CASCAIS o LOGRO das campanhas de greenwashing e A PERDA da qualidade de vida das populações

OPINIÃO

28 setembro 2022 | 17h52
O total desrespeito, por parte da Câmara Municipal de Cascais (CMC), para com a sustentabilidade e a preservação dos ecossistemas no Concelho, tem vindo a provocar, ao longo dos anos, verdadeiros atentados ao meio ambiente bem como à saúde e qualidade de vida das populações.

Ao suprimir no terreno extensas zonas, fundamentais para a infiltração da água, aumenta-se exponencialmente o risco de cheias e inundações (risco esse já por si elevado, dado o característico regime torrencial das ribeiras do Concelho), o que constitui um perigo para a vida e segurança das pessoas, e um acréscimo avultado de danos materiais.

Ora, os episódios recorrentes de poluição das praias do Concelho, apenas um dos efeitos mais visíveis desta política, são sobretudo consequência: da existência de fossas muitas vezes mal seladas; de descargas ilegais nas ribeiras; e de deficiências apresentadas pelas redes de drenagem de águas residuais domésticas, industriais ou pluviais, que frequentemente não possuem sistemas independentes.

Contudo a CMC, como é de bom tom nos tempos que correm, perpetuando uma gigantesca campanha de GREENWASHING, à custa do erário público, tenta ocultar a sua política de total comprometimento com a especulação imobiliária e de submissão aos interesses dos respectivos promotores. Só como exemplo, em 2022 a CMC divulga que: “…está a realizar um registo de potenciais situações de risco nas ribeiras do concelho, um trabalho que, de acordo com a informação disponibilizada, tem vindo a ser feito ‘de forma sistemática desde 2000’”.

No Concelho de Cascais, como podemos verificar no site da Direcção Geral do Território (cartografia da Ocupação do Solo – COS), o avanço do ‘betão’ desde 1980 até 2018 é bem visível:

https://drive.google.com/file/d/1KmolFbU0Uut7cdt8F8SQTa6UrQHfuTHV/view?usp=sharing 

Apenas a título de exemplo, referimos uma pequena amostra das urbanizações e edificações mais polémicas (construídas, em construção ou em projecto) em unidades territoriais de grande sensibilidade ecológica no Concelho:

Conjunto Turístico da Penha Longa; Unidade de Execução da Charneca Poente; Projecto urbanístico da Alcatel na Aldeia de Juso; Projectos da Areia, Birre e prolongamento da auto-estrada até à Areia; PP Entrada Nascente de Cascais - Jumbo; Projecto da Antiga Praça de Touros; Plano de Pormenor do Espaço Terciário de Sassoeiros Norte (PPETSN); Smart Studios; PP do Espaço de Reestruturação Urbanística da Quinta do Barão (PPERUQB); PP do Espaço de Reestruturação Urbanística da Quinta dos Ingleses (PPERUCS); Loteamento Bairro da Torre


Voltando ao problema das ribeiras, em comunicado emitido a 28-05-2022, a CMC esclarece que, membros das unidades orgânicas e das empresas municipais estão a fiscalizar nas ribeiras, particularmente: possíveis focos de poluição; a existência de vegetação densa; o assoreamentos e/ou degradação de passagens hidráulicas; a queda de muros confinantes; e construções ilegais.

E, continuando sempre a arvorar-se em grande defensora do ambiente, a CMC anuncia que: “O GreenFest está de regresso à Nova SBE já nos dias 23, 24 e 25 de setembro sob o tema a ‘Economia Circular Regenerativa’ e as ‘Nature-Based Solutions’.” E, neste sentido, também não resiste a afirmar: “… A preservação dos valores naturais das praias e a qualidade (monitorização) dos serviços existentes são um denominador comum nestas zonas.”, referindo nomeadamente que “… a autarquia também desenvolve projetos para incentivar a adaptação do município às alterações climáticas como a 2.ª edição do Fundo Adapt Cascais, que vai ser apresentado no Greenfest.”

Pena é que, durante todos estes anos, não tenha conseguido (ou querido) solucionar os problemas atrás enunciados, levando a que, mais uma vez em 2022, várias praias fossem interditadas.

Toda esta quimérica campanha de defesa da sustentabilidade e da neutralidade carbónica esbarra sistematicamente nos mais que desactualizados modelos de ordenamento do território que, ao longo dos anos, a CMC insiste em implementar no Concelho

Acresce ainda que, de nada serve a inacreditável alegação por parte da CMC de que os espaços naturais destruídos serão compensados com “jardins”, pois as zonas relvadas, para além de, em clima mediterrânico, constituírem um desperdício de água, estão ao nível zero no que diz respeito ao sequestro de carbono. Esta política de expansão e de densificação das edificações revela tão só uma posição ultrapassada, retrógrada e sobretudo contrária à tendência, hoje largamente adoptada, de reconversão de espaços urbanos em espaços naturais ou florestais, e nunca o contrário.

Ao defender teimosamente o prosseguimento desta política de ocupação, com betão e alcatrão, dos poucos espaços naturais ainda existentes (a que chama eufemisticamente ‘vazios intersticiais’), política essa que tem provocado danos, alguns dos quais irreversíveis, muito tememos o que a CMC possa vir ainda a deliberar sobre o Parque Natural de Sintra Cascais (PNSC), que certamente considera ser um ‘enorme vazio intersticial’!

Aliás, muito receamos que o município continue a pretender urbanizar áreas sensíveis do PNSC, cuja prevalência como importante zona permeável de potencial interesse ecológico e de primordial sustentação do nível de qualidade do ar, deve justamente ser mantida, como é o caso de Cascais, sobretudo onde existem grandes zonas de susceptibilidade elevada/moderada de instabilidade das arribas e de movimentos das vertentes, bem como elevada vulnerabilidade à inundação. 

Deste modo, a implantação sucessiva de urbanizações, aumentando a tendência crescente de ocupação e de impermeabilização dos solos, pode colocar em risco a manutenção das características desta zona, contribuindo supletivamente para a fragmentação ecológica do território do município de Cascais, já de si fortemente segmentado.

*Os artigos de opinião publicados são da inteira responsabilidade dos seus autores e não exprimem, necessariamente, o ponto de vista de Cascais24H





 

1 comentário:

estevesayres disse...

Muitos de nós, tem feito ao longo dos anos críticas e apresentado propostas, aos que se encontram na direcção da CM Carreiras, já alguns anos, como sabemos têm sido prepotentes e, com tiques neoliberais...

Publicação em destaque

SISMOS o que fazer...

DICAS PREVENTIVAS |  Com o mais recente evento sismológico da Turkia e na Síria a pergunta que devemos fazer é se nós os Portugueses estamos...

FOI NOTICIA

UM JORNAL QUE MARCA A DIFERENÇA

UM JORNAL QUE MARCA A DIFERENÇA