado das praias de Portugal após esta época festiva é preocupante. São exemplo as praias de S. Pedro do Estoril (Cascais) e dos Pescadores (Albufeira). Diversos tipos de lixo são encontrados no areal e imediações destas praias. O mais alarmante é a quantidade de confettis que cobrem vastas áreas costeiras, constituindo um perigo para a fauna e flora marinhas. Também são encontradas rolhas, copos e garrafas de espumante, balões, pulseiras "glow", palhinhas, maços de tabaco e inúmeras beatas.
Grande parte destes
resíduos são compostos inorgânicos e de origem plástica, que são transportados até ao
mar pela ação do vento e, por possuírem um baixo índice de
degradação, acabam por invadir o meio marinho e proliferar de modo intrusivo.
Uma vez no oceano, contribuem para o aumento do lixo marinho, um problema
global com o qual somos confrontados todos os dias. Para além da
poluição visual, o lixo marinho constitui uma ameaça à vida aquática, afetando
desde organismos de reduzida dimensão como o zooplâncton até aves marinhas,
passando pelos cetáceos e tartarugas, que acabam por confundir o plástico com
alimento.
Riscos para a Saúde
Chegando ao oceano, o plástico, exposto a
radiação UV e outros fatores, fragmenta-se em pedaços de pequenas dimensões
chamados microplásticos. Estes absorvem as toxinas que flutuam no mar e muitas
vezes são confundidos com alimento, sendo ingeridos por organismos marinhos,
impregnando-se na cadeia alimentar, chegando assim à nossa cozinha.
Os
peixes, por exemplo, ao ingerirem os microplásticos, acumulam as toxinas daí
provenientes nos seus músculos e gordura, que acabam por chegar inevitavelmente
aos nossos pratos.
Estudos recentes comprovam a existência
de partículas de plástico em várias espécies de pescado de valor comercial, sal
marinho e até bivalves, que, por serem organismos filtradores, conseguem
captar partículas muito pequenas.
O oceano é uma fonte de oxigénio, é fonte de vida e
diversidade. A urgência para a mudança do comportamento dos cidadãos
portugueses face à conservação ambiental, tanto terrestre como marítima,
verifica-se mais intensamente nestas datas marcadas pela festa e pelo
desperdício. É importante a sensibilização
dos cidadãos sobre a gravidade destas situações, ajudando na prevenção das
mesmas.



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