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Antigo inspetor da PJ do caso Joana “envergonhado” por assaltos violentos a coberto de “mandados de busca falsos”

Segurança

Por Redação
14 março 2019

O antigo inspetor da PJ, que investigou o caso Joana Cipriano (a menina de 8 anos, desaparecida e dada como morta em 2004 no Algarve) e ex-vice presidente do Sporting, Paulo Pereira Cristóvão, disse esta quarta-feira, no Tribunal de Cascais sentir-se envergonhado por ter estado envolvido em dois assaltos a residências, em Cascais e Lisboa e pediu desculpa às vítimas.
Cristovão, no entanto, apenas assumiu ter tido o papel de ‘pombo-correio’ ao fazer a ponte entre os arguidos Celso Augusto e Nuno Mendes (Mustafá), com vista à cobrança de supostas dívidas, tendo negado ser o cabecilha de uma alegada rede criminosa de assaltos violentos a residências na Área Metropolitana de Lisboa.
À saída do Tribunal de Cascais, Paulo Pereira Cristóvão confirmou aos jornalistas ter-se limitado a fazer "a ponte" entre os arguidos por "amizade a um amigo", referindo-se ao também arguido Celso Augusto.
Já Nuno Mendes “Mustafá”, líder da claque Juventude Leonina, acusou Pereira Cristóvão de estar a mentir para se defender, assegurando que irá revelar a verdade dos factos em julgamento.
Pereira Cristóvão disse ao coletivo do Tribunal de Cascais que apenas conhece três dos arguidos: Celso Augusto, que conheceu em finais de 2011, quando ainda era vice-presidente do Sporting, 'Mustafá' e Paulo Santos, que tem a alcunha de 'Bábá' e que é irmão de 'Mustafá'.
Quanto ao assalto à residência em Cascais, realizado a 27 de fevereiro de 2014, o antigo inspetor da Polícia Judiciária (PJ) relatou ao coletivo de juízes que foi Celso Augusto quem lhe falou que pretendia fazer uma "cobrança" de uma comissão de 100.000 euros a um empresário do ramo imobiliário, com negócios no Brasil, relativos a 10% de um negócio de um milhão de euros.
Ainda segundo o antigo inspetor da PJ, foi Celso Augusto que lhe pediu para "falar com 'Mustafá'" no sentido de avançar com a cobrança da alegada dívida, acrescentando que, após falar com 'Mustafá', este "anuiu" ao plano e lhe disse que o seu irmão, conhecido por 'Bábá', "tinha uns polícias que faziam isso como se fosse uma busca".
"Dentro daquela ilicitude, o facto de me dizer isto deixou-me de alguma forma mais descansado do que se fosse uns tipos quaisquer que entrassem numa casa com violência", procurou justificar o antigo inspetor da PJ, sublinhando que o plano passava por o arguido Celso Augusto ficar com os 100.000 euros e os outros arguidos com o restante do dinheiro que pudesse eventualmente estar no cofre.
Depois de realizada a cobrança, levada a cabo por quatro dos arguidos, dois deles agentes da PSP, com um mandado de busca falso, enquanto Pereira Cristóvão e 'Mustafá' ficaram na viatura, o arguido Paulo Santos ('Bábá') foi falar com os arguidos que foram ao apartamento e que trouxeram da residência 80.000 euros.
Pereira Cristóvão afirmou que, mais tarde, quando foi ter com o arguido Celso Augusto, este ficou "extremamente irritado" por haver apenas 80.000 euros. Por sua sugestão, frisou, Celso Augusto ficou com metade e deu 40.000 euros aos outros arguidos.
O ex-inspetor da PJ assumiu ter recebido 10.000 euros das mãos de Celso Augusto, montante que, entretanto, devolveu ao empresário assaltado.
O segundo assalto aconteceu em abril de 2014 a uma residência na Avenida do Brasil, em Lisboa, na qual moraria alguém responsável por alegadas burlas ao banco BPN, e que estaria em dívida com o arguido Celso Augusto e guardaria dinheiro "debaixo dos tacos".
Paulo Pereira Cristóvão assumiu que, a pedido de Celso Augusto, foi à internet ver a morada da habitação e que voltou a fazer "a ponte" com 'Mustafá'.
O ex-inspetor da PJ descreveu que "os homens que foram à residência não encontraram" nenhum dinheiro no chão da residência, salientando que, para si, esse foi o momento em que deixou de ter contato com os restantes arguidos.
Perante o coletivo, Paulo Pereira Cristóvão garantiu que sempre esteve "ciente" da gravidade dos factos, razão pela qual se sente "envergonhado" da sua postura, assumindo a culpa e o erro da sua participação nos mesmos.
A próxima sessão do mediático julgamento está agendada para o próximo para 25 de março, e nela irão prestar declarações um dos agentes da PSP e o arguido Celso Augusto.

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