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Por Redação26 fevereiro 2019
Cascais foi e sempre será tradicional e culturalmente Vila
de Pescadores! Quem os quer extinguir? Que negócios, que projetos estão em
curso? Em Cascais existe cerca de uma centena de pescadores em atividade, que são
o garante do sustento de dezenas de famílias! Esta segunda-feira, dois
dirigentes dos pescadores levaram as suas preocupações à Assembleia Municipal
de Cascais. “Os pescadores estão preocupados e têm razões para o estar quando
vêm a vontade voraz de se lhes retirar o que é seu por direito…. O uso
ancestral da praia dos pescadores e a Lota para ganharem o seu sustento”,
afirmou um deles, Paulo Alexandre Inácio Pina, em pleno plenário.
“Os pescadores de Cascais estão preocupados com as notícias
vindas a público sobre o que se pretende fazer na praia da Ribeira e com a possibilidade
de se acabar com a actividade piscatória em Cascais. E querem explicações… e
querem respostas concretas para o que consideram ser grave”, começou por
declarar na Assembleia Municipal um dos dirigentes.
Depois de salientar que “recentemente foram assinados
protocolos, foram realizadas reuniões, foram desenhados projectos que
conflituam com a lota de Cascais e com a praia da Ribeira, todos sem terem em
conta as necessidades dos pescadores e das suas famílias”, o mesmo dirigente
sublinhou que “é preciso ter presente que a hipotética transformação da praia
da Ribeira em mais uma zona balnear, quando o concelho tem já 15 praias
classificadas como balneares, impedirá o ganha-pão aos cerca de 100 pescadores
que têm na praia da ribeira o seu Porto de Abrigo”.
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| Paulo Inácio Pina |
No uso da palavra, no tempo concedido ao público, o
dirigente pediu e questionou: “Não acenem com editais, com sites na internet… isso não é querer, nem é promover com seriedade
a participação dos interessados… Quantos dos 100 pescadores que usam a Lota de
Cascais foram ouvidos no âmbito do Protocolo entre a Câmara de Cascais e a
Docapesca? Quantos dos 100 pescadores foram consultados na proposta do Programa
para a Orla Costeira Alcobaça – Cabo Espichel?
E, o mesmo dirigente assegurou: “Do que conhecemos, dos
pescadores no activo, nem um foi ouvido…”.
E voltou a questionar: “Então os pescadores não são parte
interessada quando pode estar em causa o único porto seguro em muitos
quilómetros de costa? E onde vão os pescadores de Cascais guardar os seus
aprestos? E onde vão descarregar e vender o seu pescado, fruto do labor difícil
de todos os dias… à chuva e ao sol?”.
Mais à frente, na sua intervenção, rematou: “Tiraram-nos o
estacionamento, retiraram-nos as condições adequadas para guarda e manutenção
dos equipamentos, deixaram de fazer a recolha de resíduos em condições
adequadas… querendo dar ao público a ideia errada de que os pescadores não
sabem cuidar do que é seu e do que é de todos… “.
“Fala-se em Cascais elevado às pessoas… Não serão os
pescadores pessoas? Não serão os pescadores cidadãos, munícipes a ter em conta
e a defender?”,questionam.
“Os pescadores merecem ser ouvidos, merecem ser defendidos,
merecem respeito! Cascais também é dos pescadores”, concluiu, não sem sublinhar
que “esta Assembleia tem a obrigação de defender os justos direitos dos
pescadores – que a praia dos pescadores continue a ser o que sempre foi… um
porto de abrigo de quem, de noite e de dia, ao sol e à chuva retira do mar o
seu sustento e que a Lota de Cascais se mantenha como tal, defendendo
adequadamente a qualidade do pescado que aí é descarregado e os rendimento de
quem faz da pesca o seu ganha-pão”.




5 comentários:
Ora cá está o que faz falta em varios assuntos que se passam em Cascais e não só:
A participação activa por parte das pessoas, os cidadãos exercerem intervenção directa na defesa dos seus interesses, contra os partidocratas que ao invés de defenderem o interesse do povo e da Nação, defendem os seus interesses e dos grupos económicos por trás de si.
Há quem pense que acabar com a cultura e com os modos de vida dos povos, para fomentar turismo selvagem e angariar formas de coleta, será um sinal de modernidade.
Nada mais falso. A cultura da pesca e a faina piscatória sempre atraiu o turismo endógeno e exógeno, em todas as zonas piscatórias do país, para além de que granjeia a fama de terra onde se pode comprar e comer do melhor peixe pescado em mar.
Deixem de ser burros.
Pois, mas os interesses de quem pode e manda na edilidade, falam mais alto. A questão dos pescadores e as restantes questões ou decisões tomadas e a tomar pela edilidade, visam somente satisfazer grupos que pretendem fazer de Cascais a sua quinta. Paulatinamente o concelho vai sendo destruído,descaracterizado, "assassinado" em termos ambientais, para dar lugar ao betão satisfazendo a ganância de alguns. E o que é mais irónico é que o "extermínio" do território em prol do betão, é anunciado como sendo do interesse da população. Como se condomínios de luxo, carros de luxo, hotéis de luxo,vidas e gentes de luxo me nos suscitem prazer ou interesse ! Nem os pescadores e a praia escapam !
Alguém no passado recente se apropriou das genuinas Festas do Mar , que originalmente eram fomentadas pela Associação de Pescadores ... agora querem acabar com o que resta dos pescadores ....como será posivel tudo isto ?
Acabemos com conservadofismos bacocos com pretexto de tradições caóticas e deixem a cidade evoluir, desenvolver a economia.
Basta passar pela baía no local que devia ser de usufruto público para ver que o melhor espaço da cidade é uma lixeira a céu aberto controlado por alguns que se acham cheios de direitos.
Os centros das cidades em tempos foram locais de feiras de gado, mercados de lei e, matadouros e até serviram para queimar bruxas. Nada disso é feito actualmente nestes locais públicos de fruição coletiva. Tirem aquele lixo e aquela gente dali, criem condicoes xe trabalho e abrigo em local apropriado no interior da marina e ja agora desocupem também o clube que nunca deveria ter sido cedido a essa pequena elite, para que se possa percorrer desde o farol à baixa junto ao mar. Todo esse paredão é espaço publico deveria ser entregue aos cidadãos, ao comércio e já agora para o desenvolvimento turistico.
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