Cortou água e luz para forçar inquilinas a sair uma delas com bebé de 4 meses

Atual

Por Redação
23 julho 2019

A dona de uma moradia, em Massapés, Tires, decidiu há cinco dias cortar a água e a luz por forma a pressionar duas inquilinas a abandonarem, respetivamente um anexo e um sótão que alugara há alguns anos.

O grave da situação é que uma das inquilinas, Catarina Veiga, tem um filho bebé de 4 meses e outro de 3 anos, e a outra, Marisa Cancela está grávida de 8 meses.

Ambas asseguraram a Cascais24 que “sempre cumpriram com o pagamento das rendas”.

A verdade, porém, é que nunca houve contrato de arrendamento e o valor das rendas eram entregues mensalmente, em dinheiro vivo, à senhoria, o que foi confirmado pela própria a Cascais24.


Marisa Cancela está grávida de 8 meses
“Ela quer nitidamente correr connosco”, disse, a Cascais24, uma das inquilinas.

Este domingo, à tarde, a dona da habitação, Maria Adelaide, confirmou que tinha cortado a água e a luz “só para os apressar a sair”. 

Reconheceu, no entanto, que não “foi a melhor opção” e prometeu a Cascais24 que iria “imediatamente religar a energia elétrica”. Porém, não o fez. “Ia fazê-lo, como tinha prometido ao seu jornal, mas fui depois aconselhada a não o fazer”, justificou esta terça-feira a senhoria.

Entretanto, dirigiu-se à Águas de Cascais e cancelou também o contrato de fornecimento de água, isto porque no sábado, as inquilinas, em desespero, forçaram a caixa da torneira de segurança, fechada a cadeado, e efetuaram a religação. “Confirmo que cancelei o contrato”, declarou Maria Adelaide.


O contador de água foi fechado a cadeado pela senhoria
Antes, porém, na semana passada, a PSP da 56ª. Esquadra (Trajouce) chegou a ser acionada para ir à moradia da rua Fernando Pessoa, em Massapés, mas também sem sucesso não conseguiu convencer a senhoria a ligar a água e a luz, que são considerados serviços essenciais.


“Guerrilha”


Neste momento, senhoria e inquilinas vivem um autêntico ambiente de “guerrilha psicológica”, com cada uma das partes a achar estar dentro da razão.

A inquilina Catarina Veiga afirmou, a Cascais24, que esta segunda-feira apresentou queixa junto dos Serviços do Ministério Público de Cascais e uma denúncia na Autoridade Tributária contra a senhoria, enquanto esta também assegurou ao nosso jornal que os seus advogados “estão a tratar do assunto”.

A senhoria, Maria Adelaide, garantiu mesmo a Cascais24 que “desde novembro do ano passado”, que vem pedindo às inquilinas para saírem “e elas chegaram a concordar em fevereiro”, mas “nunca mostraram intenção de o fazer”.

“Foi em fevereiro, não em novembro, que fomos avisadas e, sim, concordámos, mas para onde vamos? Não temos condições económicas que nos permitem arrendar uma casa aos preços a que estão”, afirmou Catarina Veiga, que ganha o ordenado mínimo a trabalhar num jardim de infância camarário e está inscrita na habitação social camarária. 


Uma paga 350 e outra 300 euros pelos alugueres de um anexo, cheio de humidades, com duas pequenas divisões e casa de banho, e outra pelo sótão, onde, diz, “temos de andar quase curvados”.

“Estou cansada, em desespero e não fiz isto por gosto”, garantiu, por sua vez, a senhoria Maria Adelaide, que justifica a saída das inquilinas da sua propriedade por necessidade de efetuar obras e legalizar o imóvel.

“Em desespero estamos nós, sem água e luz, a ter que recorrer a colegas de trabalho e pessoas amigas para tomar banho, lavar roupa e, no meu caso, aquecer os biberões do meu bebé”, concluiu Catarina Veiga.

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5 comentários:

Anónimo disse...

A senhoria não fez contrato e agora acha que tem todos os direitos...

José Ferreira disse...

Para mim nem senhoria, nem inquilinas têm razão. Mas também quem estará em piores circunstâncias será a inquilina, visto que o imóvel não está legalizado, recebeu rendas sem as declarar. Mas como na justiça nem sempre quem tem razão ganha....

Anónimo disse...

Não compreendo a queixa: «um anexo, cheio de humidades, com duas pequenas divisões e casa de banho, e outra pelo sótão, onde, diz, “temos de andar quase curvados”» Se estão lá à vários anos só agora é que repararam que as casas não têm condições? A humidade é só de agora? Será que o teto do sótão, só agora é que é baixo? Se estão assim tão mal, porque não querem sair? Espera: estão à espera que além lhe dê uma casa!!!
Depois parece que a senhoria pretende vagar as casas para fazer obras e legalizar a propriedade. Mas não pode...

estevesayres disse...

Uma situação que nos deve por a pensar com a nossa própria cabeça, não com a cabeça dos conselheiros (as) da senhoria, pelos visto não cumpriu a lei vigente sobre os arrendamentos. Os serviços públicos ("justiça")quando é a favor dos senhorios por norma utilizam aquela técnica, "surdo, mudo e cego"!!!
Por fim; estas jovens deveriam ser ajudada.
Os serviços da Câmara Municipal de Cascais (e seus vereadores) deveriam tomar uma posição na defesa destas jovens, é para isso que foram eleitos, para ajudarem a resolver, os problemas dos mais pobres, porque os mais ricos esses tem quem os ajude/resolva!
Espero que o Senhor Presidente Carlos Carreiras,e os seus vereadores façam aquilo que dizem nas Assembleia Municipais!

Anónimo disse...

Sabem o que é isto? É a sabugice geral que existe no mercado imobiliário, desencadeado com a ignóbil lei Cristas. Vale tudo. E faz-se pouco ou nada para que o português comum possa ver o direito constitucional a uma habitação, cumprido. E aqui ficam mal todas as forças políticas. Quanto ao presidente da CMC não fará nada pq a política habitacional está virada para ricos, a esterilização do litoral,o empurrar de pessoas para guetos. Os projectos apresentados são pura mentira

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