Carreiras falha negócio “duvidoso” com Universidade Católica para Cascais

Atual

Por Redação
26/08/2018

Proposto pelo antigo vereador Ricardo Batista Leite e “apadrinhado” por Carlos Carreiras, o negócio para instalar nos edifícios do antigo Hospital de Cascais e do SMAS, na avenida do Ultramar, a Universidade de Medicina Privada da Católica, acabou, agora, por ficar sem efeito, com o chefe do Governo local, Carlos Carreiras, a reconhecer o fracasso e a anunciar que para aquelas ícones instalações estão atualmente em estudo “habitação social e o reforço do estacionamento para o centro de Cascais”.


João Ruivo, vereador do PS
Questionado na última reunião do executivo pelo vereador socialista João Ruivo, que considerou estar-se perante “uma situação preocupante”, Carlos Carreiras confirmou que a “Universidade Católica não vem para Cascais, porque tinha acordo com a Câmara Municipal de Sintra para instalar as suas instalações da Faculdade de Medicina em Sintra”.
Carlos Carreiras reconheceu fracasso


Em 2016, Carlos Carreiras anunciava, publicamente, que a futura faculdade seria instalada no antigo hospital Condes de Castro Guimarães, no centro da vila, com uma extensão para o antigo edifício dos SMAS (Serviços Municipalizados de Água e Saneamento).

“O antigo edifício dos SMAS será cedido pela autarquia e o antigo hospital será vendido ao grupo de saúde para que seja um hospital universitário”, informava Carreiras depois da proposta ter sido levada a reunião do executivo pela mão do então vereador Ricardo Batista Leite, mas que acabou por ser “apadrinhada” pelo próprio presidente Carreiras depois do vereador do PCP, Clemente Alves, ter feito notar que “havia um conflito de interesses”, dado Batista Leite ser coordenador científico de Saúde Pública na Universidade Católica Portuguesa.
Vereador do PCP denunciou "conflito de interesses"


“Não vou pôr isto em termos pessoais, mas a Câmara de Sintra decidiu acionar a Universidade Católica com umas garantias por incumprimento de acordos, que tinham um valor substantivo que a Católica não podia pagar a fundo perdido”, explicou Carlos Carreiras na última reunião do executivo, sem citar o nome de Basílio Horta, o antigo centrista, que enveredou pelas hostes socialistas e, com dois mandatos, está a liderar Sintra.

Nas explicações dadas ao vereador do PS João Ruivo, o presidente do executivo revelou, ainda, que “Cascais não vai acionar qualquer pedido de indemnização à Universidade Católica, porque não é a postura de Cascais”.


Antigo vereador Ricardo Batista Leite, mentor da proposta
O negócio envolvia, para além da Universidade Católica, o grupo Luz Saúde, liderado pelos chineses e, ainda, a Universidade holandesa de Maastricht, junto da qual, por coincidência ou não, o antigo vereador Ricardo Batista Leite, que é também deputado na Assembleia da República, obteve doutoramento em Saúde Pública e Gestão de Saúde!


SOLUÇÕES


Na sequência do fracassado negócio, o presidente da Câmara Municipal de Cascais revelou que “os dois edifícios (antigo hospital de Cascais e do SMAS) muito provavelmente serão direcionados para duas áreas estratégicas do ponto de vista municipal”.

Ainda segundo Carlos Carreiras, as duas estratégias “têm a ver com a função social da habitação e com o reforço do estacionamento para o centro de Cascais”.


Carreiras não especificou, embora tudo leve a crer que o edifício do antigo Hospital de Cascais venha a ser aproveitado para a enigmática, por enquanto, “função social de habitação” e o antigo edifício do SMAS, vulgo Águas de Cascais, construído sobre o antigo cemitério de Cascais, antes de transferir-se para a Guia, para um presumível “reforço de estacionamento para o centro de Cascais”.

O presidente do chamado Governo Local de Cascais não deixou, porém, de reconhecer que toda esta trapalhada “é matéria que estamos a estudar tudo isto tem que ser reformulado”.


PROMESSAS


Perante o revês no duvidoso processo Universidade Católica em instalar em Cascais uma faculdade de medicina privada (curiosamente, ainda não existe no País nenhuma acreditada oficialmente), o presidente do executivo cascalense, Carlos Carreiras, prometeu estar a estudar um negócio “mais vantajoso”.

Mais uma vez, sem pormenorizar, Carlos Carreiras garantiu na última reunião do executivo que “não ficamos de braços cruzados e estamos neste momento a trabalhar numa solução”, a qual “passa por reforçar a oferta de serviços de medicina no concelho de Cascais, pelo ensino universitário, na área da medicina e que, obviamente, não são negociações fáceis”.

No entanto, Carreiras assegurou que “muito em breve – nunca depois da primeira quinzena de setembro”, irá apresentar “um novo modelo em que continuamos a ter o reforço de serviços na área da Medicina em Cascais”.

De acordo com a promessa de Carlos Carreiras, o novo negócio passa por uma “Universidade Pública”, tratando-se, ainda segundo as suas palavras, de “uma solução muito melhor do que com a Católica…E com multinacionais”.

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