Pombos: quando passou o símbolo da Paz a inimigo de Guerra?

Opinião




Cascais à semelhança de tantos locais antrópicos é terra de cascalenses nascidos e criados, viajantes, que por aqui se apaixonaram e nidificaram, de um conjunto de fauna e flora autóctone da Serra e da Costa. O PAN, como partido holístico e integrado que é, dá voz a todos e a todas no concelho. No entanto é sobre outros seres, domesticados por nós, seres humanos, nas várias cidades e vilas, a quem hoje damos voz. 

O pombo-comum teve uma importância histórica e social fundamental na História da Humanidade. Há referências ao elo destes animais connosco desde a antiguidade. No primeiro conflito mundial o pombo herói Cher Ami (“querido amigo”), ao serviço das tropas aliadas como correio, ajudou a salvar centenas de vidas.

Foram muitas as figuras notáveis quer se aperceberam do valor destas aves, como seja o génio Nikola Tesla, que ajudava todos os pombos feridos que encontrava criando suportes de asas para poderem voar, e que adotou mesmo uma pomba branca que amou até ao final da sua vida. Outro exemplo o Pintor Pablo Picasso que se inspirava tanto nestas criaturas que deu o nome de Paloma à sua filha, que em espanhol significa pomba.

Mas, não obstante esta importante ligação histórica, actualmente a sociedade tende a esquecer, ignorar ou descontextualizar este vínculo harmonioso. É comum ouvir expressões como “ratos com asas” ou “pragas urbanas” quando se referem a esta ave.

Relembramos que o pombo é também, reconhecido no nosso código civil, como um ser vivo dotado de sensibilidade. Este ser único tem muitas vezes um parceiro/a para a vida e são pais exemplares dividindo a responsabilidade de cuidar do ninho entre si para permitir que o outro/a possa descansar e alimentar-se, algo que nós humanos só agora estamos a consolidar na nossa espécie em pleno século XXI. Temos muito a aprender com eles e sem dúvida que também estes merecem o nosso respeito e empatia e as políticas municipais em curso devem reflectir estes valores éticos reforçados na alteração do Código Civil.

Devemos evitar, desde logo, a prática de meios de controlo populacional susceptíveis de provocarem sofrimento ou a morte destes animais.

Reconhecemos que existe, uma densidade populacional de pombos elevada e inerente a vários factores. Porém esta sobrepopulação não pode, por razões éticas e de eficácia metodológica, ser combatida com os processos desactualizados de abate sistemático, ou com a contratação de serviços falcoeiros.

A câmara municipal de Lisboa, em tempos vanguardistas com as recomendações do PAN para implementação de pombais contraceptivos, apresenta hoje um retrocesso incompreensível no que toca ao bem-estar e proteção animal com o recurso a falcões. Este método em si, além de lesivo para os pombos da cidade, (pois os falcões não se limitam a afugentar os pombos), pode ameaçar outros falcões locais. Os casais de falcões reprodutores já existentes na cidade face à presença de outros indivíduos podem vir a desaparecer. Esta medida é também susceptível de provocar um desequilibro na biodiversidade já existente na cidade. 

Assim, e visto que o PAN prima pelo princípio da não-violência, na senda de projectos de sucesso estabelecidos noutras cidades, sabemos que a solução para a diminuição da sobrepopulação de pombos passa pela implementação de uma rede de pombais contraceptivos no concelho e por realizar campanhas de sensibilização, à população Cascalense, sobre a história, o papel e a importância destes seres na nossa sociedade e na desmistificação desta espécie como vector de propagação de doenças.

Nesta linha o Grupo Municipal do PAN Cascais apresentou uma recomendação para a implementação de uma rede de pombais contraceptivos em comunhão com campanhas de sensibilização no dia 29 de janeiro em sede de Assembleia Municipal. A mesma baixou à comissão de especialidade e vem reforçar o projeto em curso deste executivo com vista à implementação de uma rede de 6 pombais no concelho. 

Cascais tem apostado e implementado pioneiras políticas públicas de protecção e de bem-estar animal e cremos que o município pode ser uma figura de proa também nesta matéria abrindo assim caminho para uma maior consciência e respeito a estes seres. Ao que tudo indica a recomendação do PAN terá o acolhimento dos restantes grupos municipais na própria Assembleia Municipal. Assim seja, pelo bem destes seres. 




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