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| José Veiga, empresário caído em desgraça |
09.02.2016
Milhões suspeitos a serem
investidos em Cascais, outros tantos guardados numa mansão com proteção blindada da Quinta da Marinha e
outros a entrar e sair através do Aeródromo Municipal de Tires, eis alguns dos
ingredientes iniciais de um folhetim, ainda longe do fim, de uma complexa
investigação que coloca Cascais na rota do alta corrupção e de lavagem de
dinheiros sujos, em que, nesta primeira fase processual, surgem indiciados José Veiga,
Paulo Santana Lopes e a advogada Maria Luísa Barbosa.
Segundo Cascais24 apurou, o
superjuíz Carlos Alexandre terá ordenado a extração de certidões para que, em
breve, na sequência da denominada operação “Rota do Atlântico”, outros
suspeitos possam vir a ser investigados e constituídos arguidos.
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| Sob o olhar de Manuel Damásio, o presidente descerra a placa |
Entre eles, poderá estar o antigo
presidente do SLB Manuel Damásio – o homem por detrás do novíssimo e luxuoso
Hotel Intercontinental (antigo hotel Atlântico) no Monte Estoril, inaugurado em
Dezembro último pelo presidente da Câmara Municipal de Cascais, Carlos
Carreiras, no âmbito das suas competências.
De resto, no âmbito da operação
“Rota do Atlântico”, os inspetores da PJ apontam como alvo o Hotel
Intercontinental do Estoril, cuja aquisição por parte de Veiga pode ter servido
como forma de lavar os cerca de 500 milhões que circularam pelas contas do
antigo empresário de Luís Figo nos últimos cinco anos.
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| Hotel Intercontinental, no Monte Estoril |
A suíte do próprio Manuel Damásio
no “Intercontinental” foi alvo de buscas judicialmente autorizadas.
Cascais24 soube, ainda, que a extração
de certidões que irão dar origem a novos inquéritos poderão abranger, também,
outras figuras, porventura ligadas à autarquia, relativamente a alegadas
contrapartidas, eventualmente relacionadas com a “celeridade, projetos e
alterações paisagísticas” e até de “características viárias” do
Intercontinental em plena avenida Marginal. Ver noticia inauguração, publicada no site CMCascais
MANSÃO COM PORTAS
BLINDADAS
Branqueamento de capitais,
tráfico de influências, participação económica em negócio e fraude fiscal,
constituem, para já, os crimes em causa na complexa investigação em que José
Veiga surge como principal arguido e, atualmente, em prisão preventiva.
Em causa estarão negócios no
Congo cujos lucros seriam aplicados na compra de vários bens em Portugal,
sobretudo na Costa do Estoril. Veiga geria os investimentos do Presidente da
República do Congo, Denis Sassou Nguesso e os proventos destas atividades
eram, diz a PJ, utilizados na aquisição de imóveis, veículos de gama alta e
sociedades, “utilizando para o efeito pessoas com conhecimentos especiais e
colocadas em lugares privilegiados, ocultando a origem do dinheiro e
integrando-o na atividade económica lícita.”
Veiga, que chegou a ser o maior
empresário do futebol mundial, tinha, inclusivamente, uma mansão de resguardo
na Quinta da Marinha, por coincidência ou não, onde o também antigo dirigente
encarnado Manuel Damásio colocou à venda, em 2009 a sua (também) mansão por 15
milhões, (nove quartos, 12 casas de banho, várias salas de estar e jantar e uma
discoteca com bar, ginásio, jacuzzi, duas piscinas e um grande jardim) onde os
inspetores da PJ resgataram cerca de oito milhões de euros.
A mansão possui portas blindadas
no seu interior, tendo sido às autoridades necessário proceder ao seu arrombamento.
O dinheiro estava num cofre-forte. A chave estaria na posse de Paulo Santana
Lopes, irmão do antigo Primeiro-ministro José Santana Lopes e atualmente
Provedor da Santa Casa da Misericórdia.
A mansão está em nome de uma
off-shore aparentemente ligada ao empresário, o que leva a crer que seria
utilizada por si. Além deste montante, as autoridades confiscaram ainda quantias
significativas em contas bancárias, imóveis e carros de luxo, quase tudo em
nome de off-shores.
MILHÕES EM JACTOS A PARTIR DE
TIRES
O Aeródromo Municipal de Cascais,
em Tires, terá sido utilizado frequentemente por José Veiga e acólitos nas suas
viagens internacionais em jatos, com malas carregadas de milhões, em viagens
de ia e volta com vários destinos.
A PJ suspeita que por Tires
tenham passado milhões de dólares e euros. A partir de certa altura, sobretudo
desde há dois anos, ocasião em que a investigação teve início, que o próprio
SEF (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras) terá monitorizado embarques e
desembarques.
Caído em desgraça como agente de
futebol após a polémica contratação de João Vieira Pinto, Veiga acabou por ser
convidado para diretor do Benfica, no início da era Luís Filipe Vieira. Pelo
meio viu os bens da Superfute, sua antiga empresa de representação de
futebolistas, serem leiloados em hasta pública e o seu Jaguar penhorado, bem como
os móveis da casa em Birre (Cascais), por dívidas ao fisco.
Em Novembro de 2006, a juíza Ana
Maria da Silva, do 3.º Juízo Cível do Tribunal de Cascais, considerou que
existiam fortes indícios da existência de uma dívida de José Veiga ao Banco
Dexia do Luxemburgo. Em causa estava uma verba de um milhão de euros,
alegadamente relacionada com ações da Superfute. Foi este processo que
acelerou a saída de Veiga do Benfica.
A 14 de Novembro de 2006 em
entrevista a uma televisão, José Veiga afirmou: “Trabalhei com dedicação ao
longo destes dois anos e meio, dei o corpo às balas, mas agora tudo chegou ao
fim. Não quero que os meus assuntos pessoais interfiram com o Benfica. Não vou
estar disponível para a continuar na trabalhar desta forma. Estou fora do
Benfica”.
O tempo acabou, no entanto, por
demonstrar que nada disto era verdade e que estes acontecimentos apenas tiveram
por objetivo antecipar a sua saída do SLBenfica depois de ter ajudado a
conquistar o campeonato e empreendido uma ampla reestruturação do Futebol
encarnado.
COMPROU AÇÕES A DAMÁSIO NO ESTORIL
Já antes, José Veiga tinha adquiriu
30,65% do capital da Estoril Praia – Futebol, SAD a Manuel Damásio, por um
total de 766 mil euros, elevando a sua posição no capital da SAD do clube para
70,43%.
Em comunicado divulgado à época,
o Estoril Praia – Futebol SAD afirmava que «através de transação realizada
fora de Bolsa em 29 de Outubro de 2003, José Veiga adquiriu a Manuel Damásio, a
um preço unitário de 5 euros, um total de 153.237 acções, da categoria B,
representativas de 30,65% do capital social e dos direitos de voto da Estoril
Praia – Futebol, SAD».
José Veiga, então presidente da
Superfute, lançou mais tarde uma oferta pública de aquisição sobre as ações da
Estoril Praia, a cinco euros cada uma. As ações da Superfute ficaram dispersas
na Bolsa de Paris.







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