CHEIAS. Novembro trágico em Cascais

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                                                                                              ( FOTOS REAL VILLA CASCAIS)


                  25 novembro 2019
Foi há 36 anos, em novembro de 1983, que o concelho de Cascais foi assolado pela maior catástrofe natural de que há memória na sua longa história de 650 anos.

As enxurradas da madrugada do dia 19 daquele mês e ano deixaram um impressionante rasto de destruição um pouco por todo o concelho, mas foi na baixa de Cascais que foram vividos os momentos mais angustiantes.


As águas e lamas, que subiram mais de 2 metros, transformaram ruas e avenidas numa espécie de Veneza, provocaram dois mortos e muitos milhares de contos em estragos materiais em habitações, estabelecimentos e até no próprio quartel dos Bombeiros, então instalado junto ao edifício dos Paços do Concelho.

Os Bombeiros de Cascais que, à época sofreram prejuízos de 20 mil contos em veículos e equipamentos, recordam na sua página oficial do Facebook a tragédia das cheias de 1983 em que mesmo com um quartel submerso, “os nossos Bombeiros não deixaram de acudir aos pedidos de ajuda que havia na baixa de Cascais”, com o apoio das corporações de Alcabideche, Estoril, Parede, Carcavelos e Oeiras.

Recorrendo a um texto publicado no livro dos 125 anos da corporação, os Bombeiros de Cascais lembram que “(...) na madrugada de 19 de Novembro de 1983 a sirene dos Bombeiros uivou bastante tempo até ao corte de energia eléctrica que se fez sentir, deixando Cascais completamente às escuras”. 


“Nada nem ninguém supunha a catástrofe que viria a acontecer por volta das cinco horas da madrugada na zona baixa da Vila de Cascais”.

“A água das chuvas que caíram durante a véspera e na própria noite, convergiu para o centro da Vila e tudo inundou, inclusivamente o próprio quartel dos Bombeiros que ficou completamente alagado de repente, privando os bombeiros de utilizar a maioria das suas viaturas, radiotelefones e outro material indispensável para socorrer toda a população afectada”.


“Caindo sem parar, a chuva ia alagando e destruindo tudo, em casas particulares, estabelecimentos comerciais, Secção de Finanças e a Câmara Municipal, levando consigo tudo na sua marcha para o mar, rebentando mesmo com a própria muralha da praia da Ribeira, levando ainda 58 chatas que se encontravam junto da muralha e destas só 21 se conseguiram recuperar, mas com grandes danos”.

“Além destes estragos houve ainda 2 mortos a lamentar e que viviam numa cave junto à rotunda e que se viram impossibilitados de sair para a rua, morrendo afogados e agarrados às grades das janelas da sua habitação, clamando por socorros”.

“Outras vidas porém foram salvas. O comandante dos Bombeiros Jaime Salgado, salvou o boticário António Diniz Graça da crítica situação em que se encontrava no murete do Hotel Baía, resgatando-o no barco pneumático da Corporação para um local seguro”. 


“Também o bombeiro Joaquim Manuel da Silva Santos salvou de uma morte certa a locatária do rés-do-chão do edifício onde se encontra a sede da Sociedade Musical de Cascais na Rua Visconde da Luz, quando a senhora já tinha água pelo pescoço”. 

Outros casos houve ainda onde os bombeiros salvaram pessoas que saíram pelas janelas.


Recorda-se que as cheias de 1983 mataram 10 pessoas e deixaram desalojadas 1800 famílias nos concelhos de Lisboa, Loures e Cascais.

Nem as enxurradas de 1967 – as maiores de sempre no País, que mataram 700 pessoas nos concelhos de Loures e Alenquer – causaram tanto pânico e estragos como as de novembro de 1983 em Cascais.

E se fosse hoje?

"A natureza é quem mais ordena, mas é inegável que estamos mais bem preparados ao nível do socorro", diz José Palha Gomes, comandante dos Bombeiros de Alcabideche e Licenciado em Proteção Civil.

 

Comandante José Palha Gomes, Licenciado em Proteção Civil e Comandante dos Bombeiros de Alcabideche

Para José Palha Gomes, "o que aconteceu em 1983 podia acontecer nos dias de hoje", devido às condições climáticas. 

 

Salvaguardou, no entanto, que nos tempos atuais "temos leitos de ribeiras mais limpos", com "a vantagem que existem planos de contingência", para além de Cascais contar com uma "estrutura municipal de Proteção Civil, altamente profissional".

 

Palha Gomes não deixou, porém, de apelar para a necessidade de "sensibilizar cada vez a população" para "os procedimentos a seguir em caso de catástrofe" e dos "políticos para uma realidade utópica, mas que pode vir a tornar-se real". 

 

A propósito e igualmente, Cascais24 procurou, mas sem sucesso, obter a opinião de outros especialistas locais em proteção civil, que poderiam ter contribuído para uma melhor informação pública, bem como da vereadora municipal Joana Pinto Balsemão, que detém no executivo as áreas da Qualificação Ambiental e Estrutura Verde, Alterações Climáticas, Objetivos de Desenvolvimento Sustentavel (ODS) e Cidadania e Participação.

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