Cascais na rota de ajuda ao terrorismo

Investigação



Há suspeitas de que uma rede magrebina desfeita há dois anos pela PSP, em Trajouce, Cascais, por produção e tráfico de cannábis, funcionasse como uma das células na Europa ao serviço de uma organização a operar a partir de Marrocos, que tem financiado o terrorismo islâmico e, inclusivamente, os sangrentos ataques em Paris que, em novembro de 2015, provocaram 130 mortos e causaram 400 feridos, apurou Cascais24.

A Europol está convicta de que a organização, a operar a partir de Marrocos e que, em quatro anos, recebeu 400 milhões de euros, através do tráfico de cannábis, conta na Europa com células de produção e tráfico, que visam financiar ataques organizados do terrorismo islâmico, como a série de ataques simultâneos que, a 13 de novembro de 2015, abalaram em Paris, incluindo ao Bataclan, no qual morreram 89 pessoas que assistiam ao concerto da banda Engles of Death.

A revelação foi feita por Pedro Felício, coordenador da Polícia Judiciária (PJ), durante o 5.º Congresso de Investigação Criminal, que teve lugar esta sexta-feira, em Braga.


Pedro Felício, Coordenador da PJ, está há 4 anos na Europol
Felício, que integrava a Unidade Nacional Contra Terrorismo da PJ, depois de ter passado pelo crime económico, faz parte há quatro anos do grupo sénior do Departamento de Operações de Contra Terrorismo e de Inteligência Financeira da Europol, em Haia, na Holanda.
 

Segundo Pedro Felício, “com os dados que temos, não temos dúvidas de que uma rede desmantelada em Mollenbeck, Bruxelas, financiou o ataque ao Bataclan”.


SIS investigou rede de Trajouce


Noticia do CASCAIS24
A rede magrebina desarticulada pela PSP, que produzia cannábis num armazém, em Trajouce, em circunstâncias que Cascais24 noticiou em exclusivo, chegou a ser alvo de investigações por parte do Serviço de Informações de Segurança (SIS).

Os oficiais de informação da "secreta" portuguesa procuraram analisar o passado e o presente dos suspeitos e, sobretudo, qual o destino dado aos lucros com o tráfico para a Europa.

Os serviços de "inteligência" portugueses pretendiam, então, descortinar até que ponto esta rede não estaria a financiar uma qualquer fação ligada ao terrorismo. 

Todos os suspeitos, à exceção de um português, apanhado na mesma rede, estariam em território nacional há menos de um ano e tinham um "comportamento" muito discreto.

Os suspeitos produziam a droga no armazém alugado em Trajouce e procediam ao seu escoamento de forma dissimulada, através do recurso a empresas transportadoras.

"Pela dimensão do armazém, conhecimentos demonstrados no cultivo da planta por parte dos detidos e pela tecnologia empregue, tudo indica ser um espaço de cultivo de cannábis altamente desenvolvido e com uma capacidade de plantação e secagem em grandes quantidades, provido de estufas térmicas, com sistema de purificação da água e de rega automatizado, assim como a iluminação de última geração", revelou, então,  a Cascais24, fonte da PSP.



 

 

Os ataques em Paris




A série de atentados protagonizada a 13 de novembro de 2015, em Paris, orquestrada por sete terroristas, começou nos arredores do estádio Stade de France, em Saint-Denis, onde era disputado um jogo entre França e Alemanha. O autor do ataque detonou um cinto com explosivos.

Em seguida, quatro homens, armados com metralhadoras, invadiram o Bataclan, onde decorria o show da Eagles of Death, e massacraram o público.



Também houve ataques e tiroteios em bares e restaurantes das ruas Bichat, Fontaine ao Rio, Charonne e boulevard Voltaire.

Todos os ataques sangrentos foram reivindicados pelo Estado Islâmico, marcando uma nova onda de atentados pela Europa.


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