Por Valdemar Pinheiro
Mandou vir a mãe de Niterói, no Rio de Janeiro e primeiro
alojou-a na casa que possui no Bairro de Santo António, Estoril, e depois no
prestigiado Hotel Baía, em Cascais. D. Roza Vegele, senhora praticamente
analfabeta que irá completar no dia 13 de julho próximo 90 anos de vida na
cadeia de Tires, onde está detida preventivamente, nunca terá imaginado que “estaria
a ser vítima de mais um “esquema” montado pelo próprio filho, o luso-brasileiro
José Eduardo Vegele, que fontes policiais classificam como um autêntico
“Super burlão”.
De repente, em Portugal, D. Roza viu-se nomeada
gerente de uma empresa (a Green Earth- Investimentos Imobiliários e Turísticos,
Lda) que, pensaria ela, o filho tido como empresário de sucesso em Portugal,
tinha criado na área do ramo imobiliário, mas tarde de mais deu conta de que,
afinal, tudo era uma enorme fraude - mais uma para a qual o filho Vegele tinha
arrastado quase toda a família.
Em causa um negócio fraudulento, em que terão
sido enganados empresários, advogados, notários e funcionários de conservatórias
do registo predial e comercial e que poderia ter rendido um milhão de euros,
mas que acabou por ficar-se pelos 300 mil, entretanto transacionados, através
de transferências, por várias contas a partir de várias agências bancárias da
Costa do Estoril.
Ao todo, o Departamento de Investigação e Ação
Penal de Lisboa (DIAP) acaba de acusar 7 arguidos. A maioria deles são familiares
(mãe, irmãos e filhos) de Vegele, com exceção de dois, um dos quais conhecido
falsificador, ao tempo dos factos detido em cumprimento de pena no
Estabelecimento Prisional de Lisboa (EPL), mas que terá, a partir da cadeia
forjado documentos, o que, no entanto, poderá vir a levantar algumas dúvidas.
Em suma, a acusação refere que em maio do ano
passado, “no seguimento do plano traçado e com conhecimento e aprovação dos
demais arguidos”, Roza Vegele “deslocou-se à Conservatória do Registo Comercial
do Porto e requereu que fosse registado a designação da própria arguida como
gerente da sociedade Green Earth”, tendo exibido uma ata falsificada perante a
escriturária”, a qual veio a tornar-se definitiva em outubro de 2016.
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| A idosa Roza Vegele ocupou o quarto 420 no Hotel Baía |
Com este registo pretendia-se, como plano final,
vender um edifício, pertença da sociedade, cuja gerência fora fraudulentamente
usurpada e situado entre as ruas Luciano Cordeiro e Nogueira de Sousa, em
Lisboa, avaliado em alguns milhões de euros.
Os burlões terão tentado, numa primeira fase,
vender o imóvel por 455 mil euros a Sérgio Silva, um empresário do Norte do
País e, posteriormente por cerca de um milhão de euros a João Janico, gerente
da sociedade de construções S. Joanico, Lda, com sede em Montelavar, Sintra.
Terão, inclusivamente, enganado o advogado representante da construtora, Luís
Balão, com escritório no Estoril.
Foi antes de concluírem o negócio fraudulento com
esta última construtora que foram detidos pela Divisão de Investigação Criminal
da PSP de Lisboa.
Pelo meio, no entanto, tinham recebido 434 mil
euros através de venda intermediária com uma alegada empresa Prédigonda –
Sociedade de Promoção Imobiliária Unipessoal, Lda, a qual posteriormente
planearia vender o edifício lisboeta à construtora S. Joanico.
A acusação contra este maquiavélico e,
aparentemente bem planeado, mas mal sucedido golpe, está aí!
ESCÂNDALO UNIARME
No último ano do século passado, uma investigação
do jornal “A CAPITAL” denunciava uma das maiores fraudes no comércio ilegal de
bebidas praticadas até então em Portugal e que terá faturado 50 milhões de
euros. O escândalo ficou conhecido como “Caso Uniarme”. O alegado “cérebro” foi
José Eduardo Vegele.
À época, foragido da Justiça portuguesa, foi entrevistado, em exclusivo, em Cáceres, Espanha. “Inocente”, dizia ele ao jornalista. Dois meses depois, ao tentar embarcar para o Brasil, foi detido no aeroporto de Barajas, em Madrid e extraditado para Portugal.
Entre a entrevista e a detenção de Vegele, o jornalista foi chamado a depor perante o então e alegadamente “temido” Procurador João Guerra que, à viva força, mas sem sucesso, tentou acusá-lo de obstrução à Justiça e de violação do Segredo de Justiça!.
Um interrogatório de quase 4 horas! Na óptica do então Procurador, o “Jornalista Valdemar Pinheiro devia ter informado as autoridades de que ia a Espanha entrevistar um fugitivo, com mandado de captura internacional” e, ao não fazê-lo, veio a “pactuar com um agente do crime, fortemente indiciado pelos crimes (…). O processo acabou arquivado. É que Jornalista não é Polícia!
