CASCAIS eleitoral

OPINIÃO

28 setembro 2021 | 17h20
Findas as eleições autárquicas e o espetáculo politiqueiro que se lhe seguiu nos media é possível olhar com alguma objetividade a realidade política local. É verdade que Cascais municipal mudou significativamente no passado dia 26, mas há que indagar se mudou para melhor ou para pior. Obviamente, a resposta depende do ponto de vista.


Portanto, de um ponto de vista de esquerda (que assumimos inequivocamente), parece inegável que mudou para pior.

Seguindo a leitura futebolística que tanto tem sido mediaticamente promovida para referenciar a ação política diríamos que nestas eleições autárquicas, em Cascais, houve um vencedor previsível e um outro inesperado.

Que a extrema direita tenha tido o sucesso de eleger um vereador era espectável face aos resultados eleitorais que o Chega tem, sucessivamente, averbado no concelho. Mesmo perdendo mais de metade do seu eleitorado local conseguiu reunir votos bastantes para eleger João Rodrigues dos Santos.

Mais surpreendente é que o PSD/CDS tenha conseguido não apenas manter como, até,  reforçar a sua maioria absoluta.

Numa anterior breve análise destacámos as dificuldades que a coligação de Carlos Carreiras poderia enfrentar face ao crescimento local da extrema-direita. Perspetivámos que o PS tinha uma oportunidade única para capitalizar a debilitação eleitoral da coligação de direita e dar início à construção de uma alternativa. Aparentemente subestimámos a sageza de Carlos Carreiras assim como a inépcia e claudicação dos dirigentes do PScascais (estrutura concelhia do PS).

Mas a realidade dos números é o que é 

Partido/Coligação

Votantes

%

Vereadores eleitos

Votantes

%

Vereadores eleitos

2017

 

 

 

2021

 

 

PSD/CDS

35 520

45,94%

6

41962

52,55%

7

PS +

22 492

29,09%

4

17 265

21,60%

3

CDU

5759

7,45%

1

4 304

5,39%

0

CH

0

0,00%

0

5 927

7,42%

1

BE

1628

2,11%

0

2 919

3,66%

0

Analisar com rigor a complexidade do processo eleitoral e político em Cascais exigiria estudo e reflexão que não se compadecem nem com a "mercearia" eleitoral nem com a mercadologia (dita"marketing")  que habitualmente predominam.

Cascais não é, nem sociológica nem politicamente, um concelho de direita mas, todavia, a "Quinta Patiño" tem conseguido hegemonizar ideológica e eleitoralmente a população local. Curioso?!..

Neste quadro a estratégia  de Carlos Carreiras para estas eleições foi eficaz.

Primeiro conseguiu que o PS apresentasse uma candidatura de faz-de-conta que não punha em causa a manutenção da sua maioria absoluta de direita. É sabido que o candidato cabeça-de-lista do pscascais sempre foi um indefectível apoiante de Carlos Carreiras e este teria como garantido que aquele nunca lhe iria faltar com o apoio eventualmente necessário.

Depois, bastou-lhe evidenciar a natureza real da candidatura do PS. É sintomático  o "post" de Carlos Carreiras sobre as votações de Alexandre Faria no processo da Quinta dos Ingleses - Carcavelos(https://www.facebook.com/CarlosCarreiras/posts/4310182979088631 e a divulgação  que fez do vídeo, de 2013, em que o atual candidato do PS apelava entusiasticamente ao voto em Carlos Carreiras (https://youtu.be/lobeL5gbpAw).

Feito isto, o eleitorado reagiu como previsto: face a uma contrafação o eleitorado optou pelo original. Se o PS candidatava um ambíguo seguidor de Carlos Carreiras então mais valia optar claramente pela continuidade do presidente cessante.

E, assim, o PSD Cascais conseguiu, a um tempo, reforçar a sua maioria e aniquilar o pscascais mesmo na freguesia (São Domingos de Rana) que o PS governava ininterruptamente desde 1995.

Carlos Carreiras tem certamente razões para estar satisfeito e os cascalenses poderão, justificadamente, ficar preocupados. Cascais vai ser, nos próximos anos governado por um poder absoluto tendencialmente autocrático e alheado dos interesses reais dos habitantes do concelho.

À esquerda nem o PCP nem o BE estão em condições  de defenderem com um mínimo de eficácia institucional os cascalenses.

Depois deste processo não há condições para esperar qualquer atuação minimamente credível do pscascais.

O futuro próximo neste belo território pertence aos negócios do turismo e da especulação  imobiliária. A betonização e o folclore propagandístico vão prosseguir e os impostos dos cascalenses irão ser canalizados para promover a privatização da saúde e da educação. E quaisquer protestos serão abafados pelo poder absolutíssimo "mais do que nunca".

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