"SACRIFÍCIO". Rapper cascaense Plutónio edita terceiro álbum de originais

Cultura

AP
10 dezembro 2019

O rapper luso-moçambicano Plutónio, natural de Cascais, editou no passado dia 22 de Novembro o terceiro álbum de originais, intitulado 'Sacrifício'. Depois de 'Histórias da Minha Life', lançado em 2013, e de 'Preto e Vermelho', que saiu em 2016, Plutónio volta a aventurar-se pelo mundo das edições discográficas. A viver o melhor momento da carreira, o rapper decidiu pôr fim a um hiato editorial de 3 anos e o novo disco tem sido até ao momento muito bem recebido pelos fãs.

O primeiro single, igualmente intitulado 'Sacrifício', chegou ao YouTube no passado mês de Outubro e contou com produção de Sam the Kid. A música reflecte o passado de Plutónio num "bairro a dois minutos da prisão de Linhó" e aborda temas como os sucessos e fatalidades associados à cultura dos bairros sociais, a autenticidade da velha vaga do hip-hop português, e a própria carreira do artista. Com mais de 1 milhão de plays no YouTube, 'Sacrifício' tem chegado a ouvintes de todo o país. De acordo com dados do Spotify, os ouvintes de Plutónio encontram-se maioritariamente concentrados nas regiões de Lisboa, Porto, Vila Nova de Gaia, Coimbra, e Amadora.

'Sacrifício' - o álbum - conta com 18 canções e com a colaboração de alguns dos mais proeminentes artistas portugueses de hip-hop, principalmente ao nível do beatmaking (produção de instrumentais). O disco conta com a produção executiva de Ben "RYU" Miranda e Richie Campbell, assim como com uma horda de talentosos DJ's de hip-hop. Para além do supra-citado Sam the Kid, também Deejay Telio, DJ Dadda, Problem, Twins, Zlatnem, e Lhast ajudam a dar música à voz e rimas de Plutónio. O título completo do álbum, 'Sacrifício: Sangue, Lágrimas & Suor' serve de homenagem ao também português Chullage, mais concretamente ao seu clássico disco de hip-hop 'Rapresálias: Sangue, Lágrimas, Suor'. 


O presente e passado no bairro da Cruz Vermelha


Nascido e criado em Cascais, Plutónio ainda vive no bairro da Cruz Vermelha onde passou toda a sua vida. Com 34 anos, Ricardo de Azevedo (nome civil de Plutónio) lembrou numa recente entrevista ao jornal português Observador o seu presente e passado no bairro da Cruz Vermelha. Foi essa a paisagem que escolheu para a gravação do videoclip de 'Mesmo Sítio', outro dos singles de 'Sacrifício'. Plutónio lembrou os dias passados no problemático bairro cascaense, mas também enalteceu o seu charme e virtudes. Uma carreira de sucesso que conta com o reconhecimento de fãs, colegas de profissão, e críticos musicais não afastou Plutónio das origens em Cascais, e o seu envolvimento com a comunidade local do bairro da Cruz Vermelha não diminuiu nem um pouco. Plutónio ainda frequenta a mesma barbearia de sempre, onde vai "uma vez por semana" e ainda é cliente assíduo do histórico Café Real, onde as pessoas se costumavam reunir "até às tantas da manhã", muitas vezes a jogar jogos de poker. Mesmo quando morava em Lisboa, perto do Cais do Sodré, Plutónio deslocava-se todas as noites até ao bairro da Cruz Vermelha para rever os velhos amigos e familiares e se divertir nos espaços nocturnos da área, cujo alto fluxo de actividade comparou ao do Bairro Alto.

Conhecido como Dudu no bairro da Cruz Vermelha, a história de Plutónio é uma de sucesso entre os habitantes locais, mas o rapper está mais do que habituado a lidar com o mundo do crime, do tráfico de droga, e da  violência. Plutónio admite que "agora as pessoas cresceram, estão a querer aproveitar mais as oportunidades". Mas referiu também que "se pensar aqui num instante, tenho à vontade uns 40 amigos presos". Pela sua forte ligação ao bairro, que ainda hoje se verifica, e pelo seu sucesso como artista a nível nacional e internacional - abriu recentemente para a diva do Soul Erykah Badu num concerto no Brasil - Plutónio é sem dúvida um dos maiores motivos de orgulho do concelho de Cascais, e em especial das comunidades mais pobres e desfavorecidas. 


Hip-hop português colhe cada vez mais adeptos


Depois de uma talentosa primeira vaga de artistas de hip-hop portugueses, que se destacaram em especial durante a década de 90 e que coroaram grandes sucessos comerciais - basta lembrar Boss AC, Da Weasel, ou Sam the Kid - o 'hip-hop tuga' tem assistido a um renascimento ao longo dos últimos 10 anos. As causas para o sucesso são bastante evidentes: seduzidos pelo crescimento internacional do hip-hop, cada vez mais jovens fãs prestam atenção aos artistas portugueses; a Internet, por sua vez, tem vindo a ser tratada de forma eficaz como um meio de comunicação entre os ouvintes e os artistas. Sem a necessidade de um contrato ou vinculação editorial para promover o seu trabalho, os rappers portugueses têm agora acesso directo ao seu público, e o género vai sendo cada vez mais líder a nível de vendas de discos - lembramos os exemplos de artistas como Profjam ou Capicua - e principalmente a nível de plays. Streams de hip-hop português através do YouTube e do Spotify registam milhões de cliques, frequentemente ultrapassando os números de artistas de outros géneros musicais.

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1 comentário:

Maria Fialho disse...

Um grande Senhor!
De uma família muito humilde!
Bem haja.

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