À época, foragido da Justiça portuguesa, foi entrevistado, em exclusivo, em Cáceres, Espanha. “Inocente”, dizia ele ao jornalista. Dois meses depois, ao tentar embarcar para o Brasil, foi detido no aeroporto de Barajas, em Madrid e extraditado para Portugal.
Entre a entrevista e a detenção de Vegele, o jornalista foi chamado a depor perante o então e alegadamente “temido” Procurador João Guerra que, à viva força, mas sem sucesso, tentou acusá-lo de obstrução à Justiça e de violação do Segredo de Justiça!.
Um interrogatório de quase 4 horas! Na óptica do então Procurador, o “Jornalista Valdemar Pinheiro devia ter informado as autoridades de que ia a Espanha entrevistar um fugitivo, com mandado de captura internacional” e, ao não fazê-lo, veio a “pactuar com um agente do crime, fortemente indiciado pelos crimes (…). O processo acabou arquivado. É que Jornalista não é Polícia!
Em Novembro de 2003, o “Escândalo Uniarme”, como
ficou conhecido à época, foi julgado.
As penas mais pesadas recaíram sobre o
luso-brasileiro José Eduardo Vegel, alegado "cérebro" da fraude,
Armando Barros e António Barata, a quem o tribunal atribuiu também papéis
preponderantes. Nas empresas, só a central de compras Uniarme foi absolvida,
sendo as restantes 42 sociedades condenadas com multas, entre 5000 e 300 mil
euros, que reverteram a favor do Estado. A firma mais penalizada foi a Arcol.
Na altura, explicando a absolvição da Uniarme, o
juiz-presidente do coletivo, António Coelho, disse que a eventual culpabilidade
da empresa só pode comprovar-se quando se julgar, em processo separado, o seu
antigo director comercial Paulo Valadas. Mesmo assim, é preciso provar que
Paulo Valadas tinha conhecimento dos negócios fictícios e que a Uniarme
"sabia que ele sabia", disse, então, o magistrado.
Na leitura do acórdão, o juiz-presidente destacou
a "elevadíssima gravidade e ilicitude dos factos" e sublinhou que os
arguidos condenados desenvolveram a fraude de forma "engenhosa e
minuciosa, não hesitando em falsificar o que quer que fosse", incluindo
carimbos de entrepostos fiscais, "para conseguir os seus objetivos".
Com o seu comportamento, os arguidos manifestaram posturas de
"deliberada marginalidade", lesando o Fisco em "muitos milhares
de contos" e "frustrando" as regras da concorrência entre
empresas.
O processo “Uniarme” tinha 240 volumes, 75 mil páginas e cada sessão de
julgamento custou em 2500 euros, num total de 200 mil euros para um conjunto de
80 sessões.
O processo foi instruído pela juíza Fátima Mata- Mouros, do Tribunal Central
de Instrução Criminal, antecessora do superjuiz Carlos Alexandre.
José Eduardo Vegele foi condenado a 5 anos de
prisão efetiva.
ENGANOU AGENTES ANTIDROGA DA PSP
José Eduardo Vegele é um autêntico “artista”- um
homem multifacetado no submundo dos negócios…obscuros.
Já depois de condenado e de cumprir pena pelo
“Escândalo Uniarme”, Vegele ter-se-á envolvido em estranhos negócios de tráfico
de droga.
Apanhado, julgado e condenado, Vegele entrou na
cadeia de Pinheiro da Cruz, em Grândola, para cumprir 6 anos de prisão efetiva.
Em circunstâncias ainda por apurar, mas que
tiveram a ver com o narcotráfico, José Eduardo Vegele enquanto a cumprir pena
em Pinheiro da Cruz logrou convencer agentes antidroga da Divisão de
Investigação Criminal da PSP de que lhes poderia “entregar traficantes e uma
enorme quantidade de droga”.
No dia 28 de julho de 2016, os agentes da PSP,
devidamente autorizados judicialmente, foram-no buscar ao Estabelecimento
Prisional de Pinheiro da Cruz. O plano era Vegele servir de “isco” para a
grande apreensão de droga!
A caminho de Lisboa, Vegele convenceu os polícias
de que “precisa de mudar de roupa e tomar um banho” antes do “encontro que
daria lugar à grande apreensão” e indica-lhes a casa que possuía no Estoril.
Enquanto os agentes esperavam na viatura, José
Eduardo Vegele escapou-se pela porta das traseiras da casa. Só foi recapturado
no dia 17 de novembro do ano passado.
Atualmente, José Eduardo Vegele, que possui
também diversos processos pendentes na Justiça brasileira, encontra-se detido
no Estabelecimento Prisional de alta segurança de Monsanto.





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