Nova Divisão Policial de Cascais (ainda) a funcionar a “meio gás” com quadro de energia provisório de empreiteiro

Segurança

 

                            20 agosto 2019

Mais de um mês depois de ser inaugurada com “pompa e circunstância” pelo presidente do chamado governo local de Cascais, Carlos Carreiras, e pelo ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, a nova sede da Divisão Policial de Cascais está a funcionar a “meio gás”, ainda não tendo recebido outras estruturas policiais por, alegadamente, a energia elétrica, de fraca potência, ainda estar a ser servida pelo quadro provisório de obras do empreiteiro - a construtora nortenha ABB, apurou Cascais24. 

 

A nova Divisão Policial de Cascais, vulgo antigo “Edifício Amarelo”, na avenida engenheiro Adelino Amaro da Costa, foi inaugurada a 16 de julho último, ao fim de 20 anos de avanços e recuos, de polémicas e mil trapalhadas pelo meio, às quais não foi alheio um dos arguidos no Processo Marquês – Carlos Santos Silva, o amigo do antigo Primeiro-Ministro José Sócrates. 

 

Neste momento, a nova Divisão Policial alberga o respetivo Comando e serviços administrativos, bem como a Brigada de Fiscalização/EIFP, confirmou, a Cascais24, o Comando Metropolitano da PSP de Lisboa (Cometlis), que justifica o atraso na instalação de outras estruturas policiais por “ainda decorrerem obras no edifício”. 

 

O Cometlis não respondeu à questão de, na origem no atraso, poder estar eventualmente o quadro provisório do empreiteiro, tendo-se limitado a informar Cascais24 de que “esperamos que na primeira quinzena de Setembro se inicie processo de  mudança para as outras esquadras que estão previstas funcionarem naquelas instalações”. 

 

Esquadra de Trânsito em São Domingos de Rana

Em causa estão as Esquadra de Investigação Criminal, a funcionarem no Monte Estoril, e de Trânsito, em São Domingos de Rana, esta que encerra depois das cinco horas da tarde e só reabre às nove horas da manhã e, aparentemente, sem segurança nas respetivas instalações. 

 

A conclusão do edifício da nova Divisão Policial de Cascais custou 1.731.485,41 euros, com IVA incluído, de acordo com o contrato celebrado entre o município e a construtora nortenha ABB, ao qual Cascais24 teve acesso. 

 

O contrato celebrado a 5 de abril de 2018 entre o município e a construtora Alexandre Barbosa Borges SA, sediada em Marim, Barcelos, que venceu a adjudicação, por concurso público, ao qual concorreram outras 7 empresas, tinha um prazo de execução de 480 dias. 

 

Esquadra de Investigação Criminal (EIC) no Monte Estoril

A construtora ABB é uma empresa de reconhecido mérito no mercado nacional e internacional, embora no seu passado recente tenha sido “assombrada” com a morte de cinco trabalhadores na queda de uma parede, durante as obras de recuperação do mercado do Livramento, em Setúbal, em julho de 2012. 

 

Os mais de 1,7 milhões de euros e não 2,8 milhões, que o município de Cascais investiu, serão devolvidos nos próximos 50 anos pela PSP. 


Negociata

A construção da sede da PSP de Cascais foi uma das 17 grandes obras que o MAI adjudicou entre 1996 e 1999 à Conegil, do Grupo HLC e do empresário Carlos Santos Silva, amigo do então Primeiro-Ministro José Sócrates, arguido no célebre processo Marquês. 

As adjudicações foram feitas à época pelo GEPI, um gabinete do MAI então dirigido por António Morais - engenheiro que foi nomeado por Armando Vara para as funções quando era professor de Sócrates na entretanto extinta Universidade Independente e foi, entretanto, também acusado de corrupção no caso do processo Cova da Beira. 


Além de entregar a obra da futura sede da PSP de Cascais à Conegil, por 2,8 milhões de euros, António Morais adjudicou a sua fiscalização a Joaquim Valente, um autarca da Guarda e igualmente amigo de José Sócrates. 

A obra foi abandonada em 2002, com a falência da empresa com dívidas de 20 milhões de euros, dos quais 1,6 milhões ao Ministério da Administração Interna. Os trabalhos foram posteriormente retomados por um outro empreiteiro, que também a abandonou sem a acabar. 


Construtora

A construtora que agora concluiu as obras do futuro Comando da PSP, em Cascais, surgiu no mercado em 1968, sendo hoje uma sólida referência na área da construção civil, tanto no mercado português, como além-fronteiras, em países como a França, Líbia, Angola, Cabo Verde e Moçambique. 

No seu portfólio, a ABB conta com grandes clientes, grandes obras e projetos inovadores.

No futuro, segundo este grupo, “os objetivos são o contínuo crescimento no mercado nacional e a expansão internacional, consolidando a sua posição nesses países e apostando nas áreas mais recentes em que atua, como o ambiente e a energia”.

O Grupo ABB é constituído por um amplo conjunto de empresas, de diferentes áreas de negócio: terraplanagens; infraestruturas; arranjos paisagísticos; construção civil e obras públicas; AVAC; estruturas metálicas; fornecimento de betão; pavimentações betuminosas; imobiliária; gestão de resíduos; agregados e rochas ornamentais, entre outros.

Com reconhecida experiência, caracteriza-se pela solidez financeira, competitividade, constante inovação, qualidade, respeito pelo ambiente e compromisso com o cliente.

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