Cultura
Por Redação21/09/2018
Depois de anos de abandono, a Villa Romana de Freiria
reabre ao público este sábado, em Polima, na freguesia de São Domingos de Rana.
A reabilitação foi feita ao longo do último ano, através
de uma equipa multidisciplinar da Câmara Municipal de Cascais, que realizou trabalhos
de conservação, limpeza e consolidação de ruínas.
Paralelamente, foram implementadas condições para
vedar o espaço e acolher os visitantes que, por questões de preservação,
caminharão quase sempre em passadiço, à exceção de um pequeno troço em que o
percurso é feito sobre a laje.
Em cerca de
meia hora, com recurso à sinalização bilingue (português e inglês), fica-se a
saber muito mais sobre este património, que poderá vir a constituir uma nova e aliciante atração turística, cultural e histórica.
A recuperação da Villa Romana de Freiria, que possui o
maior celeiro da Península Ibérica, contou com apoio financeiro do Programa da
União Europeia Projetos de Desenvolvimento Regional, Lisbo@2020.
Em datas significativas, a anunciar na Agenda Cascais,
haverá ainda momentos de animação histórica e cultural, com representações de
teatro clássico, bem como visitas guiadas
sob marcação.
Este património foi descoberto em 1912, por Vergílio Correia, professor
universitário, historiador, etnólogo, jornalista e arqueólogo, antigo
conservador dos museus Etnológico Português e do de Arte Antiga, em Lisboa,
coordenador dos trabalhos arqueológicos no sítio de Conímbriga, em
Condeixa-a-Nova.
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| Guilherme Cardoso |
No entanto, só em 1985, sob coordenação dos arqueólogos Guilherme
Cardoso (jornalista e fotógrafo) e José d’Encarnação (também Professor
universitário e jornalista), o achado foi objeto de escavações, durante as
quais, por exemplo, foram descobertos uma ara ou altar dedicado à divindade
romana Triborunnis, um quadrante de relógio de sol, uma carranca de felino,
capitéis toscanos e corintizantes e cerâmicas diversas. O vasto espólio
arqueológico recolhido tem permitido aos arqueólogos responsáveis desenvolver
diversos trabalhos científicos, apresentados em publicações nacionais e
internacionais, no âmbito da epigrafia, cerâmica, economia, produção
vinícola/oleagínea, arquitetura, museologia e outros.
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| José d`Encarnação |
“É
com bem compreensível júbilo que encaro a inauguração do projeto de recuperação
da Villa Romana de Freiria”, diz José d`Encarnação, o qual relembra que “foram
postas a descoberto, além da casa senhorial, pavimentada a mosaico, termas, um
celeiro, um lagar de azeite e a necrópole. Foi o local habitado desde a Idade
do Ferro e os Romanos só o terão abandonado nos primórdios do século IV da
nossa era”.
Ainda
segundo José d`Encarnação, “o seu estudo monográfico, da autoria do Doutor
Guilherme Cardoso, vai ser publicado pela Câmara Municipal de Cascais e editado
ainda este ano”.
Situada
no vale compreendido entre Outeiro e Polima, no interior do concelho de
Cascais, A
Villa Romana de
Freiria vai poder ser visitada livremente aos sábados e domingos. A visita
guiada pode ser marcada no site
da Câmara de Cascais ou pelo telefone 800 203 186 (de 2.ª a 6.ª das 9 às 18
horas).




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