| As três jovens mortas em Tires e cujos corpos foram lançados para uma fossa do canil |
BELO HORIZONTE (Especial para CASCAIS24) - Mais de
100 anos de prisão é o que espera Dinai Alves Gomes, o brasileiro, de 35 anos, agora
acusado pelo Ministério Público Federal em Minas Gerais de ter morto a suposta
amante, a cunhada e a companheira dela em fevereiro do ano passado, em Tires,
no concelho de Cascais.
De acordo
com a acusação, Dinai matou as brasileiras Lidiana Neves Santana, 16 anos, e
Thayane Milla Mendes Dias, 21 anos, para assegurar a execução de outro crime -
o homicídio da também brasileira Michele Santana Ferreira, 28 anos, a sua
suposta amante, o qual viria a ocorrer horas mais tarde.
O móbil do
crime “era evitar que a companheira” de Dinai, no Brasil “descobrisse o relacionamento
extraconjugal”.
A acusação
a Dinai Alves Gomes no Brasil só foi possível graças à cooperação entre a
Unidade Nacional Contra Terrorismo da PJ, que investigou o triplo homicídio e
recolheu todas as provas em Portugal, a Polícia Federal brasileira e os
Ministério Público dos dois países.
Dinai
Alves Gomes vivia em Portugal desde 2004, trabalhando como encarregado geral do
Canil e Gatil Quinta Monte dos Vendavais, situado em Tires. Embora tivesse
companheira e uma filha no Brasil, começou no exterior um relacionamento com
Michele, que emigrara para Portugal em 2008.
Testemunhas afirmaram tratar-se de
um “relacionamento bastante conturbado, inclusive com ameaça de morte feita
pelo acusado a Michele caso ela engravidasse”.
Ainda segundo a acusação do Ministério Público brasileiro, “é possível que ela (Michelle)
estivesse grávida, conforme mensagem que enviou à mãe relatando a suspeita da
gravidez”.
Em
novembro de 2015, Lidiana, irmã de Michele, também resolveu fixar residência em
Portugal, e alguns dias depois de sua chegada, as “duas mudaram-se para a casa
do denunciado”, passando a morar com ele.
E, o
Ministério Público brasileiro acrescenta: “Pouco tempo depois, em 29 de janeiro
de 2016, a outra vítima, Thayane, namorada de Lidiane, viajou para Portugal e
foi o próprio Dinai quem intercedeu junto ao Serviço de Estrangeiros e
Fronteiras para que ela pudesse entrar no país”.
A acusação
refere, ainda, um dado curioso: “Ocorre que, apenas dois dias depois, a
companheira de Dinai no Brasil avisou-o que teria antecipado viagem a Portugal,
que inicialmente estava prevista para o final de fevereiro”.
Na manhã
do dia 1 de fevereiro, assim que Michele saiu para o trabalho, o acusado matou
Thayane e Lidiane, lançando os corpos para o interior de uma fossa séptica que
ele próprio havia montado no canil, no Monte dos Vendavais, em Tires.
Dinai
praticou o crime no interior do anexo que habitava, “caracterizando a
violência praticada contra a mulher no âmbito da unidade doméstica, conforme
prevê a Lei Maria da Penha”, diz o Ministério Público brasileiro.
“Em
seguida, após retirar de sua casa os objetos e documentos das vítimas,
dirigiu-se ao aeroporto para ir buscar a mulher e a filha que haviam chegado do
Brasil”, precisa a acusação brasileira.
Segundo o
Ministério Público de Minas Gerais, naquele dia, “às 19h32, Dinai buscou
Michele no trabalho, em Lisboa, chegando a Tires um pouco antes das 20h30,
quando então a matou, por motivo torpe - para impedir que sua companheira no
Brasil soubesse desse relacionamento e da possível gravidez de Michele. O corpo
dela foi colocado na mesma fossa onde estavam as outras vítimas”.
A acusação,
entregue para julgamento na 11.ª Vara da Justiça Federal, em Belo Horizonte, afirma
que, "após a ocultação dos três cadáveres, Dinai teve o cuidado de elevar
a boia que controlava o nível da água, a fim de que a fossa ficasse quase
cheia, bem como cortou o fio elétrico do alarme de aviso do nível da água e
recolocou a proteção metálica sobre a fossa, tudo com a finalidade de garantir
que os corpos não fossem descobertos".
Conforme o
MPF, nos dias seguintes, Dinai “usou diversas estratégias para ocultar a morte
das mulheres: ligou para a empregadora de Michele dizendo que a mãe dela tinha
falecido e que, por isso, ela e a irmã haviam retornado ao Brasil. Após, entrou
em contato, através de um aplicativo de celular, com a própria mãe de Michele,
fazendo de conta que era a filha que estava enviando as mensagens, nas quais
simulava uma situação de normalidade entre eles”.
Entretanto,
no dia 22 de fevereiro, Dinai informou uma funcionária da Quinta Monte dos
Vendavais que a “sogra tinha falecido e ele teria de retornar ao Brasil,
efetivamente fazendo-o no dia seguinte”.
Os
cadáveres das três jovens cidadãs brasileiras só foram encontrados cerca de
seis meses depois, em 26 de agosto, durante a manutenção da fossa séptica pelo
funcionário que sucedeu Dinai no trabalho na Quinta dos Vendavais e alertou as
autoridades.
Durante as
investigações, apurou-se que Dinai havia, inclusive, praticado outro crime
violento contra Michele do qual ela sequer teve conhecimento em vida.
![]() |
| Dinai está preso na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem |
Na
acusação, o MPF sublinha que "o roubo se restringiu exclusivamente ao
telefone celular da vítima, mas as agressões foram muito além do necessário
para a subtração".
O
telemóvel veio a ser encontrado numa prateleira da oficina do Canil e Gatil
Quinta Monte dos Vendavais, por sinal, no mesmo lugar onde posteriormente foi
encontrado um par de chinelos com vestígios biológicos de uma das vítimas do triplo
homicídio.
Dinai
Alves Gomes está desde setembro do ano passado na Penitenciária Nelson Hungria,
em Contagem, no Estado de Minas Gerais e deverá começar a ser julgado dentro de
dois meses.
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