CASCAIS, Porto de Abrigo

OPINIÃO

06 março 2022 | 15h24

Cascais tem sido, ao longo da sua história como agora, um local multicultural, de coexistência pacífica entre munícipes que vieram um pouco de todo o mundo. Cascais é o concelho com o terceiro maior número de cidadãos estrangeiros, cerca de 15% de todos os residentes, num total de mais de 32.000 munícipes.

Mas Cascais tem sido também um refúgio seguro para aqueles, em momentos de grande perigo, aqui procuraram e encontraram um lugar seguro para viver. Foi assim durante a Segunda Guerra Mundial para aqueles que fugiam da Alemanha de Hitler, foi assim durante o período de descolonização para aqueles que fugiam de Timor-Leste ocupado pela Indonésia de Suharto, foi assim durante as guerras civis na antiga Jugoslávia e foi assim mais recentemente durante a guerra civil na Síria de Bashar al-Assad. Foi assim nestas e em muitas outros momentos da história do concelho.

À invasão da Ucrânia pela Rússia de Putin e a crise humanitária de enormes proporções que se avizinha, Cascais e os Cascalenses não poderão deixar de responder. Cascais vai voltar a ser o porto de abrigo para aqueles que aqui procuram a paz e a segurança.

O Alto Comissariado da ONU estima que poderá haver mais de 4 milhões de refugiados como resultado desta guerra. Assumindo uma distribuição proporcional à população na União Europeia, cerca de 2.000 seriam a “quota-parte” de Cascais. Esse deve ser o objetivo em Cascais, podermos acolher rapidamente pelo menos 2.000 refugiados, isto apesar de todos nós desejarmos que nunca cheguemos a esse número.

Isto significa garantir não só o alojamento temporário, mas também o acesso à educação e à saúde. Se desses refugiados, houver 1.000 que são menores, agora é a altura de começar a planear turmas adicionais nas escolas do concelho para garantir o acesso dos mesmos ao sistema de ensino o quanto antes e a planear a sua melhor integração possível nomeadamente no que diz respeito às aprendizagens em português. Agora é também a altura de planearmos o acesso à saúde para quem dele possa vir a precisar.

Nesse sentido, a Iniciativa Liberal irá apresentar na próxima Assembleia Municipal uma moção propondo que a Câmara Municipal de Cascais aloque um valor inicial de 5 milhões de euros durante 2022 para o acolhimento e integração de refugiados da guerra na Ucrânia.

Esta não é, como nunca devia ser, a altura de repetir a estratégia que a Câmara Municipal de Cascais seguiu durante a pandemia, com “medidas” de grande despesa, muita propaganda, mas fracos resultados.

Esta é a altura para a Câmara Municipal de Cascais trabalhar em colaboração com todos, sejam eles organizações cívicas, equipas de voluntários, o Estado central ou as autarquias vizinhas.

Esta é a altura para a Câmara Municipal de Cascais agir e se mostrar à altura dos acontecimentos e das suas responsabilidades.


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