Rede de Taiwan pagava 8 mil euros mensais por mansão na Pampilheira

Segurança


01 setembro 2019
Era numa mansão, com muros altos, em área residencial de luxo na Pampilheira, em Cascais, e a pagar 8 mil euros de renda por mês, que uma rede chinesa mantinha em funcionamento, desde março, um call- center clandestino, com trabalho alegadamente escravo de 17 jovens recrutados em Taiwan para extorquir cidadãos da China continental. A mansão tinha sido alugada por seis meses e os jovens receberiam o equivalente a 740 euros/mês que seriam depositados nas suas contas de origem. Descansavam de dia e trabalhavam toda a noite. Não teriam autorização para sair para o exterior!


Manuela Santos, diretora da Unidade Nacional Contraterrorismo, que coordenou operação em Cascais
Libertados numa operação da Unidade Nacional Contra Terrorismo da PJ, os 17 jovens de ambos sexos, com idades entre os 20 e os 30 anos, regressaram, entretanto, ao país de origem, pois tinham viagem de ida e volta, disse, a Cascais24, Manuela Santos, diretora da Unidade Nacional Contra Terrorismo da PJ.


Na ofensiva, desenvolvida por 15 inspetores da PJ, foram, ainda, detidos dois chineses, um encarregue da logística, que fornecia alimentação e outros bens aos jovens e outro encarregue de supervisionar o trabalho e que retinha na sua posse os respetivos passaportes e telemóveis dos “trabalhadores”.


A PJ interveio a pedido das autoridades policiais de Taiwan que, inclusivamente, enviaram a Lisboa dois agentes do 7º Corpo de Investigação do Criminal Investigation Bureau (CBI), que acompanharam, como observadores, a operação portuguesa no sítio onde o call-center, usado internacionalmente para burlar e extorquir cidadãos da China continental tinha a sua base logística instalada.


Ainda segundo Manuela Santos,"o modus operandi, muito bem elaborado e treinado, implicava obrigar os jovens a fazerem-se passar por funcionários de autoridades policiais e governamentais chinesas que contactam as pessoas para as convencer que acederam a conteúdos proibidos na internet e tinham que pagar uma multa para não serem detidos".


Jovens que trabalhavam no call center na Tailândia
Os inspetores da PJ confiscaram algumas notas comprometedoras, em mandarim, mas a maior parte delas estavam destruídas e guardadas em sacos de lixo preto espalhados pela casa. 


Os montantes extorquidos, pelo telefone, eram canalizados para um IBAN da organização alegadamente criminosa.


Na operação da PJ foram confiscados 25 telemóveis, outros tantos computadores portáteis e vários equipamentos wireless - as chamadas eram feitas com telemóveis sem cartões, só através de wi-fi


Entretanto, apurou Cascais24, na Tailândia, a polícia de Taiwan terá desmantelado nos últimos dias outra base, alegadamente a funcionar ao serviço da mesma rede.



A história da rede
Segundo o Criminal Investigation Bureau (CBI) de Taiwan, esta organização fraudulenta liderada por um homem, de sobrenome Yang operava desde abril do ano passado na cidade de Taoyuan, condado de Hsinchu.


Equipamentos confiscados na ofensiva em Taiwan
Foi naquela altura que Yang organizou uma sala de computadores para fraudes “Taobao”, fazendo com que “os trabalhadores”, disfarçados como funcionários de segurança pública da China e funcionários da Agência de Aplicação da Lei e outras agências governamentais, contatassem cidadãos chineses, por telefone, alegando estarem envolvidos num grande processo criminal por lavagem de dinheiro e exigindo que cooperassem com o processo de verificação de fundos para provar sua inocência.


Depois da rede obter as informações relacionadas com as contas bancárias das vítimas, o dinheiro era transferido para uma conta fictícia via Internet, e um homem com o sobrenome Su verificava o dinheiro obtido através de um centro de lavagem de dinheiro.


Força tarefa


Em Taiwan, a investigação do CIB iniciou-se depois da recolha de informações e sob a coordenação do promotor Huang Yi-Ling, do Ministério Público do Distrito de Hsinchu, em Taiwan, que decidiu formar uma força-tarefa.


Em maio último um investigador do CBI anunciava as primeiras investigações
As investigações do CBI culminaram, numa primeira fase, a 16 de janeiro último, na detenção de 18 suspeitos, incluindo Li ○ -Chiang, Su ○ -Sheng,  testas de ferro de mister Yang, na apreensão de uma chave USB chinesa, cartões China Union Pay, laptops, telefones celulares para contatos criminais, roteadores sem fio , manuais de instruções e outras matérias comprometedoras.


A investigação da força tarefa do CBI viria, ainda, a culminar a 25 de abril último na prisão do líder, mister Yang, mas por pouco tempo, pois seria libertado mais tarde.


Mudou a estratégia


Em liberdade, mister Yang reformulou o call center fraudulento, transformando-o em pequenas unidades de salas de fraude, cada uma acomodando de um a dois membros para fins de fraude e vida diária. 


Além disso, o acesso ao call center era feito por pessoal e veículos especiais, e os veículos de entrega foram deliberadamente rotulados como “indústria de engenharia” para enganar o público em geral. 


Entretanto e, enquanto a polícia de Taiwan lançava alertas públicos sobre a fraude, solicitando a quem recebesse uma ligação telefônica ou mensagem de texto suspeita para ligar para a Linha Direta Antifraude da Agência Nacional de Polícia 165, mister Yang instalava em Cascais a sua primeira base logística europeia, agora desmantelada em plena “produção” pela Unidade Nacional Contra Terrorismo da PJ sob coordenação do Ministério Público de Cascais.


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2 comentários:

Anónimo disse...

Trabalho escravo de jovens de 17 anos em
Cascais"... e as mares vivas , natura, que ganham 10 euros por dia ...os formadores sao credenciados ? Em caso de incendio nas matas conhecem o ponto de encontro e as saidas de emergencia ? Os telemoveis funcionam nestes sitios ? O que diz ou melhor nao diz o responsavel numero um pela seguranca em cascais ? Zero .

Carlos Portugal disse...

Desculpem... Mas a Pampilheira não é, nem nunca foi "zona de luxo"... A Marinha, a Patiño, a Gandarinha, certas zonas de Birre, o Alto do Estoril, sim... Mas a Pampilheira? Terá uma ou duas casas boas, geralmente recatadas, como uma quinta vendida há uns anos, mas nunca "mansões"...
Pena estes exageros, pois o artigo está muito bom...

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