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Por Redação13 fevereiro 2019
Se estivesse vivo,
Joaquim António Paes
Pires de Lima, o decano dos advogados portugueses que escolheu Cascais para
exercer a advocacia e faleceu aos 78 anos, na Parede, a 25 março de 2017, teria
esta terça-feira motivos para comemorar a vitória: o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos deu-lhe razão, condenando a justiça
portuguesa por violação da liberdade de expressão, na sequência de uma queixa
que um magistrado, que lidara com um processo cível envolvendo a Câmara de
Cascais lhe fez depois do saudoso causídico levantar suspeições de parcialidade e, chegado mesmo, a falar em fraude e em
corrupção.
Segundo
o jornal “Público”, que noticia a decisão do Tribunal Europeu, o advogado
Joaquim Pires de Lima “viveu os últimos anos de vida amargurado, por não ter
forma de pagar vultosa indemnização” ao juiz Rui Penha depois de condenado
pelos tribunais portugueses.
“Conhecido
pela sua personalidade truculenta, em 2007 Pires de Lima envolveu-se num
litígio com o juiz Rui Penha, com quem lidara num processo judicial cível de um
cliente seu contra a Câmara de Cascais”, recorda o jornal.
Numa
participação disciplinar que apresentou ao Conselho Superior da Magistratura, Joaquim
Pires de Lima acusou o magistrado de parcialidade, tendo chegado a falar em
fraude e em corrupção da parte deste. E pediu ao órgão responsável pela
disciplina dos juízes que averiguasse o assunto.
Ainda
segundo o “Público”, o Conselho Superior da Magistratura arquivou o caso, tendo
o juiz, na sequência destas acusações, desencadeado uma ação em tribunal contra
o advogado, na qual lhe pedia uma indemnização de 150 mil euros por atentado à
sua reputação. E a justiça acabou por lhe dar razão em 2009, muito embora tenha
fixado a indemnização em apenas 50 mil euros. Perante um recurso de Pires de
Lima e também do juiz, o Tribunal da Relação de Lisboa aumentou o montante a
pagar para 100 mil euros. O Supremo Tribunal de Justiça voltaria a descer a
indemnização para os 50 mil euros da primeira instância.
O
Tribunal Europeu dos Direitos Humanos decidiu, esta terça-feira, que a justiça
portuguesa teve, de facto, razão em condenar o advogado, uma vez que foi
incapaz de apresentar quaisquer indícios de corrupção por parte do juiz. Mas
entendeu também que o montante da indemnização fixada foi excessivo.
“Especialmente porque a acusação não foi feita de forma pública, mas somente
numa carta dirigida ao Conselho Superior da Magistratura”, disseram os juízes
de Estrasburgo. Carta essa, recordam, que era suposto ser confidencial. Por
isso, este constrangimento à liberdade de expressão do advogado revelou-se não
ser “necessário numa sociedade democrática”, revela o jornal “Público”.
Joaquim
Pires de Lima, que foi pioneiro a formalizar queixas contra o Estado português
no Tribunal Europeu dos Direitos Humanos nos primórdios desta instituição, viveu os
seus últimos anos de vida amargurado, por não ter forma de pagar esta vultuosa
indemnização, tendo mesmo chegado a ver parte da sua reforma penhorada.
Decano dos advogados portugueses que escolheu Cascais para exercer a
advocacia e faleceu aos 78 anos, Joaquim António Paes Pires de Lima nasceu a 7
de janeiro de 1938, licenciou-se em 1961 pela Universidade de Lisboa, e
inscreveu-se como advogado a 19 de abril de 1963, tendo exercido na comarca de
Cascais, onde, desde sempre, gozou de grande respeito e admiração pelo
excelente trabalho desenvolvido como advogado com escritório no centro da vila.
"No dia 10 de dezembro de 2009 o Dr. Joaquim António Paes Pires de
Lima recebeu o Prémio Bastonário Ângelo d' Almeida Ribeiro, atribuído pela
Comissão dos Direitos Humanos da Ordem dos Advogados, pelo elevado mérito do
trabalho desenvolvido em defesa dos Direitos Humanos", recordou, então, a Ordem dos
Advogados.
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