Rede internacional de tráfico de meixão tinha base logística em Cascais

Segurança

Malas térmicas e de viagem e, ainda, piscinas amovíveis encontradas na casa de Cascais pela ASAE

 

                       20 outubro 2019
Era numa moradia, na região de Cascais, que funcionava a base logística de apoio à receção, preparação e expedição de meixão para países asiáticos – negócio altamente lucrativo dirigido e controlado por uma rede internacional agora desmantelada pela Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE).

Na casa os inspetores da Unidade Nacional de Informações e Investigação Criminal da ASAE confiscaram piscinas amovíveis, garrafas de oxigénio, tanques, motores para oxigenação, balanças, coadores, kits de arejamento, termómetros, redes, garrafas de congelação, computadores e telemóveis. Foram ainda apreendidos cerca de 6 mil euros em dinheiro, 30 malas de viagem de porão e cerca de 200 outras térmicas usadas para o transporte do meixão.

A investigação iniciou-se em novembro do ano passado e teve por alvo  indivíduos que, de forma organizada, dedicavam-se ao tráfico ilegal de juvenis de enguia europeia (meixão) para países asiáticos. Nesta investigação, foram lançadas diversas operações policiais que culminaram na identificação e constituição de 10 arguidos e na apreensão de 137 quilogramas de meixão vivo, cujo valor de mercado poderá ascender os 250 mil euros.

Este grupo dedicava-se à aquisição de meixão ilegal, quer de origem nacional, quer estrangeira (em especial, proveniente da região do norte de Espanha e sul da França) e à sua exportação por via aérea, em voos comerciais a partir dos aeroportos portugueses. Para as exportações, recorriam a cidadãos de origem asiática, que assumiam o papel de «correios» e, perante contrapartidas financeiras, transportavam meixão vivo no interior de malas de viagem, despachadas e transportadas nos porões das aeronaves, com destino à China e Vietname.  

As malas de porão eram preparadas e adaptadas previamente para o transporte dissimulado de meixão vivo. A rede recorria, por exemplo, a malas térmicas e à colocação de garrafas de água congelada, para manter a temperatura baixa no seu interior e, assim, manter o maior número de espécimes vivos durante a viagem aérea.

Em Portugal, as investigações decorreram integradas num quadro de cooperação internacional conjunta, tutelada pela EUROPOL e envolvendo, em particular, a ASAE, o Serviço de Proteção Ambiental (SEPRONA) da Guarda Civil Espanhola e o serviço OSCLAESP da Gendarmerie francesa, que mantiveram um permanente contacto operacional.

No âmbito desta operação, foram efetuadas três detenções em flagrante delito (para as quais se contou, inicialmente, com a colaboração da Autoridade Tributária e, nos meses seguintes, no desenvolvimento posterior do inquérito e já no desenho das rotas e do modo de atuação do grupo a ASAE monitorizou a movimentação dos vários arguidos, que iniciavam os seus trajetos em Espanha, transportando o meixão em táxis, entravam em Portugal, onde permaneciam durante algumas horas em residências arrendadas (que funcionavam como pontos de apoio) e, posteriormente, estes «correios» tentavam exportar o meixão em voos internacionais, tendo sido intercetados pela ASAE antes de abandonarem o País.

A ASAE relembra que esta espécie está protegida através do Regulamento (CE) do Conselho nº 338/97, de 9 de dezembro de 1996, que aplica a Convenção CITES (Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies de Fauna e Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção.

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