Família de Cascais morreu há 40 anos no maior acidente aéreo em Portugal

Histórias





Faz este domingo, 19 de novembro, 40 anos que uma família de Cascais encontrou a morte com mais 128 pessoas no maior acidente aéreo em Portugal: o despenhamento do voo TAP 475, no então Aeroporto de Santa Catarina, no Funchal, na Madeira.


As mortes de Manuel António de Melo silva, da mulher Lurdes Cardoso e da filha Mafalda, ainda criança, deixaram emocionadas e em choque as gentes de Cascais.


O casal, ainda jovem, e a filha, eram pessoas estimadas pela comunidade local, que conhecia muito bem as respetivas famílias.


Manuel António de Melo Silva era filho de pai barbeiro, estabelecido com uma barbearia no centro histórico, e de Idalina, uma conhecida e popular vendedora de bolos na praça e nas praias de Cascais. Foi também guarda-redes da equipa de hóquei em patins do Dramático de Cascais e do Sporting.


A mulher, Lurdes, era filha de Artur Cardoso, um dos donos da União Elétrica "Cardoso e Gaiteiro", à época um dos estabelecimentos tradicionais mais reputados da vila, com sede na rua Afonso Sanches. Lurdes Cardoso trabalhava no escritório da firma.


Criança previu desgraça
Em entrevista ao jornal digital Noticias Ao Minuto, que recorda o trágico desastre aéreo, a afilhada do casal, Dulce Trindade André, à época com 10 anos, lembrou que a filha do casal, a Mafalda, parecia que estava prever uma desgraça.


“A Mafalda viajava muito e adorava viajar de avião com os pais. Na véspera dessa viagem é que estava muito renitente em ir”, relata Dulce, recordando como a avó da criança contou mais tarde que, na véspera do voo, a menina não queria ir com os pais para a Madeira.


Aquele que foi, até hoje, o maior acidente aéreo registado em Portugal teve lugar às 21h48 do dia 19 de novembro de 1977, no Aeroporto de Santa Catarina, no Funchal. 


O aparelho da TAP425 – um Boeing 727-200- que ostentava o nome do pioneiro da aviação portuguesa, Sacadura Cabral, curiosamente falecido num acidente aéreo no canal da Mancha, fez-se à pista sob chuva intensa com 164 pessoas a bordo: 156 passageiros e 8 tripulantes.


O comandante João Costa Lontrão e o co-piloto Miguel Leal
Devido às condições meteorológicas adversas e de duas tentativas de aterragem falhadas, o comandante João Costa Lontrão e o co-piloto Miguel Leal sabiam que tinham uma última oportunidade, caso contrário o voo teria de ser desviado para Las Palmas, nas ilhas Canárias. 

                                                                                (Foto Pedro Aragão)
Partiu-se em dois
Esta terceira e última oportunidade viria a revelar-se tragicamente fatal. A aeronave aterrou muito para lá do normal na então curta pista de 1.600 metros do aeroporto de Santa Catarina, deslizou pelas águas acumuladas e transpôs o final da pista.


Com o impacto, o avião partiu-se em dois, com uma parte da aeronave a ficar sobre uma ponte e a outra a cair na praia, a mais de 130 metros e a ser consumida pelas chamas do fogo que, entretanto, deflagrou. Morreram 131 pessoas, sobreviveram 33. 


O relatório do acidente apontou como causa provável do acidente as condições meteorológicas “muito desfavoráveis”, com possível hidroplanagem e uma aproximação demasiado longa.


o atual Aeroporto Cristiano Ronaldo

Apesar de ampliada anos depois, a pista do atual Aeroporto Cristiano Ronaldo ainda hoje é considerada uma das mais difíceis para aterrar a nível mundial.


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