ATUAL
Por Valdemar Pinheiro
Ao fim
de 18 anos, a trapalhada criada à volta do célebre edifício Amarelo, destinado
à sede da Divisão Policial de Cascais, na avenida engenheiro Adelino Amaro da
Costa - criada por alguns amigos de José Sócrates, arguidos na Operação
Marquês- não só chegou ao fim, como, também, o Tribunal de Contas acaba de dar
luz verde para que a Câmara Municipal de Cascais inicie e conclua as obras.
Dois
milhões e oitocentos mil euros são agora avançados pelo município para os
trabalhos, de acordo com um protocolo estabelecido há dois anos entre a
autarquia e o Ministério da Administração Interna. A Câmara será reembolsada
mais tarde pela PSP.
O arranque
das obras, que o município chegou a prever, por ocasião do protocolo, estarem
concluídas até ao final deste ano, só estava dependente da autorização do
Tribunal de Contas, que agora deu a respetiva luz verde.
A
propósito de esta e outras obras agora aprovadas pelo Tribunal de Contas para o
concelho de Cascais, o presidente da autarquia Carlos Carreiras sublinhou que “o tempo da Lei não é o tempo da Obra. E o tempo da
Obra não é o tempo da Vontade. É que se dependesse da nossa vontade as obras já
estariam em andamento. Mas felizmente há quadros legais que têm de ser
cumpridos para que todos tenhamos uma sociedade imune à arbitrariedade. A perda
de algum tempo de obra é o preço a pagar por isso”.
“Este foi o
timing do Tribunal. Espero que certos agentes políticos locais não tenham o
descaramento de vir agora acusar o Tribunal de Contas de eleitoralismo”,
concluiu Carreiras.
Neste
edifício ficarão instaladas a sede da divisão, a funcionar há 60 anos rua
Afonso Sanches, no centro histórico de Cascais, bem como a Esquadra de
Investigação Criminal, a funcionar provisoriamente no Monte Estoril, e a
Esquadra de Trânsito.
Entretanto,
devido ao impasse nestes últimos anos, a Câmara chegou a adquirir por um milhão
e oitocentos mil euros duas moradias, uma delas a antiga clínica Cuf, junto à
antiga praça de toiros, para ai instalar a sede da Divisão Policial de Cascais,
o que também nunca veio a acontecer, dada a evolução nas negociações entre o município
e o MAI para recuperar o edifício Amarelo.
A
propósito, fonte do município, na altura contatada por Cascais24, sobre o
destino a dar a estas moradias, afirmou tratar-se, para todos os efeitos, de
património municipal, que poderá ser sempre rentabilizado.
Negociata de amigos de Sócrates
A construção
da sede da PSP de Cascais foi uma das 17 grandes obras que o Ministério da Administração Interna adjudicou
entre 1996 e 1999 à Conegil, do Grupo HLC e do empresário Carlos Santos Silva,
amigo do então Primeiro-Ministro José Sócrates, arguido no célebre processo
Marquês.
As
adjudicações foram feitas à época pelo GEPI, um gabinete do MAI então dirigido
por António Morais - engenheiro que foi nomeado por Armando Vara para as
funções quando era professor de Sócrates na entretanto extinta Universidade Independente
e foi, entretanto, também acusado de corrupção no caso do processo Cova da
Beira.
Além
de entregar a obra da futura sede da PSP de Cascais à Conegil, por 2,8 milhões
de euros, António Morais adjudicou a sua fiscalização a Joaquim Valente, um
autarca da Guarda e igualmente amigo de José Sócrates.
A obra
foi abandonada em 2002, com a falência da empresa com dívidas de 20 milhões de
euros, dos quais 1,6 milhões ao Ministério da Administração Interna. Os trabalhos
foram posteriormente retomados por um outro empreiteiro, que também a abandonou
sem a acabar.


1 comentário:
O homem só pensa em eleitoralismo. Pensa denaisnoaque os outros possam pensar. Funções essenciais e prioridades são decisões. Sem preocupações de quem vai cortar a fita. Nada mais.
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