Cultura
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| 24/09/2018 |
Em cerimónia integrada nas comemorações do
Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, a Villa Romana de Freiria foi aberta ao público este sábado, com um
programa que começou pela manhã com uma viagem histórica pelo espaço e terminou
à noite com a representação da comédia “Lisístrata”, do clássico autor grego
Aristófanes.
Situada no vale entre Outeiro e Polima, na
freguesia de S. Domingos de Rana, a villa
foi identificada em 1980 e desde 1985 a 2002 foi alvo de 18 campanhas
arqueológicas anuais, sob orientação
dos arqueólogos Guilherme Cardoso e José d’Encarnação,
da Associação Cultural de Cascais.
Assim que se reconheceu o seu elevado valor
histórico, pela importância dos vestígios ainda preservados, foi proposta a sua
classificação como imóvel de
interesse público, o que viria a acontecer por força do decreto n.º 29/90, de
17-07-1990.
Por outro lado, dada a necessidade de se
proceder com urgência ao enquadramento urbanístico do sítio, a Associação Cultural de Cascais, por proposta do presidente
da autarquia, José Luís Judas, encomendou à equipa do arquitecto José Alves
Bicho a elaboração de um Plano de
Pormenor, que, após ter passado todas as fases de aprovação
por parte das entidades governamentais, se encontra em desenvolvimento desde
2006, no seio da autarquia, depois de ter sido sujeito também a todas as adaptações
que um plano deste tipo comporta.
O estudo dos materiais exumados e a descrição e interpretação
das estruturas identificadas foram, ao longo dos anos, feitas e publicadas
pelos arqueólogos responsáveis e
seus mais directos colaboradores, tendo culminado na apresentação por Guilherme Cardoso, a 26 de Janeiro de 2016, na
Universidade da Extremadura, da sua tese de doutoramento intitulada Estudo Arqueológico da Villa Romana de
Freiria, que virá a ser publicada, ainda este ano, pela Câmara Municipal de
Cascais.
Por conseguinte, é toda essa informação que, em síntese, a partir de agora passa a estar
disponibilizada nos painéis que acompanham o circuito de visita ora inaugurado.
Na cerimónia de inauguração, que teve lugar
este sábado, o arqueólogo municipal Severino Rodrigues resumiu a história do
sítio e chamou a atenção para a sua
relevância a nível nacional.
Por sua vez, o presidente da Câmara
aproveitou o ensejo para dar conta da atenção
que o seu executivo está a dispensar a estas questões do património, tendo-se
demorado a assinalar o que se planeava fazer para reabilitar, também, o Forte
de Santo António da Barra e para apoiar o projecto de Arqueologia Subaquática,
que acaba de proporcionar uma sensacional descoberta.
O programa de inauguração da reabilitação
da Villa Romana de Freiria estendeu-se até à noite, com alunos da Escola
Profissional de Teatro de Cascais, dirigidos por Carlos Avilez, a proporcionaram
a uma vasta assistência um magnífico espetáculo ao representarem a comédia do
clássico autor grego Aristófanes, Lisístrata.
Uma representação
bastante colorida e aplaudida, que teve como cenário os altos muros e as
dependências, bem conservadas, da grande termas do Sul, e durante a qual não apenas se
documentou o elevado nível de aprendizagem alcançado e a insuperável maestria
de Carlos Avilez para usar os mais diversos palcos adaptando à perfeição o
movimento dos atores às características dos espaços, como se demonstrou a bem
sugestiva potencialidade que estas ruínas detêm para nelas se levarem a efeito
espetáculos teatrais e outros.
Acrescente-se que as obras de requalificação da villa
– financiadas por um projecto comunitário, o Lisboa 2020 – estiveram a cargo do
departamento da Câmara ligado à Cultura, sob orientação
de João Miguel Henriques e Severino
Rodrigues, que reuniram em torno de si técnicos de outros departamentos
camarários, sendo de realçar o papel desempenhado pela empresa municipal Cascais
Próxima no alindamento dos acessos.








1 comentário:
"Foi aberta ao público este Sábado"
A notícia não informa se abriu, exclusivamente, este Sábado ou se está aberto todos os dias e se tem horário de abertura ao público.
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