Nova sede da Divisão PSP de Cascais vai ser inaugurada na próxima semana

Segurança

A nova Divisão Policial de Cascais está concluída e vai ser, finalmente, inaugurada (Foto PAULO FERNANDES)

            10 julho 2019


Ao fim de 20 anos de avanços e recuos, de polémicas e mil trapalhadas pelo meio, às quais não foi alheio um dos arguidos no Processo Marquês – Carlos Santos Silva, o amigo de José Sócrates - a nova Divisão Policial de Cascais da PSP vai ser inaugurada na próxima semana naquele que ficou conhecido pelo Edifício Amarelo, na avenida Engº. Adelino Amaro da Costa.

A inauguração está prevista para a próxima terça-feira, à tarde, com a presença do ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, e o amarelo pertence ao passado, não deixando, contudo, de ser curioso e até irónico que o que nasceu torto numa governação socialista acabou por ser endireitado pela mesma corrente política tantos anos depois. E, agora, com direito a créditos, aos quais também não é alheio o chamado governo local de Cascais, liderado pelo polémico e controverso Carlos Carreiras.

No edifício ficarão instaladas a sede da divisão da PSP, a funcionar há 60 anos rua Afonso Sanches, no centro histórico de Cascais, bem como a Esquadra de Investigação Criminal, provisoriamente instalada no Monte Estoril, e a Esquadra de Trânsito. 
Div de Cascais funcionou 60 anos na rua Afonso Sanches (Foto CASCAIS24)

A inauguração chegou a estar prevista para até ao final do primeiro trimestre de este ano, mas como acontece, em regra, com todas as obras públicas, houve atrasos.

A conclusão do edifício da PSP de Cascais custou 1.731.485,41 euros, com IVA incluído, de acordo com o contrato celebrado entre o município e a construtora nortenha ABB, ao qual Cascais24 teve acesso e que a 12 de julho de há dois anos foi visado pelo Tribunal de Contas.

O contrato celebrado a 5 de abril de 2018 entre o município e a construtora Alexandre Barbosa Borges SA, sediada em Marim, Barcelos, que venceu a adjudicação, por concurso público, ao qual concorreram outras 7 empresas, tinha um prazo de execução de 480 dias.

A construtora ABB é uma empresa de reconhecido mérito no mercado nacional e internacional, embora no seu passado recente tenha sido “assombrada” com a morte de cinco trabalhadores na queda de uma parede, durante as obras de recuperação do mercado do Livramento, em Setúbal, em julho de 2012.

Os mais de 1,7 milhões de euros e não 2,8 milhões, que o município de Cascais diz ter investido, serão devolvidos nos próximos 50 anos pela PSP. 

Negociata

A construção da sede da PSP de Cascais foi uma das 17 grandes obras que o MAI adjudicou entre 1996 e 1999 à Conegil, do Grupo HLC e do empresário Carlos Santos Silva, amigo do então Primeiro-Ministro José Sócrates, arguido no célebre processo Marquês.

As adjudicações foram feitas à época pelo GEPI, um gabinete do MAI então dirigido por António Morais - engenheiro que foi nomeado por Armando Vara para as funções quando era professor de Sócrates na entretanto extinta Universidade Independente e foi, entretanto, também acusado de corrupção no caso do processo Cova da Beira. 

Além de entregar a obra da futura sede da PSP de Cascais à Conegil, por 2,8 milhões de euros, António Morais adjudicou a sua fiscalização a Joaquim Valente, um autarca da Guarda e igualmente amigo de José Sócrates. 

A obra foi abandonada em 2002, com a falência da empresa com dívidas de 20 milhões de euros, dos quais 1,6 milhões ao Ministério da Administração Interna. Os trabalhos foram posteriormente retomados por um outro empreiteiro, que também a abandonou sem a acabar. 

Construtora

A construtora que agora concluíu as obras do futuro Comando da PSP, em Cascais, surgiu no mercado em 1968, sendo hoje uma sólida referência na área da construção civil, tanto no mercado português, como além-fronteiras, em países como a França, Líbia, Angola, Cabo Verde e Moçambique.

No seu portfólio, o grupo ABB conta com grandes clientes, grandes obras e projetos inovadores e é constituído por um amplo conjunto de empresas, de diferentes áreas de negócio: terraplanagens; infraestruturas; arranjos paisagísticos; construção civil e obras públicas; AVAC; estruturas metálicas; fornecimento de betão; pavimentações betuminosas; imobiliária; gestão de resíduos; agregados e rochas ornamentais, entre outros.

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