CASCAIS, a terra onde os seus filhos e netos não vão conseguir viver

OPINIÃO

22 setembro 2021 | 15h14
Há uns dias, Clemente Alves, Vereador e candidato da CDU à Câmara Municipal de Cascais, partilhou um vídeo seu no qual levantava a mesma questão.

Ao longo dos últimos 10 anos, Cascais tornou-se uma espécie de Eldorado para negócios de especulação imobiliária destinados a quem tem muitos milhões, pretende lavar dinheiro, ficar isento de impostos ou beneficiar de golden visas. Apenas.

Vejamos alguns factos:

Cascais tem um rendimento médio per capita (por pessoa) mensal de 1.185,00 €, de acordo com os dados do INE relativos a 2019. Oeiras tem superior a 1.400,00 € (cfr.: file:///C:/Users/pjordao/Downloads/27Est%20Rend%20Nivel%20Local_2019%20(1).pdf).

Cascais tem um nível de desigualdade de rendimentos dos mais elevados do País, também de acordo com os dados do INE referentes ao mesmo ano: 40,9 por cento superior à média nacional, se se tiver em conta o índice Gini.

O preço do m2 em Cascais, em agosto de 2021, era, em média de 3.744€/m2, tendo aumentado 10,6% em relação a agosto de 2020. Ou seja, uma casa com 100 m2 custará, em média, mais de 374.000,00 €. 


De acordo com um simulador do Público (https://www.publico.pt/autarquicas-2021/futuro-aqui/lisboa-historia-duas-cidades?utm_source=notifications&utm_medium=web&utm_campaign=23675), para um rendimento líquido mensal de 1.350,00 € (muito superior, por isso, à média per capita em Cascais), tem de se gastar 82% desse rendimento (a taxa de esforço) para pagamento de uma renda na Freguesia de Cascais e Estoril; 83% em Carcavelos e Parede; 65% em Alcabideche e 64% em S. Domingos de Rana.

Para se ter noção, isso significa que uma pessoa com um rendimento líquido mensal de 1.350,00 €, depois de pagar a renda, fica, em média, com cerca de 240,00 € para viver, em Cascais e Estoril; 230,00 € em Carcavelos e Parede; 450,00 € em Alcabideche e 480,00 € em S. Domingos de Rana. 





Em Lisboa, para o mesmo rendimento líquido, de acordo com esse simulador, a taxa de esforço é de 77%.

A taxa de esforço aconselhada a nível internacional é de, no máximo, 35%. Isto é, quase duas vezes e meia menos do que a taxa de esforço de Cascais e Estoril, Carcavelos e Parede e cerca de metade da das freguesias de Alcabideche e S. Domingos de Rana. 

Entre 2017 e 2020, as rendas em Cascais e Carcavelos-Parede terão aumentado, em média, 26%; em Alcabideche, 27% e em S. Domingos de Rana, 32%. Em Carcavelos e Parede, terão aumentado, em média, de 900,00 € para 1.100,00 €.

Ou seja, ao mesmo tempo que, nos últimos 10 anos, em Cascais se construiu uma quantidade escandalosa de imóveis, o que se verifica é que, nem isso fez aumentar o salário da população (que continua com um rendimento médio muito inferior ao de outros municípios da Área Metropolitana de Lisboa), nem isso beneficiou de forma nenhuma a população residente, que, pelo contrário, viu os custos de vida aumentarem para níveis totalmente incomportáveis (além da poluição, tráfego, etc.).

Quem é que pode viver com 250,00 € por mês? Pagar a água, luz, gás, comida, gasolina, escolas ou material escolar com um valor médio disponível de entre 240 a 480,00 € por mês?

De uma gestão autárquica exige-se visão de futuro. É manifesto que este executivo não só não soube lidar com o problema da habitação, como só agravou os desequilíbrios existentes, com uma população empobrecida que se limita a fornecer serviços a quem é muito rico. Quando esses muito ricos cá estão. Ou seja, quase nunca.

Por isso, ao slogan “Cascais, o melhor local para viver”, importa responder com outra pergunta: “Melhor lugar”, para quem?  

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*Os artigos de opinião publicados são da inteira responsabilidade dos seus autores e não exprimem, necessariamente, o ponto de vista de Cascais24.




1 comentário:

JD disse...

O nosso mui-amado edil-mor, carreiras de apelido, tem que ser desmascarado. A comparação dos rendimentos médios entre Cascais e Oeiras é flagrante da incompetência, porque Oeiras criou uma área compatível à instalação de actividades modernas que produzem riqueza, enquanto em Cascais proliferam cafés, restaurantes e pseudo-restaurantes, lojas de recordações com produtos made in Ásia, todas elas com bugigangas idênticas que nos envergonham perante os turistas visitantes. E há muita construção, pouco ou nada fiscalizada, que emprega muitos estrangeiros a trabalharem por tuta-e-meia.
Mais depressa se apanha um mentiroso do que um coxo, basta pensar um pouco sobre o que está à vista, mas que a publicidade induz a avaliar como excelente.

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