Luta da Quinta dos Ingleses contra o betão sofre revés mas ainda há "esperança"

Atual

Por Redação
21 fevereiro 2019

O SOS Quinta dos Ingleses informou, esta quinta-feira, que o relatório final da Comissão de Ambiente, Ordenamento do Território, Descentralização, Poder Local e Habitação, da Assembleia da República apesar de reconhecer que “a matéria do ordenamento do território faz parte do elenco das [suas) competências”, considerou ser o assunto Quinta dos Ingleses “uma matéria da competência da Câmara Municipal de Cascais”, declarando-se “incompetente” para agir.

A matéria foi levada àquela comissão na sequência da petição em que mais de 7 mil cidadãos manifestaram-se contra o PLANO DE PORMENOR DO ESPAÇO DE REESTRUTURAÇÃO URBANÍSTICA DE CARCAVELOS -SUL (PPERUCS), tendo sido ouvido, a seu pedido, o movimento SOS Quinta dos Ingleses, Vamos Salvar a Praia de Carcavelos.

Para Tiago Albuquerque, porta-voz do movimento, “lança-se, assim, por terra a esperança dos cidadãos que hoje têm muitas razões para se preocupar com a degradação da qualidade de vida na freguesia de Carcavelos”.

No entanto, o Movimento SOS Quinta dos Ingleses, Vamos Salvar a Praia de Carcavelos lembra que, “apesar deste revés, mantém a esperança numa ação do Parlamento, dado que permanece por agendar a data em que será discutida em plenário na Assembleia da República a petição pública Em Defesa do Ambiente e Espaços Verdes em Carcavelos e Parede, que recolheu 7 mil assinaturas contra o PPERUCS, e que foi entregue em abril de 2018.

Tiago Albuquerque, porta-voz do SOS Quinta dos Ingleses
“É nesta discussão, que o Movimento SOS Quinta dos Ingleses deposita agora as suas esperanças em que o travão seja colocado à construção megalómana que consideramos ameaçar a frente mar de Carcavelos”, diz Tiago Albuquerque.

Já é também conhecido o resultado da Avaliação de Impacto Ambiental da operação de loteamento do PPERUCS, que esteve em consulta pública entre 7 de junho e 18 de julho de 2018. E a entidade responsável pela avaliação, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDRLVT) emitiu uma Declaração de Impacto Ambiental (DIA) “Favorável Condicionada” à operação de loteamento prevista para a Quinta dos Ingleses, podendo assim a obra avançar, só tendo os promotores de iniciar os trabalhos até 28 de setembro de 2022 (prazo de validade da DIA).

O movimento SOS Quinta dos Ingleses adianta que tendo “apelado à participação de todos os cidadãos nesta consulta pública, das 157 participações registadas (152 de cidadãos e 5 de organizações), 100 eram de cidadãos “discordantes com o projeto”, 53 de cidadãos “concordantes” e 4 foram em forma de sugestão. Na declaração sintetizam-se todas as razões apresentadas por todos (a maioria contra a destruição anunciada deste ecossistema) mas no fim, as únicas “condicionantes” que a CCDRLVT impõe aos promotores do projeto passam pela opção pela “plantação de espécies vegetais autóctones e endémicas” nos locais onde se prevê manter o coberto arbóreo; e pelas cautelas em relação à proteção acústica da zona, sobretudo na fase de obra.

Tiago Albuquerque recorda que “curiosamente, a maior área verde de Carcavelos agora sob ameaça, está integrada num concelho presidido por um autarca que se diz comprometido com as questões ambientais”.

O porta-voz do Movimento SOS Quinta dos Ingleses relembra, ainda, o que Carlos Carreiras escreveu no Plano de Ação para a Adaptação às Alterações Climáticas de Cascais: “Proteger e aumentar o capital natural do concelho de Cascais tem sido o foco do trabalho que temos vindo a desenvolver no municipio em várias áreas de atuação, como forma de garantir às gerações futuras condições mais vantajosas de desenvolvimento social e económico”. 

“No mesmo texto, adianta Tiago Albuquerque, o autarca compromete-se várias vezes “com as gerações futuras” prometendo “implementar 13 medidas” para um Desenvolvimento Sustentável “até 2030”, entre elas a “Estratégia para a implementação de novos parques urbanos e zonas verdes naturalizadas e adaptação das existentes.”

No entanto, sublinha ainda, “foi este mesmo político que deu o aval para reduzir a 1/5 a mais área verde da freguesia de Carcavelos, reduzindo para 8 os 54 hectares da Quinta dos Ingleses a um enorme jardim de cimento”.

“O movimento SOS Quinta dos Ingleses, Vamos Salvar a Praia de Carcavelos defende, pelo contrário, que este espaço devia manter-se naturalizado e ser reabilitado e recuperado para se tornar no belo Parque Urbano pelo qual a população da região anseia”, conclui Tiago Albuquerque, segundo o qual “continuaremos a nossa luta com iniciativas a anunciar em breve, e para as quais contamos com a colaboração e participação de todos os que acreditam ser possível lutar por um Mundo melhor. Afinal, agimos na defesa do supremo interesse da nossa Terra, das gerações de hoje e futuras”.
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1 comentário:

José António Antunes disse...

Vamos salvar a Quinta dos Ingleses da especulação imobiliária.
https://youtu.be/tSwKCZ9lnBM

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