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O que se esconde por trás da “liberdade religiosa” de Carlos Carreiras?

                                                                       09 FEVEREIRO 2019
Recentemente foi publicado no jornal “i” um artigo supostamente escrito por Carlos Carreiras intitulado “A religião e a cidade terrestre”. Nesse artigo, Carlos Carreiras defende a “liberdade religiosa” e inclui entre os exemplos que enumera o do agora designado “centro cultural” previsto para o terreno da Costa da Guia, que afirma – com os superlativos e o tom hiperbólico que o caracteriza – será “um dos mais importantes centros culturais judaicos na Europa”.

Talvez Carlos Carreiras se tenha esquecido que a deliberação camarária refere que o terreno se destina a “igreja e instalações de apoio” mas isso, neste caso, nem interessa.

Como é evidente, o caso da Costa da Guia nada tem a ver com o fim concreto a que se destina o edifício e muito menos com a liberdade religiosa que existe há décadas (dizer “séculos” poderia dar a azo a discussões), que é um direito fundamental, que, designadamente em Cascais, sempre foi uma realidade uma vez que os cascaenses acolhem há centenas de anos estrangeiros de todas as raças e religiões, sendo a Costa da Guia um dos exemplos mais perfeitos disso mesmo.

A questão é, pois, simplesmente esta: se aquele terreno tivesse sido cedido para a construção de uma associação desportiva ou cultural os moradores opor-se-iam ou não à mesma?

E a resposta a esta pergunta é inequívoca: SIM, OPOR-SE-IAM (da mesma forma que já o fizeram no passado, por acaso, à da igreja católica).

Mais: se a oposição da Costa da Guia se baseia em motivos religiosos, a oposição à construção na Quinta dos Ingleses também é um atentado à liberdade religiosa? E a contestação que germina em S. João do Estoril pela súbita vontade da CMC em deslocar o quartel dos bombeiros para o local em que estava previsto um parque verde urbano, em leito de cheias e REN, de que tanto se fala (para ceder ao SANA o terreno do atual quartel dos bombeiros?)? Será religiosa? E a que se refere à cedência de terrenos em zona RAN e REN para o Brighton College? Será religiosa? E o receio de que, depois do último incêndio, novas construções surjam no Parque Natural Sintra-Cascais? Será igualmente uma oposição à liberdade religiosa? 

Ou será que sob a capa da defesa da liberdade religiosa esconde o Sr. Presidente da Câmara outras coisas? E por que motivo – sendo o concelho tão vasto e conhecendo tão bem a vontade histórica dos moradores de ver o terreno da Costa da Guia ser um espaço verde, público e de livre acesso (e não um espaço privado ainda que aberto ao público, como será o caso se a construção prosseguir) – não foi cedido um terreno numa área que não implicasse o corte de árvores com mais de 50 anos e em perfeito estado fitossanitário? Ou por que motivo se recusou a CMC a encontrar desde o início um espaço alternativo para a construção nas redondezas de “um dos mais importantes centros culturais judaicos na Europa” de forma a compatibilizar o interesse das partes? 


Já agora, seria também interessante que o Presidente da CMC respondesse a mais estas questões: considerando que todos os partidos da oposição (PS, PCP, BE e PAN), imensas pessoas de direita e mesmo judeus e descendentes de judeus se manifestaram contra a construção da Costa da Guia, entende o Sr. Presidente que todas estas entidades e pessoas atentam contra a liberdade religiosa? Ou não passará a sua argumentação de um triste caso de demagogia? Ou será simples inconsciência?

Por tudo isto, é manifesto que de “religioso” a questão da Costa da Guia nada tem e que devia ser recordado a Carlos Carreiras que é melhor deixar “A César o que é de César” e não misturar as coisas.

Carlos Carreiras termina o artigo afirmando que “E se, de facto, há duas cidades – a terrestre e a celeste –, aos homens é exigido que, na sua variedade de crenças e valores, façam da primeira o melhor lugar para um dia almejarem viver na segunda.”. Fica-se sem se saber em que cidade terrestre estará Carlos Carreiras a pensar uma vez que, no concelho de Cascais, o que se tem visto é cada vez mais a destruição da cidade terrestre em prol de um desenvolvimento desequilibrado.

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3 comentários:

Anónimo disse...

Excelente artigo sobre um presidente de camara que já se devia ter demitido a bem de Cascais e da tranquilidade e desenvolvimento da qualidade de vida dos cascalenses.

JD disse...

O jornal "I" está a revelar-se tão oportunista quanto este mecenas da fé judaica. Sem interesse, por isso a evitar.
Sobre a dedicada religiosidade do nosso amado edil-mor, eu, ateu, peço às legadas forças transcendentais em que muitos creditam, que trate de encaminhar o tal Carreiras par um incineradora de materiais pesados, não vá dar-se o caso de morto, ainda poluir e contaminar esta linda terra, que ele tanto tem devastado.
E pronto, parece tratar-se de uma sociedade perfeita: um recebe para promover o outro, este outro paga +ara garantir elevados rendimentos.
JD

Luisa Menezes disse...

Não surpreende a forma distorcida de interpretar a oposição ao corte de árvores e cobstruçao num lugar "verde" tão perto do mar. Enquanto este Edil tiver a comunicação social na palma da mão, seja por influência "Balsemonica" ou outra, o Edil mor vai continuar a ter tempo de antena para distorcer qualquer ato que se lhe oponha, mentindo com cara de mártir , de sofredor , como se todos os que o rodeiam fossem uns vilões e ele coitadinho o iluminado incompreendido! Mas a realidade é esta , ele tem muito tempo de antena e ninguém o consegue enfrentar de igual para igual porque ele cala , ou tenta calar, mentindo e fazendo - se de vítima ou quando entramos numa area mais política, desfraldando a bandeira alheia como sendo comunista e um papão!! Tudo no mesmo saco, sem mais considerandos. Continuo a dizer que as autarquias não deviam ser governadas por gente de partidos mas sim por gente da terra. Extra partidos extra favores que ae têm que pagar, extra outros interesses que não os do próprio conselho.porque se assim não for como se verifica aliás em tantas outras situações que não só Cascais, dizer que existe um poder local é pura fantasia! São todos marionetas de outros tantos poderes e nem todos partidários.
Louvo a capacidade de luta de alguns Cascaenses ou Cascalenses( conforme preferirem) , como é o caso , entre outros, do autor deste artigo, que apesar de saber tudo isto que escrevi não se cansa de lutar pela verdade e por Cascais.
Obrigada

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